
Pressionados a desistir de suas candidaturas à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) afirmam que não renunciarão. Com baixos percentuais de intenção de voto, segundo a pesquisa Quaest de ontem, Caiado tem 4% e Zema, 1%. Ambos começam a perder apoio em alguns estados.
Aqui em Santa Catarina, o primeiro movimento de afastamento foi do ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo). Candidato a vice na chapa do governador Jorginho Mello (PL), Silva se afastou ainda em maio, informação que foi publicada em primeira mão pela coluna. O ex-prefeito, para manter a sua aliança com Jorginho, deixou de apoiar Zema por causa das críticas do mineiro a Flávio Bolsonaro (PL), em meio às revelações das conversas do Zero Um do ex-presidente Jair Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Das várias visitas de Zema ao estado, durante a pré-campanha e agora durante a campanha, Adriano esteve presente em apenas um evento e se recusou a ser fotografado ao lado do ex-governador. Nos demais, simplesmente ignorou as vindas do mineiro. Algum tempo depois, revelei nesta coluna que, nos bastidores, Silva passou a apoiar a candidatura de Flávio.
Quanto a Caiado, a sua candidatura não empolgou o eleitor catarinense. Tanto que se tornou um peso para João Rodrigues (PSD), que, ao contrário do governador Jorginho Mello (PL) e de Gelson Merisio (PSB), teve um candidato à Presidência da República que precisou ser apresentado ao eleitor. Rodrigues, em uma visita a Criciúma, chegou a elogiar Renan Santos (Missão).
Além disso, os dois candidatos ao Senado da chapa, Esperidião Amin (Progressistas) e Antídio Lunelli (MDB), são eleitores de Flávio. Agora, quem também anunciou apoio foi o prefeito de Criciúma, Vágner Espíndola (PSD), que, em um vídeo publicado ontem, anunciou que, mesmo com o PSD tendo Caiado na disputa nacional, seu candidato é Flávio Bolsonaro. E pediu aos eleitores de Clésio Salvaro (PSD), que disputa uma vaga à Alesc, e do deputado Júlio Garcia (PSD), que é candidato à Câmara Federal, que apoiem o Zero Um.
Força
Entre as três principais candidaturas ao Governo do Estado, quem mais se beneficiou com o apoio nacional foi Gelson Merisio (PSB), que tem como padrinho de sua candidatura o presidente Lula (PT). Como ainda está se construindo como uma liderança da esquerda, Merisio foi impulsionado pelo presidente, tanto que apresentou um crescimento considerável nas pesquisas. João Rodrigues (PSD) não teve nenhum benefício com Ronaldo Caiado (PSD). Outro que não precisou da influência nacional foi o governador Jorginho Mello (PL). Mesmo com Flávio Bolsonaro (PL) apresentando bom desempenho nas pesquisas, em uma disputa acirrada com Lula, Jorginho manteve o mesmo desempenho que havia construído desde o início das pesquisas, que hoje apontam para uma reeleição em primeiro turno.
Seguem os ataques

A senadora Tereza Cristina (Progressistas-MS), ex-ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro, gravou um vídeo de apoio à reeleição do senador Esperidião Amin (Progressistas). Na postagem, ela chama o catarinense de “querido amigo”, destaca a sua atuação no Congresso e defende mais um mandato para Amin. Tereza, que foi chamada por Flávio Bolsonaro (PL) de vice dos sonhos, é apoiadora do Zero Um, mas nem assim escapou de críticas articuladas por Carlos Bolsonaro (PL). O influenciador bolsonarista Ed Raposo, candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, foi às redes sociais criticar Tereza e afirmar que os candidatos ao Senado defendidos por Flávio são Carlos e Carol de Toni (PL).
Quem é Raposo

Ednardo Raposo, conhecido como Ed, é neto do general Ednardo D’Ávila Mello, que comandava, no período da ditadura, as instalações onde morreram o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manoel Fiel Filho, que era militante do PCdoB. Logo após as mortes, e sob pressão, o então presidente Ernesto Geisel exonerou D’Ávila do cargo. Nos bastidores, o movimento do influenciador carioca foi visto como uma ação coordenada por Carlos Bolsonaro (PL) contra Esperidião Amin (Progressistas), devido a relação do Zero Dois com Ed.
Denúncia de ataque

O candidato ao Senado Décio Lima (PT) denunciou um ataque à casa de sua mãe. A idosa de 88 anos tem Alzheimer. Ela vive com um irmão de Décio, de 67 anos, e uma cuidadora. Segundo Lima, a casa foi atingida por uma pedra na noite de domingo (27), em Itajaí. Uma janela e parte da estrutura de madeira foram atingidas. O relato é de que câmeras teriam registrado uma pessoa descendo de um carro e atirando a pedra na residência. Para os familiares, a motivação pode ter sido a presença dos materiais de campanha de Décio e da deputada federal Ana Paula Lima (PT), que ficam no pátio da casa.
Dobradinha em Itapema

Um encontro realizado ontem, em Itapema, reuniu a ex-prefeita Nilza Simas (PL), candidata a deputada estadual, e o deputado federal Rafael Pezenti (MDB), que busca a reeleição. Eles estão fazendo uma dobradinha na região e contam com o apoio do prefeito Alexandre Xepa (PL). “Pezenti é um parceiro de Itapema. É alguém que a gente consegue procurar, apresentar as demandas e que trabalha para ajudar o município. Ter um deputado federal presente e comprometido faz diferença”, afirmou o prefeito. O movimento mobilizou um bom número de apoiadores de Nilza e Pezenti.
Presidência

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), prometeu a presidência da Câmara de Vereadores a Roberto Katumi (PSD), em troca do apoio do pessedista a Fábio Botelho (Podemos), que disputa uma vaga à Assembleia Legislativa. Resta saber como será construída essa presidência junto aos demais vereadores interessados no comando.










