O perigo de informações incompletas. Acusação sem identificar os suspeitos compromete quem trabalha sério


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Luiz Veríssimo

Foto: Divulgação / Prédio Connect Office em Blumenau teve busca e apreensão

O colunista recebeu pelo menos sete mensagens e três ligações em menos de cinco horas sobre a participação da Prefeitura de Joinville e da Câmara de Vereadores na operação da 3ª Delegacia de Combate à Corrupção de Joinville que investiga possível infiltração e atuação de pessoas ligadas a um grupo empresarial nas comissões de julgamento de licitações de agências de publicidade. As acusações são graves: fraude à competitividade nas licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, além de possíveis vantagens ilícitas de servidores públicos da área. Como a informação incompleta se limitava a revelar que foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em seis cidades, incluindo Joinville (sede da delegacia que comanda o inquérito), muitos passaram a suspeitar que a Prefeitura e a Câmara de Vereadores estariam no epicentro das investigações. Não estão, mas a dúvida provocada por informações incompletas  é imensamente prejudicial à imagem dos principais órgãos públicos municipais. Aliás, eles deveriam divulgar nota de esclarecimento sobre o assunto.

Licitação sem suspeita

A experiência e o conhecimento das pessoas que trabalham no processo licitatório de agências de publicidade me estimulam a afirmar que, tanto na Câmara de Vereadores como na Prefeitura de Joinville, não há investigação. Aliás, a última agência de publicidade da Câmara de Vereadores de Joinville ganhou a licitação porque cumpriu todas as exigências do edital, mesmo tendo sua sede em Porto Alegre. É claro que seria muito melhor contemplar uma agência com sede em Joinville.

Mandados de busca e apreensão.

O inquérito corre sob sigilo enquanto os peritos analisam os documentos e outros materiais apreendidos. Não seria recomendável a 3ª Delegacia de Combate à Corrupção, que tem atuação regional, só divulgar as informações completas (nomes, locais e valores) quando o inquérito estiver concluído? Com as informações incompletas, é importante reiterar que os principais órgãos públicos de Joinville ficaram sob suspeitas, assim como os de Florianópolis, Blumenau, São Francisco do Sul, Imbituba e Urubici.