“O Merisio é o meu Engels”, diz Lula durante ato de campanha em Florianópolis


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Redação Santa Catarina em Pauta

Lula fez sua última visita ao Estado antes da eleição de 4 de outubro – Divulgação

Nem a chuva afastou o público que participou, neste sábado, do ato de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa, em Florianópolis. O evento reuniu lideranças políticas e apoiadores, com destaque para o candidato ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSB).

No palco, além de Lula, estavam a primeira-dama Janja da Silva, que cantou uma música em homenagem ao presidente; Merisio, acompanhado da esposa, Márcia Merisio; a candidata a vice-governadora, Ângela Albino (PDT); e os candidatos ao Senado, Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT).

Merisio aproveitou o discurso para explicar sua aproximação com Lula e os motivos que o levaram a voltar à disputa eleitoral. Segundo ele, estava afastado do processo político desde 2018 e conheceu pessoalmente o presidente em março de 2022. Desde então, passou a acompanhar o trabalho do Governo Federal e as ações destinadas a Santa Catarina. O candidato relatou que a decisão de concorrer ao Governo do Estado ocorreu após uma conversa com Lula há pouco mais de 90 dias. “Ele me disse que, mais do que uma eleição em Santa Catarina, nós tínhamos uma missão. A missão de não permitir que o bolsonarismo fizesse aqui uma plataforma de ressurreição”, afirmou.

O candidato ao governo agradeceu a recepção dos partidos e lideranças de esquerda e afirmou que uma de suas principais tarefas na campanha será ampliar o diálogo de Lula com o eleitorado catarinense. “A primeira e a principal delas é ajudar o presidente Lula a ser ouvido pelos catarinenses, a permitir que aqui no Estado as pessoas possam reconhecer todo o seu esforço e todo o seu trabalho. Essa é a minha missão”, declarou.

Merisio também defendeu maior aproximação institucional entre os governos estadual e federal. Ao abordar investimentos e infraestrutura, criticou o governador Jorginho Mello (PL) e afirmou que divergências políticas prejudicaram o Estado. “É isso que nós temos que buscar por nosso Estado: reencontrar Santa Catarina com o Brasil, reencontrar o Governo do Estado com o governo do presidente Lula, fazermos e trazermos para o nosso povo as ações de obras, de serviço e de dignidade que todos precisam”, disse.

Merisio também contestou a imagem de Santa Catarina como um Estado marcado pela intolerância. “Nós não somos um povo violento. Nós não somos um povo racista. Nós acolhemos os imigrantes”, afirmou.

“Esse cara era o meu Engels”

O momento de maior destaque envolvendo Gelson Merisio veio durante o discurso de Lula. O presidente chamou o candidato para perto e fez uma comparação com a relação histórica entre Karl Marx e Friedrich Engels. “Vocês sabem que eu não sou marxista, não sou comunista, eu sou um torneiro mecânico que adquiriu consciência política. Agora, esse cara… Vocês sabem que o Marx tinha um cara rico que acompanhava o Marx, que se chamava Engels? Esse cara era é o meu Engels”, afirmou Lula, apontando para Merisio.

O presidente também aproveitou o discurso para criticar o governador. “Aqui em Santa Catarina, pergunte para ele. Pergunte para o governador: qual é a gracinha que ele tem com o Bolsonaro? O que é que o Bolsonaro fez aqui?”, questionou Lula.

Lula disse ainda que participou diretamente da construção da candidatura do ex-deputado e apontou o diálogo com setores que oferecem resistência ao seu grupo político como uma das tarefas do candidato em Santa Catarina. Entre eles, citou o agronegócio. “Eu acho que você deveria fazer uma reunião com o pessoal do agronegócio aqui”, disse Lula, sugerindo que Merisio questione diretamente os produtores sobre os motivos das críticas ao governo federal. “Qual é o problema contra nós? Acho que é uma questão de pele. É porque eu sou nordestino ou porque eu sou pobre? Porque, se dependesse de dinheiro do governo, nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora”, declarou.

Agricultura catarinense

Ao falar especificamente de Santa Catarina, Lula destacou o modelo de produção rural do Estado e citou a força das cooperativas e da integração entre empresas e produtores. “Aqui em Santa Catarina tem uma agricultura muito especial. Aqui tem muitas cooperativas. Aqui há uma integração entre a empresa e o produtor rural”, afirmou.

O presidente também apresentou números sobre a abertura de mercados internacionais para produtos brasileiros. Segundo Lula, foram 693 novos mercados durante seu atual mandato. Ele citou carnes e derivados e afirmou que parte dessas oportunidades comerciais beneficia diretamente a produção catarinense.

Bets, feminicídio e educação

Lula dedicou parte do discurso às apostas eletrônicas. Disse estar preocupado com o endividamento provocado pelos jogos e relatou ter conversado com pessoas que perderam grandes quantias. “Não vou permitir que as pessoas continuem se endividando, que as pessoas continuem se matando”, afirmou.

O presidente disse que pretende discutir o assunto com a equipe econômica e com o Banco Central. Em outro momento, foi mais direto ao defender o fim das apostas: “O que eu quero, na verdade, é acabar com as apostas.”

A violência contra as mulheres também ganhou espaço. Lula defendeu maior participação dos homens no enfrentamento ao feminicídio e afirmou que a responsabilidade pelo combate às agressões não pode recair somente sobre as mulheres. “A luta contra a violência nas nossas companheiras não é delas, é nossa”, declarou.

Na educação, o presidente citou universidades, institutos federais, ciência e tecnologia e defendeu a ampliação das oportunidades para os jovens. “O que faltou para nós é oportunidade”, afirmou. “Porque eu não estudei, eu quero que todo mundo possa estudar nesse país. Esse é o futuro do país: qualificar nossa juventude para transformar o país num país competitivo, na qualidade, na produtividade”, afirmou.

Lula cita Flávio Bolsonaro

O presidente Lula também direcionou críticas a Flávio Bolsonaro (PL) e mencionou a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro. “A ideia do outro: ‘Eu quero ganhar as eleições para tirar meu pai da cadeia’”, afirmou. Na sequência, o presidente abordou as investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS e citou diretamente Flávio. “Na semana passada nós descobrimos. O escritório do Flávio Bolsonaro é junto do escritório do Careca”, declarou Lula.

Ao defender o aprofundamento das apurações, o presidente afirmou: “Eu quero que a Suprema Corte apure, investigue todos. Vamos deixar todo mundo nu diante da sociedade brasileira, porque nós merecemos saber da verdade. Se a gente não mexer com isso agora, a gente não conserta esse país. E eu quero consertar esse país. Eu quero que vocês sintam orgulho desse país”, afirmou.