
Nas últimas décadas, a influenza permanece como uma das principais causas de infecções respiratórias agudas no mundo, com impacto significativo na morbimortalidade, especialmente em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com comorbidades. Recentemente, foi identificada uma nova variante do vírus Influenza, denominada variante K, que tem despertado atenção das autoridades sanitárias devido ao aumento da transmissibilidade e ao potencial de surtos sazonais mais intensos.
O vírus influenza é um vírus RNA, com alta capacidade de mutação, o que favorece o surgimento de novas variantes ao longo do tempo. A variante K apresenta alterações genéticas que podem facilitar a disseminação viral, embora, até o momento, não haja evidências conclusivas de maior gravidade clínica quando comparada às cepas já conhecidas.
A influenza é uma doença respiratória aguda, de início súbito, que pode variar desde quadros leves até formas graves, com necessidade de hospitalização e risco de óbito. A maioria dos casos evolui de forma benigna, porém complicações podem ocorrer, principalmente em grupos de risco.
A doença pode ser dividida em fases clínicas:
Fase inicial
Os sintomas costumam surgir de forma abrupta, geralmente entre 1 e 4 dias após a exposição ao vírus. Caracteriza-se por:
- Febre alta (geralmente > 38 °C);
- Calafrios;
- Cefaleia;
- Dor muscular e articular intensa;
- Mal-estar geral;
- Tosse seca;
- Dor de garganta;
- Coriza.
Em crianças, podem ocorrer também náuseas, vômitos e diarreia. Em grande parte dos pacientes, essa fase dura de 3 a 5 dias.
Fase de agravamento
Pode ocorrer em uma parcela dos pacientes, especialmente nos grupos de risco. Deve-se atentar para sinais de piora clínica, que geralmente surgem após os primeiros dias da doença.
Sinais de alerta:
- Dispneia ou dificuldade respiratória;
- Dor torácica;
- Saturação de oxigênio reduzida;
- Prostração importante;
- Confusão mental;
- Febre persistente ou recorrente;
- Piora da tosse, com expectoração purulenta;
- Sinais de desidratação.
Esses achados podem indicar complicações como pneumonia viral ou bacteriana associada.
Fase de recuperação
Na maioria dos casos, ocorre melhora progressiva dos sintomas ao longo de 7 a 10 dias. A tosse e o cansaço podem persistir por semanas, mesmo após a resolução da febre. A recuperação costuma ser completa em pacientes sem comorbidades.
Diagnóstico
O diagnóstico da influenza é, na maioria das vezes, clínico, especialmente durante períodos de circulação viral conhecida. Testes laboratoriais podem ser utilizados em casos selecionados:
- Testes rápidos para influenza;
- RT-PCR para identificação do subtipo viral;
- Exames complementares conforme gravidade do quadro.
O diagnóstico laboratorial é mais importante em pacientes hospitalizados, imunossuprimidos ou com risco de complicações.
Tratamento
O tratamento da influenza é, em sua maioria, suporte clínico, incluindo:
- Hidratação adequada;
- Repouso;
- Analgésicos e antitérmicos (evitar AAS em crianças).
Antivirais específicos, como o oseltamivir, estão indicados principalmente para pacientes com fatores de risco, quadros moderados a graves ou quando iniciados precocemente (preferencialmente nas primeiras 48 horas de sintomas).
Não é recomendado o uso de antibióticos, exceto quando houver suspeita de infecção bacteriana secundária.
Prevenção
A principal forma de prevenção é a vacinação anual contra influenza, que é atualizada periodicamente para incluir as cepas em circulação, podendo oferecer proteção também contra variantes emergentes, como a variante K.
Outras medidas preventivas incluem:
- Higienização frequente das mãos;
- Uso de máscara em caso de sintomas respiratórios;
- Etiqueta respiratória (cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar);
- Evitar ambientes fechados e aglomerações durante surtos;
- Isolamento domiciliar de casos sintomáticos.
A vigilância epidemiológica contínua é essencial para monitorar o comportamento da nova variante e orientar estratégias de saúde pública.
Dr. Tcharly Junior Lazaretti
Médico
CRM-SC 36091


