
Neste domingo (27), Dia Nacional da Doação de Órgãos, entidades ligadas à causa realizam uma mobilização no Parque de Coqueiros, em Florianópolis, até às 13h. A atividade integra as ações do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização e ao incentivo à doação de órgãos e tecidos.
Mobilização e experiência de quem recebeu um transplante
Entre as pessoas envolvidas na causa está Júlia Bottini Mohr, analista do Centro de Pesquisas Oncológicas do Cepom e vice-presidente da Associação de Pacientes Renais (Apar/SC). A entidade reúne pessoas que aguardam por transplantes em Santa Catarina. Transplantada renal, Júlia também atua de forma voluntária no apoio a pacientes que enfrentam as etapas do tratamento antes e depois do procedimento.
A trajetória de Júlia com a doença renal começou em 2011, quando procurou atendimento médico por causa de dores nos pés. Após exames que apontaram alterações nos níveis de ureia e creatinina, ela passou por novas avaliações, exames de imagem e acompanhamento com um nefrologista, até receber o diagnóstico de insuficiência renal. Dois anos depois, passou a realizar três sessões semanais de hemodiálise enquanto aguardava por um transplante. “O diagnóstico é a notícia que ninguém quer. Consegui me manter trabalhando, vida adaptada com o apoio de uma rede familiar, mas saía exausta das sessões de hemodiálise, todas as terças, quintas e sábados”, relatou.
Júlia recebeu a confirmação de que havia um órgão disponível ao final de uma sessão de hemodiálise, após cerca de um ano de espera. O transplante renal foi realizado em 2013, no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis. Segundo ela, o período de espera é marcado pela expectativa de que uma família autorize a doação em um momento de perda. “Quando se está na fila, é rezar para que uma família tenha consciência para autorizar a doação de órgãos, para que a vida continue em outra vida”.

A experiência fez com que Júlia passasse a destacar a importância da doação e o trabalho das equipes envolvidas na captação e nos transplantes. Ela resume em “gratidão” o sentimento por ter recebido o órgão e afirma que a decisão de uma família pode permitir a continuidade da vida de outras pessoas. “Ainda bem que existem pessoas abertas à importância das doações”, afirma, ressaltando que, em um momento crítico, a autorização para a doação de órgãos cabe aos familiares.
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