Carta do Comércio 2026 aponta carga tributária como principal obstáculo ao setor em SC


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Redação Santa Catarina em Pauta

Levantamento ouviu 483 empresários do comércio, serviços e turismo em Santa Catarina / Ilustração IA

A carga tributária é apontada como o principal obstáculo ao crescimento do comércio de bens, serviços e turismo em Santa Catarina, segundo a Carta do Comércio 2026, elaborada pela Fecomércio SC com a participação de 483 empresários do setor terciário. O peso dos tributos recebeu nota 9,1 em uma escala de zero a dez, na qual a maior pontuação representa o cenário mais crítico. O resultado supera fatores que apareciam entre as principais dificuldades em 2022, como a inflação e o poder de compra da população.

No Índice de Dificuldade Empresarial (IDE), o macrotema Desenvolvimento Econômico permanece na primeira posição, com pontuação de 8,11. Em seguida aparecem Trabalho e Qualificação (7,56), Tecnologia e Digital (7,52), Empreendedorismo (7,17), Comércio Exterior (7), Desenvolvimento Regional e Sustentabilidade (6,85) e Segurança e Ilegalidade (6,85). Segundo o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, a preocupação com a tributação também está relacionada às incertezas sobre a implementação da reforma tributária, especialmente diante da falta de definições sobre as alíquotas dos impostos sobre valor agregado.

“O empresariado demonstra um sentimento de pressão causado por diversos fatores, como a alta tributação, o custo elevado do crédito, a instabilidade econômica e a insegurança jurídica. Discussões como a possível alteração da escala de trabalho 6×1 em período eleitoral, por exemplo, acabam prejudicando o ambiente de negócios, afetando decisões empresariais e impactando diretamente a geração de empregos e renda”, afirma Dagnoni.

Emprego e ambiente de negócios

Outro levantamento citado pela entidade aponta a redução de mais de 27 mil postos de trabalho em Santa Catarina no setor terciário. De acordo com a Fecomércio SC, a jornada 6×1 é predominante em mais de 90% dos estabelecimentos desse segmento. Dagnoni também menciona os efeitos do fim da chamada “taxa das blusinhas”, que ampliou a concorrência com marketplaces internacionais, atualmente submetidos, segundo a entidade, a uma carga tributária inferior à dos lojistas brasileiros.

O presidente da Fecomércio SC afirma ainda que parte significativa das demandas apresentadas pelos empresários depende de decisões em âmbito federal. “Santa Catarina apresenta um cenário mais favorável que a média nacional, mas os temas estruturais exigem ações diretas do Governo Federal”, pontua. Entre as prioridades apontadas pelos participantes para as políticas públicas, a educação aparece em primeiro lugar, com 26% das respostas, seguida por saúde, com 22,4%, e segurança pública, com 19,6%. Juntas, as três áreas representam 68% das indicações, enquanto infraestrutura e saneamento básico também são citados entre os temas relevantes.

Educação lidera prioridades em políticas públicas

Entre as áreas consideradas prioritárias pelos empresários, educação ocupa o primeiro lugar, com 26% das respostas, seguida por saúde (22,4%) e segurança pública (19,6%). Juntas, essas três áreas concentram 68% das indicações. Infraestrutura e saneamento básico também aparecem como demandas relevantes.

Turismo

Além da Carta do Comércio 2026, a Fecomércio SC participou da elaboração do documento Vai Turismo Santa Catarina, que reúne propostas e diretrizes para o setor no Estado, alinhadas ao programa nacional do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur), ligado à Confederação Nacional do Comércio (CNC). O material aborda temas como acessibilidade, criatividade, governança, inovação, marketing, mobilidade, segurança, sustentabilidade e tecnologia, com foco no fortalecimento da competitividade dos destinos turísticos catarinenses e na adequação aos padrões internacionais de Destinos Turísticos Inteligentes (DTI), em consonância com a Agenda 2030.

Infraestrutura e gestão dos destinos

Entre as propostas do documento estão o fortalecimento da articulação entre poder público e iniciativa privada, a atuação do Conselho Estadual de Turismo e das Instâncias de Governança Regional (IGRs), além da simplificação regulatória e da ampliação do acesso ao crédito. Na área de infraestrutura e logística, o plano prevê a expansão do turismo náutico, melhorias nos acessos regionais e investimentos em áreas de conservação e parques. Também estão previstas medidas para gestão de riscos e resposta a eventos climáticos extremos, além do uso de tecnologias como videomonitoramento inteligente e da ampliação dos serviços essenciais nos destinos turísticos.

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