
Os gestores municipais precisam buscar novas experiências em cidades que adotam programas inovadores. Ao redor do mundo e no Brasil, há boas iniciativas que podem ser adotadas nas cidades brasileiras, pois são dotadas de potencial para ajudar na melhoria dos centros urbanos. Muitas ideias simples já aplicadas em cidades espalhadas pelo mundo não dependem de fortunas financeiras para serem executadas. São simples e exequíveis, podendo causar impactos relevantes.
Em Nova Iorque, por exemplo, em uma comunidade vulnerável, os espaços das escolas públicas foram transformados em áreas verdes, abrindo a possibilidade de os moradores do bairro acessarem esses locais durante os feriados e finais de semana. As áreas escolares passaram a atuar na redução de gás carbônico, além de serem espaços adequados para as pessoas desfrutarem da natureza.
Em Barranquilla, na Colômbia, os gestores ouviram a população dos bairros. A partir disso, criaram um programa impactante, cujo objetivo foi melhorar a infraestrutura dos parques. Antes, esses espaços estavam abandonados e eram utilizados para o consumo de drogas e para a prática de crimes, como furtos e roubos. Depois, esses espaços públicos foram reestruturados com a colocação de plantas verdes, espaços para a prática de esportes e locais para o encontro de idosos, crianças e famílias.
Em Curitiba, há outra experiência inovadora: as hortas coletivas e os jardins de mel. A cidade foi transformada em uma rede de hortas coletivas, onde as pessoas plantam, se conectam e criam produtos orgânicos para o consumo. Pelos parques, estão espalhadas abelhas não ofensivas (sem ferrão), que produzem mel e são atrativos para as crianças e para os visitantes.
Em Oslo, na Noruega, a cidade fez um pacto com a sustentabilidade ambiental, e os carros elétricos invadiram as ruas. Para tanto, são oferecidos incentivos, como a redução de impostos, a isenção de pedágios e a permissão de acesso a vias exclusivas de ônibus. Há uma revolução em curso na cidade, cujo impacto ambiental é enorme.
Na China, a cidade de Shenzhen também fez uma revolução. Hoje, os ônibus que circulam pela cidade são todos elétricos. Houve um acordo para a retirada de veículos a combustão, deixando-a livre deles. É menos poluição e mais sustentabilidade ambiental. Mas isso exigiu incentivo econômico para a substituição, além de investimento na infraestrutura.
Na Espanha, a cidade de Barcelona também inova. Lá, foram criadas as superquadras: as ruas são fechadas para que as pessoas possam se movimentar, caminhar e praticar esportes. Dá-se um tempo dos carros e abre-se espaço para as pessoas. Estas passam a ser o foco decisivo da cidade.
Essas experiências demonstram que as grandes transformações urbanas não dependem de projetos onerosos, que exigem investimentos bilionários, mas sim da escuta ativa da população e de um compromisso firme com a sustentabilidade e a inovação. Seja abrindo pátios escolares em Nova Iorque, devolvendo as ruas aos pedestres em Barcelona ou espalhando jardins de mel por Curitiba, o segredo do sucesso dessas iniciativas está no impacto direto no bem-estar comunitário.
Para os gestores municipais do Brasil, esses casos de sucesso podem servir como um valioso catálogo de possibilidades reais. Adaptar essas boas ideias à realidade local é o caminho ideal para construir cidades mais humanas, verdes, seguras e preparadas para o futuro.

