
Em 1990, logo antes da data final para renúncia dos ocupantes de cargos públicos que pretendessem disputar a eleição para algum outro mandato, o pensamento dominante em Blumenau era de que a ruptura do mandado do Prefeito Vilson Kleinubing para disputar qualquer posição que não a de Presidente da República ou Governador do Estado, poderia ser considerada uma traição ao povo de Blumenau.
Muito provavelmente, candidatos de outros partidos fariam a exumação das antigas acusações de que Vilson, se eleito para a Prefeitura em 1988, faria de Blumenau um trampolim para se candidatar a Governador.
Mesmo com as evidências de que sua promessa deixou de ser honrada com o apoio de grande maioria da população, o antigo JSC exibiu, já em 1990 e com a candidatura de Vilson confirmada, uma engenhosa charge de Kiko Novaes que mostrava VK se jogando de um trampolim afixado à torre da então Igreja Matriz.

Os possíveis efeitos colaterais no caso de um erro de avaliação.
Caso fracassassem as negociações que ocorriam entre Esperidião Amin e Vilson Kleinubing, pré-candidatos da “União por Santa Catarina”, provável coligação entre PDS e PFL, seria grande o prejuízo para os dois partidos. Ficando Kleinubing na Prefeitura, a candidatura, no seu todo, ficaria capenga, pondo em risco uma eleição que, com os dois unidos numa mesma chapa, já largaria na condição de favorita.
O Presidente do PDS de Blumenau, Arno Garbe, estampou em nota da imprensa o estado de espírito vigente na ocasião.
O destino de Vilson.

Particularmente para Kleinubing, o ingresso das negociações em algum beco sem saída, e um equivocado entendimento quanto à definição do cargo a ser disputado, poderia provocar danos irreparáveis.
Na hipótese de que ele não fosse confirmado para a posição mais alta da chapa após sua renúncia ao cargo de Prefeito e acabasse disputando vaga para o Senado, seria provável um significativo encolhimento da sua votação em Blumenau e no Estado, contaminando a chapa toda. Não tinha jeito: ou bem Vilson tinha a garantia do apoio dos dois principais partidos da coligação que se bucava – PDS e PFL para a candidatura ao Governo – ou ele ficaria ocupando o posto de Prefeito até 1994.
As conversas entre os partidos e entre os dois concorrentes.


Por essas circunstâncias, as reuniões entre representantes dos dois partidos se tornaram frequentes e, nos dias finais da decisão, já praticamente ininterruptas. E o mais importante: os dois prefeitos, Kleinubing e Amin, em particular, examinavam todas as implicações das possíveis escolhas. Usavam da sua proximidade política e, sobretudo, de sua amizade pessoal, para encontrarem um caminho que fosse aceitável para ambos.
Conta a lenda que, ao final, o acordo foi fechado em uma pescaria, a dois, sem testemunhas.
A fórmula menos dolorosa para ambos.

Como enfatizei na coluna anterior, era politicamente inviável para o então Prefeito de Blumenau abandonar o cargo, apenas 15 meses após ter assumido, para concorrer a qualquer cargo que não fosse o Governo do Estado. Vilson teve sua promessa de não renunciar ao cargo de Prefeito liberada pelo povo da sua cidade com uma condição: só valia para uma candidatura ao Governo.
A cidade entendia que só ali Vilson poderia ajudar Blumenau ainda mais do que faria na Prefeitura. Descumprir seu compromisso para buscar outro cargo seria uma desonra imperdoável.
A situação de Esperidião Amin era semelhante, mas, sua eventual renúncia não teria o impacto e as consequências desastrosas como as que recairiam sobre Vilson.
O entrave foi resolvido graças ao reconhecimento de Esperidião de que sua renúncia lhe doeria menos do que a que sofreria Vilson.
Próxima coluna.

A renúncia, novo Prefeito, expectativas.




