
As urnas não definirão apenas quem ocupará cadeiras na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado. Em algumas das principais cidades de Santa Catarina, o desempenho de determinados candidatos neste ano poderá começar a desenhar o cenário das eleições municipais de 2028.
Por isso, é preciso ficar atento a alguns nomes. Dependendo do desempenho nas urnas, poderão sair desta eleição com musculatura política suficiente para se tornarem protagonistas na próxima disputa municipal.
Em Florianópolis, por exemplo, o ex-prefeito Gean Loureiro (UB) disputa uma vaga na Assembleia Legislativa. Nos bastidores, a avaliação é de que Loureiro tem musculatura para fazer uma forte eleição a deputado estadual, resultado que poderá colocá-lo entre os principais nomes para a disputa pela prefeitura da capital em 2028.
Do outro lado, o prefeito Topázio Neto (Podemos) aposta suas fichas em seu ex-chefe de gabinete, Fábio Botelho (Podemos). Para Topázio, eleger seu apadrinhado para a Alesc será importante para construir um nome de seu grupo capaz de entrar em uma eventual disputa com Gean. Só que há um detalhe: Loureiro tem um currículo muito mais robusto do que o de Fábio e até mesmo do próprio Topázio, que entrou na política pelas mãos de Gean.
Além disso, o sucesso de Botelho poderá representar uma sobrevida política para um prefeito que, até aqui, não conseguiu construir um grupo político forte em seu entorno. Se a estratégia não funcionar, Topázio poderá ter que recorrer ao PL para encontrar um nome com chances reais de sucedê-lo.
Em Blumenau, o cenário de 2028 dependerá também do desempenho do prefeito Egídio Ferrari (PL). Isso porque o promotor Odair Tramontin (Novo), caso seja eleito deputado estadual, passará a ser um nome ainda mais forte para a próxima disputa municipal.
Nesse cenário, o Partido Liberal deverá avaliar o quadro no início de 2028. Se Ferrari não chegar àquele momento com favoritismo consolidado e o ex-prefeito João Paulo Kleinubing (PL) estiver em pleno mandato de deputado federal, o partido poderá dar preferência a Kleinubing para liderar o projeto liberal na eleição municipal. Pela esquerda, Décio Lima (PT) também poderá aparecer como alternativa caso não consiga se eleger ao Senado.
Em Joinville, os emedebistas apostam na reeleição do deputado estadual Fernando Krelling e na eleição de Rodrigo Coelho para a Câmara dos Deputados. Um bom desempenho dos dois poderá dar ao MDB condições de construir uma candidatura competitiva contra a prefeita Rejane Gambin (Novo). Mas o cenário joinvilense poderá apresentar outras alternativas. Sobretudo, uma que pelo perfil, agrade o setor produtivo local, que historicamente observa com atenção nomes de perfil mais empresarial.
Em Balneário Camboriú, o ex-prefeito Fabrício Oliveira (Republicanos) busca uma cadeira na Câmara dos Deputados. Se eleito, poderá chegar a 2028 fortalecido pelo mandato federal e como um dos nomes para uma possível disputa contra a prefeita Juliana Pavan (PSD). Ela, por sua vez, trabalha pela reeleição do deputado estadual Carlos Humberto (PL), que estará alinhado a pessedista em 2028. Hoje, Fabrício, Juliana e Carlos Humberto formam o núcleo dos principais nomes da política da Dubai brasileira. Porém, até a próxima eleição municipal, fatos novos poderão alterar esse cenário.
Já em Palhoça, o quadro aponta para uma possível disputa envolvendo dois deputados estaduais: Camilo Martins (PL) e Sérgio Guimarães (UB). Correndo por fora está Luciano Pereira (Novo). Se conseguir uma cadeira na Alesc, chegará a 2028 com mais força política. Caso contrário, continuará como uma alternativa, mas em condições diferentes dos dois parlamentares.
Você pode estar se perguntando: por que falar de 2028 se estamos em pleno período eleitoral de 2026? Porque, na política, uma eleição começa a desenhar a seguinte. Enquanto os pleitos não forem unificados, os resultados das urnas continuarão influenciando diretamente o pleito seguinte.
Visita de Lula

Conforme já informamos, a vinda do presidente Lula (PT) ao estado está confirmada para o próximo domingo (13), em Florianópolis. Hoje deve ser batido o martelo sobre se o ato será mesmo na praça em frente à Assembleia Legislativa ou se o Largo da Alfândega tem um espaço maior. Também há uma preocupação com a previsão do tempo para esta semana, por causa da montagem do palco e dos equipamentos. O ato está marcado para iniciar às 8h, sendo que o discurso de Lula deverá acontecer por volta das 10h. O palco será restrito ao presidente, ao candidato ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSB), acompanhado da candidata a vice, Ângela Albino (PDT), e aos candidatos ao Senado, Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT). O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) deve confirmar a vinda durante a semana.
Chegada a SC
O presidente Lula (PT) terá agendas no sábado (12) em Porto Alegre e, depois, Curitiba. É possível que ele durma em Florianópolis para participar do ato no domingo (13), logo cedo. Alguns hotéis devem ser avaliados para o caso de o presidente dormir na capital.
7 de Setembro

O governador licenciado Jorginho Mello (PL), que disputa a reeleição, participou de uma caminhada pelo 7 de Setembro, ontem, na Beira-Mar Norte, em Florianópolis. Ele foi acompanhado de seu candidato a vice, Adriano Silva (Novo). “É um dia para celebrar o Brasil, estar perto das pessoas e reafirmar valores que são fundamentais para todos nós: pátria, família e liberdade. É muito bom estar aqui, junto das pessoas, sentindo essa energia e esse sentimento de amor pelo nosso país”, afirmou Jorginho. Silva também destacou a presença da população nas ruas e a importância da participação das pessoas nas manifestações do 7 de Setembro.
No Norte do estado

O candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD), cumpre agenda em Jaraguá do Sul no dia de hoje. Além de visitas, ele participará, à noite, de sabatina na Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (ACIJS), com representantes do setor produtivo de Corupá, Schroeder, Massaranduba e Guaramirim. No roteiro pelo Norte, Rodrigues vai acompanhado do deputado federal Carlos Chiodini (MDB), candidato a vice-governador, além do deputado estadual Antídio Lunelli (MDB) e do senador Esperidião Amin (Progressistas), que concorrem ao Senado.
Fazendo conta
Uma leitura feita por lideranças do MDB é que o partido deverá fazer quatro cadeiras na Assembleia Legislativa, podendo chegar a uma quinta, a depender do desempenho da chapa, sobretudo de quem já tem mandato. A saída do deputado Antídio Lunelli, que disputa vaga ao Senado e era visto como um puxador de votos, e as desistências de Andressa Pera, do ex-prefeito de Lages Elizeu Mattos e do ex-prefeito de Campos Novos Nelson Cruz são avaliadas como perda de um considerável número de votos que fariam diferença na chapa proporcional.
Crise no STF 1
Apurei que empresários e lideranças do setor produtivo de Santa Catarina devem ser consultados nos próximos dias sobre uma articulação nacional que pretende discutir o momento do Judiciário brasileiro. O movimento reúne executivos de grandes companhias e representantes da Faria Lima, coração financeiro do país e endereço de algumas das principais instituições do mercado de capitais. A mobilização ganhou força diante dos recentes episódios envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal e os desdobramentos do caso Banco Master. A intenção é ampliar o debate para diferentes setores e regiões antes de definir uma posição conjunta. Entre os assuntos que deverão ser apresentados aos catarinenses estão segurança jurídica, previsibilidade das decisões e equilíbrio institucional. A articulação poderá resultar na elaboração de um manifesto.
Crise no STF 2

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, cancelou a reunião agendada para amanhã com o presidente da OAB, Beto Simonetti, e que contaria com a participação do presidente da Ordem em Santa Catarina, Juliano Mandelli, e dos presidentes das demais seccionais. Apurei que a entidade faria uma forte cobrança a Fachin para que os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça sejam apurados com isenção. “A Ordem se preocupa com os impactos dessa crise para o Brasil, sobretudo por envolver instituições essenciais à democracia e por ocorrer durante o período eleitoral”, diz o manifesto da OAB. Mesmo assim, Simonetti manteve uma reunião com os presidentes das seccionais.
Suspensão atinge SC

A paralisação das exportações brasileiras de carne de frango para a União Europeia atinge diretamente o estado. Desde quinta-feira (3), o produto brasileiro está impedido de entrar no bloco devido às novas exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. O peso para a economia catarinense é significativo. Somente em 2025, Santa Catarina faturou US$ 337,4 milhões com as vendas de frango aos países da União Europeia. O valor correspondeu a 13,8% de toda a receita obtida pelo Estado com a exportação de carne de frango naquele ano. Outro dado mostra a dimensão dessa relação comercial: SC embarcou 96,6 mil toneladas para o mercado europeu em 2025, respondendo por cerca de 42% de todo o frango brasileiro vendido ao bloco.
Reabertura
A boa notícia para a avicultura catarinense veio logo após o início da suspensão. Uma auditoria da União Europeia, concluída na sexta-feira (4), considerou satisfatórios os controles sanitários e os procedimentos brasileiros para a cadeia de aves. O resultado abre caminho para que o país seja novamente autorizado a vender carne de frango ao bloco. A expectativa do Governo Federal e do setor produtivo é de que a liberação possa ocorrer em até dois meses. Até lá, os embarques permanecem suspensos, e o avanço dependerá dos procedimentos administrativos das autoridades europeias. Para Santa Catarina, uma solução rápida é estratégica. Entre janeiro e julho deste ano, as vendas catarinenses de frango à União Europeia já haviam movimentado US$ 280,5 milhões, mostrando que o mercado europeu ganhou ainda mais relevância para o setor.









