A campanha ao Governo do Estado segue sem empolgar o eleitor, mesmo tendo, entre seus principais nomes, políticos com currículos respeitáveis. Nenhum dos candidatos conseguiu produzir um fato novo capaz de mexer com um cenário que se mostra cada vez mais consolidado.
Além da falta de um movimento significativo, também é preciso destacar que as atenções estão voltadas à eleição presidencial, principalmente pela polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), somada ao fenômeno Augusto Cury (Avante). Outro ponto é que temos uma eleição ao Senado muito disputada e imprevisível, que tem despertado muito mais interesse do que a disputa ao Executivo.
Em meio a tudo isso, o governador Jorginho Mello (PL) administra um cenário que hoje aponta para uma reeleição em primeiro turno. Em suas agendas, defende os resultados de sua gestão e anuncia uma nova etapa, prevendo obras estruturantes. Quanto menos houver mudança de temperatura, melhor para ele.
Por sua vez, João Rodrigues (PSD), para crescer, tem um caminho mais complexo a percorrer. O ex-prefeito de Chapecó precisa se tornar mais conhecido fora da Serra e do Oeste. Para isso, tem levado a sua gestão em Chapecó como uma vitrine para conquistar votos nas demais regiões. Mistura propostas com críticas ao governo, o que é natural para um candidato de oposição. Porém, se quiser disputar o eleitor de direita com Jorginho, terá que tirar do armário as suas pautas conservadoras e endurecer o discurso contra a esquerda para tentar convencer quem vota no líder dos liberais.
O problema para Rodrigues é que isso fará com que o eleitor de esquerda e o independente que o apoiam migrem para Gelson Merisio (PSB). É uma escolha difícil para o pessedista, que foi alertado desse cenário pelo seu ex-marqueteiro Juarez Guedes, que defendia o rompimento com o eleitorado de esquerda para poder avançar sobre os de direita.
Vale lembrar que uma parcela importante do eleitorado do PL aqui no Estado não escolhe apenas candidatos. Ela defende um campo político. Para esse público, o discurso ideológico e o alinhamento nacional têm peso. É aí que Rodrigues encontra o maior desafio para tirar voto de Jorginho, embora também seja de direita, pois o seu candidato a presidente, Ronaldo Caiado (PSD), não empolgou essa parcela do eleitorado.
Merisio e o fator Lula
No cenário de hoje, quem tem o maior potencial de movimentá-lo é o ex-deputado Gelson Merisio (PSB). A visita do presidente Lula, prevista para o próximo dia 13, a Florianópolis, tende a consolidar o apoio de uma boa parcela do eleitor de esquerda que já está com Merisio e promete ampliar esse eleitorado, que representa de 15% a 20% dos votos em Santa Catarina. É muito improvável que uma visita de Lula, com discurso pedindo voto para Gelson Merisio, não movimente o eleitor. O fato é que, se confirmar essa concentração de votos do campo progressista em Merisio, a disputa pelo segundo lugar na eleição estadual com Rodrigues ficará mais acirrada. Resta saber o patamar de votos que conseguirão alcançar.
Demais candidatos
No bloco mais abaixo, os demais candidatos seguem sem influenciar no cenário da disputa ao Governo do Estado. Havia uma expectativa em relação a Marcelo Brigadeiro (Missão), mas, até o momento, ele não conseguiu performar. Resta saber como será o desempenho de Renan Santos (Missão) na eleição nacional, que perdeu espaço para Augusto Cury (Avante), e o quanto conseguirá fortalecer a campanha de Brigadeiro.
Agendas em Blumenau

Os candidatos do PL ao Senado, Caroline de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL), foram a Blumenau no aniversário do município, mas em agendas diferentes. De Toni acompanhou a deputada federal Júlia Zanatta (PL). Já Carlos apareceu no evento ao lado do ex-prefeito João Paulo Kleinubing (PL), que cumpriu a missão de apresentá-lo ao eleitor blumenauense. Chamou a atenção que, mesmo na mesma cidade, as agendas não foram conciliadas.
Ex-prefeitos
Ontem, Blumenau comemorou 176 anos de fundação e recebeu um grande número de candidatos. Vale destacar que o município tem quatro ex-prefeitos na disputa deste ano: Décio Lima (PT), ao Senado; João Paulo Kleinubing (PL), a deputado federal; e Napoleão Bernardes (PSD) e Mário Hildebrandt (PL), a deputado estadual. Os quatro passaram o dia fazendo campanha na cidade.
Esquerda cresce

Uma fonte relatou que há um sentimento em Blumenau de que a esquerda começou a ganhar mais espaço no cenário local e que isso poderá beneficiar alguns nomes do município. Os movimentos feitos pelo candidato ao Senado Décio Lima (PT) e pela deputada federal Ana Paula Lima (PT), que disputa a reeleição, poderão beneficiar também o vereador Jean Volpato (PT), candidato a deputado estadual. Esse crescimento estaria sendo notado principalmente nas periferias.
Denúncias em Florianópolis

Uma fonte atualizou a informação divulgada ontem pela coluna sobre denúncias de emendas cruzadas envolvendo vereadores de Florianópolis e entidades sociais. Segundo apurado, já há um inquérito em andamento. Informações obtidas junto a um dos autores da denúncia dão conta de que o que será apurado tem o potencial de balançar a Câmara, caso seja comprovado, podendo atingir um candidato. “Já tentaram trocar alguns agentes públicos e de entidades, mas não adianta”, relatou um dos denunciantes.
Tigrão continua

O vereador de Chapecó Valdemir Stobe, o Tigrão (PSD), me disse que manterá a sua candidatura a deputado estadual. Ontem, divulguei uma informação de uma fonte ligada à campanha do PSD de que Tigrão poderia desistir para dar espaço para a ex-primeira-dama Fabiana Rodrigues (PSD). Num primeiro momento, João Rodrigues (PSD) se limitou a dizer: “Não sei ainda”. Ontem, ligou para informar que ela não será candidata, conforme publiquei.
El Niño
Santa Catarina terá R$ 522,6 milhões do Novo PAC destinados a ações de prevenção a desastres provocados por chuvas intensas. Os recursos integram um pacote de R$ 8,8 bilhões direcionado aos três estados da Região Sul e contemplam obras como drenagem urbana e contenção de encostas. Além desse montante, o Estado contará com R$ 4,5 milhões para ações de segurança hídrica. Somadas as duas frentes, o Novo PAC prevê R$ 527,1 milhões em investimentos para Santa Catarina, com foco na redução de riscos e no enfrentamento dos impactos causados pelo El Niño.









