
O governador Jorginho Mello (PL), após a reeleição, concedeu entrevista ao Santa Catarina em Pauta. Em uma rápida conversa, falou sobre o planejamento para os próximos quatro anos de sua gestão.
Marcelo Lula – O senhor teve quase 70% dos votos, ou seja, uma reeleição com um percentual expressivo de votos. Qual é a sua avaliação desse resultado?
Jorginho Mello – Uma avaliação muito positiva. Isso é fruto de trabalho. Isso não é sorte, não. Isso é trabalho. Eu tenho um governo de entrega e as pessoas entenderam isso. Um governo que tem credibilidade, um governo que tem entrega. Quem viaja por Santa Catarina sabe da recuperação das estradas estaduais; quem precisa de saúde sabe que a fila andou, da melhoria da qualidade do serviço dentro dos hospitais, que a segurança pública aumentou, os policiais na rua, que as escolas estão sendo reformadas, que a sala de aula tem ar-condicionado, que a gente deu uniforme para os alunos, coisa boa, de qualidade. Enfim, a gente deu material escolar. Isso tudo, isso tudo fez com que as pessoas entendessem e avaliassem as entregas. Não foi promessa, foi cumprir. A formação técnica gratuita, ensino médio, cinquenta mil jovens este ano se formam. Nós estamos com sessenta e oito mil estudantes fazendo universidade gratuita. Universidade, o governo paga universidade para pobre. Enfim, isso tudo as pessoas sentiram, sentiram o envio e viram que era coisa de verdade, que não era conversa mole, e o resultado foi para a urna. Eu fiquei muito feliz com isso, Marcelo.
Marcelo Lula – Governador, sobre o projeto Universidade Gratuita, há uma intenção de ampliá-lo? O que o senhor pensa para esse projeto olhando para os próximos quatro anos?
Jorginho Mello – É um projeto que começou em vinte e três, era um grande compromisso meu. Eu viabilizei ele e teve alguns ajustes no início. Hoje, ele é um projeto que já está devolvendo mão de obra qualificada para a sociedade. Por exemplo, hoje nós já temos oito mil alunos que se formaram e estão dando a contrapartida dentro do setor público, porque o estudante que é contemplado, que passa nos critérios rígidos de carência, nós pagamos cem por cento da universidade. Depois de formado, ele tem que trabalhar dois anos, quatro horas por semana, naquilo em que ele se formou, para devolver parte para o Estado daquilo que o Estado investiu na vida dele. Tem oito mil alunos que já estão virando médicos, engenheiros, advogados, professores, psicólogos, de todas as formações. Então, é um programa que se consolidou. Eu vou cuidar dele com muito carinho, porque a gente gasta um bilhão e duzentos por ano para oportunizar ao pobre estudar, aquele que nunca ia ter condições de pagar um curso superior, porque ele não passa na federal, porque ele não faz cursinho, porque ele não se prepara, porque ele tem que trabalhar. Ele não pode frequentar um reforço numa sala de aula, enfim. Então, é para essas pessoas que nós estamos dando a oportunidade na vida de dizer assim: “Eu vou fazer a faculdade do meu sonho para ser feliz, e dar condições melhores para minha família”. Então, é um programa consagrador. Ele vai ser mantido, como a gente revisou toda a educação: ensino fundamental, ensino médio técnico, ensino superior. Organizadíssimo. A professora Lu Ceretta está fazendo um trabalho de mudar a educação de Santa Catarina, animar os professores, dizer para eles que nós estamos falando a verdade, recuperando as condições salariais dos professores, com a descompactação da folha. Isso é uma realidade hoje que os professores estão sentindo, os alunos estão vendo. A sala de aula, com quatorze mil e cem salas de aula com ar-condicionado, isso tudo está transformando, enfim.
Marcelo Lula – Em relação à Saúde. Avaliando os primeiros quatro anos, o que é possível destacar?
Jorginho Mello – Nós temos hoje setenta obras de hospitais. Setenta. Algumas nós vamos entregar ainda este ano, as outras no ano que vem. Construindo torre em Mafra, doze andares; construindo torre em Blumenau, de mais dez andares; assumimos o hospital de Balneário Camboriú, que não funcionava, agora está funcionando; o hospital de Gaspar, que não funcionava, agora está funcionando; fizemos um hospital novo em Itapema; estamos fazendo, na quinta laje já, um hospital regional em Palhoça. Enfim, é uma transformação da saúde. Em Chapecó, o Hospital Regional, que antes não funcionava, agora está funcionando. Enfim, em Xanxerê, uma nova torre; em Maravilha, uma nova torre no Hospital São José. Então, é uma transformação em Santa Catarina e a população enxergou isso, viu isso, e é por isso que deu esse número grandioso de votos.
Marcelo Lula – Eu tenho ouvido muito de pessoas ligadas ao seu governo que a máxima do governo é de ser transformador e estruturante. Esse é o rumo que o senhor estabeleceu?
Jorginho Mello – Não tenha dúvida. As obras estruturantes de Santa Catarina nós estamos fazendo. A Via Mar, por exemplo, não se rasga uma estrada com essa envergadura há 50 anos em Santa Catarina. Então, eu vou me dedicar de corpo e alma. Nós já estamos na segunda fase do processo licitatório. A gente tem o projeto, foi aberto o processo licitatório, três consórcios estão participando. Agora está na fase de habilitação para depois abrir a parte comercial e nós vamos começar a fazer o primeiro trecho de vinte e cinco quilômetros. E os outros quatro trechos, que somam cento e quarenta e cinco quilômetros, vão estar sendo construídos através de uma PPP. Em pouco tempo, a gente vai saber quem é que venceu para ter a concessão dessa PPP, porque é uma obra de R$ 8 bilhões. R$ 2 bi nós estamos fazendo por nossa conta, com a economia que nós fizemos no governo, e mais R$ 6 bilhões que, quem vencer, o consórcio que vencer, vai ter que gastar, meter a mão no bolso, fazer e construir essa obra. Então, eu não tenho dúvida de que essa obra vai ser uma transformação para a BR-101, naquela área que está sucateada, está colapsada ali de Itajaí até Navegantes. Aquilo virou um problema. Itapema virou um caos, porque não tem dia, não tem hora, não tem se é feriado, se não é feriado. É um caos, não anda mais. E o Governo Federal não toma providência, que tem que fazer a terceira faixa, que tem que acertar o contrato com a Arteris para saber quais os investimentos que têm que ser feitos ao longo dela, porque está parado. Iriam transferir para outra concessionária, que era a Motiva, lá do Sul, não transferiram, né? Então, não renovaram o contrato, eles têm que apurar com isso. Eles têm que apressar, eles têm que apressar.
Marcelo Lula – O senhor também anunciou a Oeste Mar. Por onde passará essa rodovia, que é uma das principais pautas do Oeste?
Jorginho Mello – Vamos conversar com seriedade e ver a duplicação da BR-282. Nós vamos começar a fazer um projeto com um novo traçado que a gente está batizando de Oeste Mar. Nós vamos iniciar um projeto ligando de São Miguel do Oeste, de Dionísio Cerqueira, até os portos, que é a duplicação da 282. Já que ela não sai, nós vamos fazer um novo traçado e esperançosos de que o Flávio [Bolsonaro] ganhe a eleição, porque daí sai a duplicação da 282. É uma estrada necessária, é importante, fundamental para Santa Catarina, para o Oeste, para o Extremo-Oeste de Santa Catarina. Vamos começar a lutar por ele, porque não é possível ficar do jeito que está.
Marcelo Lula – Quando se fala em infraestrutura, os portos fazem parte disso porque é um setor interessado diretamente. A BR-280 é um problema para os caminhões que vão até o porto.
Jorginho Mello – A 280 nós estamos duplicando dois quilômetros lá no Porto de São Francisco, porque não dá mais para transitar os caminhões ali. É uma obra federal. A BR-280 nós estamos fazendo com o dinheiro do porto. E agora os nossos portos, todos eles, são superavitários. Porto não dá mais prejuízo como dava no passado. Enfim, então nós temos condições de fazer o porto, com um calado com 16 metros já na Baía da Babitonga, feito pela iniciativa privada, entrando navio de 366 metros, os Panamá. Quer dizer, isso é uma nova realidade, é uma nova estrutura, infraestrutura portuária que nós estamos preparando e já está consolidada em Santa Catarina. Quem tinha que fazer isso era o Governo Federal. Nós estamos fazendo com o dinheiro do Porto de São Francisco, porque ele tem dinheirinho em caixa, fruto de economia, de trabalho profissional. Então, quando eu falo, Marcelo, que eu quero preparar Santa Catarina para os próximos 30 anos, é pensar em obras estruturantes. Temos o Energia Boa, o nosso projeto que nós estamos fazendo. Já fizemos mais de mil quilômetros de energia trifásica, vamos começar a fazer mais mil agora. As DSC estão recuperadas, vamos cuidar da manutenção, cuidar de fato para não deixar sucatear como deixaram no passado e ir atrás das rodovias federais, que isso é fundamental. Santa Catarina não pode ser prejudicada e ser estagnada por falta dessas rodovias. O Governo Federal é que tem que nos oferecer isso, tem que ser parceiro para fazer isso. Então, é isso que nós vamos buscar.
Marcelo Lula – A reforma tributária preocupa o senhor? O senhor teme que, com o tempo, possa, de alguma forma, afetar a arrecadação?
Jorginho Mello – Tem uma trava que garante que nenhum estado vai ser prejudicado com a sua arrecadação histórica. Mas sabe como é que é: coisa nova, sempre que vai fazendo ajuste, pode nos prejudicar, sim, porque nós somos um estado altamente produtor e o maior ganho vai ser para o estado consumidor. Então, essa é a preocupação: aumentar a tributação de serviço. Nós somos um estado de tecnologia, hoje 8% do nosso PIB já é de tecnologia. Então, tudo isso nós estamos antenados e preocupados. A gente conversou com o Flávio [Bolsonaro]. Ele sendo presidente, ele vai suspender a vigência da reforma por mais um ano para poder ser revisitado todas essas condições, para que essa reforma seja duradoura, ela venha para facilitar a vida de quem paga tributo no Brasil. Hoje, pagar tributo no Brasil, Marcelo, é muito difícil. É um emaranhado. É, a cada 27 dias, uma alteração tributária, uma norma, uma regra, uma portaria, uma resolução, uma lei. E isso é uma vergonha. Pagar tributo no Brasil é um sacrifício, além da carga tributária estar beirando os 40%, e é muito difícil. Então, essa responsabilidade a gente precisa ter, e a esperança de que a gente vença as eleições é para poder fazer essas alterações e Santa Catarina poder se aproximar da possibilidade real de fazer as obras que nós estamos esperando há muitos anos.
Marcelo Lula – O senhor deve fazer uma reforma administrativa agora para a próxima gestão? Inclusive, o senhor já anunciou que a vice-governadora Marilisa Boehm vai ser sua secretária de Segurança Pública. Alguns secretários o senhor não deve mudar, que são secretários de destaque do seu governo, mas algumas mudanças terão. O senhor já pode adiantar algumas secretarias que terão mudanças de secretário? E o senhor já tem uma ideia dos nomes?
Jorginho Mello – Em princípio, é essa secretaria que a gente vai… Eu vou recolocar ela. E mesmo o nosso coronel Graff [Flávio] fazendo um grande trabalho que ele faz na área de segurança, mas eu tenho um carinho especial pela vice-governadora, pelo trabalho que ela fez junto comigo. Ela é delegada aposentada, ela é uma mulher experiente para a gente atacar muito nessa questão do feminicídio e da proteção da mulher. Então, uma secretária mulher de Segurança Pública, eu acho que a gente vai de encontro a essa violência que ocorre todo santo dia, esses números que envergonham Santa Catarina. Então, em princípio, é essa e mais algum ajuste que eu vou fazer na Secretaria de Turismo. Eu vou acrescentar mais “Eventos”, para Santa Catarina poder também pensar e sonhar em grandes eventos, não só o Rio de Janeiro. Eventos culturais, eventos esportivos, eventos musicais e por aí afora. Enfim, então, em princípio, são essas alterações. Mas não vou criar secretaria nova e não vou extinguir nenhuma, porque a máquina está do tamanho necessário, que, desde que nós criamos o governo, a gente formatou de uma forma que tenha eficiência, eficácia e seja um número razoável que possa atender todas as demandas.
Marcelo Lula – Os deputados que não se reelegeram. Eles podem ser aproveitados no governo?
Jorginho Mello – Eu não tenho compromisso. Eu não loteei governo nenhum para nada, cargos, funções, nada, nada, nada. A gente está fazendo um processo muito transparente, muito tranquilo, e o nosso colegiado é um colegiado de muita qualidade. Claro que não tem nenhum secretário e nenhum presidente de empresa vitalício. Ah, se não desempenhar, a gente pode fazer a substituição de forma respeitosa. Não tenha dúvida disso. Mas, a princípio, não tem. Eu não tenho grandes mudanças e transformações. Vão fazendo alguns ajustes, mas pequenos ajustes, para que a secretaria siga entregando e desempenhando à altura.
Marcelo Lula – O que o senhor pensa para a Casan e a Celesc?
Jorginho Mello – Continuar trabalhando. A Celesc fazendo energia trifásica, melhorando a matriz energética de Santa Catarina, se preparando para o Mercado Livre para ser competitiva, e a nossa Casan também criando musculatura, com credibilidade, para ter condições de fazer financiamentos internacionais, para apoiar os prefeitos a avançar no saneamento básico, que isso é fundamental para que a gente possa ir ao encontro do marco regulatório que vem em 2033, entende? A Casan deu lucro pela primeira vez, está revitalizada, está recuperada para poder fazer em parceria com os prefeitos. Eu sou municipalista por convicção. O esgoto está lá em cada município. É os prefeitos que nós vamos apoiar. Nós estamos com 36% de todo o estado, é muito pouco. Vamos atuar firme e forte, apoiando os prefeitos para melhorar e, lá na frente, atrair a iniciativa privada para fazer parceria público-privada, mas sob o comando da Casan. A Casan vai ser a timoneira. A Casan e a Celesc vão puxar, vão ser os grandes animadores de todo esse processo de transformação, Marcelo.






