Exclusivo: SEJURI instaura PAD para investigar Rodrigo Barroso por supostas irregularidades à frente do Presídio Regional de Caçador


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Jean Carlo Lima

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De acordo com a Portaria nº 1343/GABSA/SEJURI/2026, publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta-feira (2), a Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (SEJURI) instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar supostas irregularidades atribuídas ao policial penal Rodrigo Barroso. Os fatos investigados não dizem respeito à sua passagem pelo Presídio Regional de Lages, mas ao período em que exerceu a direção do Presídio Regional de Caçador.

A decisão de instaurar o processo disciplinar foi fundamentada no relatório da Sindicância Investigativa nº 037/2023/COGER/SEJURI, instaurada em 2023. Isso significa que a própria secretaria já apurava a conduta do servidor havia cerca de três anos antes da abertura do PAD.

Segundo a portaria, Rodrigo Barroso será investigado por, em tese, deixar de observar disposições previstas no Estatuto da Polícia Penal de Santa Catarina, utilizar-se da função para obter vantagens indevidas, causar suposto prejuízo aos cofres públicos e receber diárias de forma irregular.

Conforme o documento, a conduta poderá caracterizar infração aos artigos 68, 78, inciso XVI, e 79, incisos I e III, da Lei Complementar nº 774/2021, que institui o Estatuto da Polícia Penal de Santa Catarina.

A comissão responsável pelo processo será presidida pelo policial penal Felipe Martins da Silva e contará ainda com os servidores Mateus Frigotto Oliveira e Beatriz Maier Silva. O grupo terá dez dias para instalar os trabalhos e prazo inicial de 60 dias para concluir a apuração, prorrogável por igual período.

Caso não é isolado

As suspeitas envolvendo o pagamento irregular de diárias na Polícia Penal não representam um episódio isolado em Santa Catarina.

Em agosto de 2023, o Ministério Público de Santa Catarina arquivou uma investigação que tramitava havia 14 anos sobre um suposto esquema de pagamento irregular de diárias envolvendo agentes prisionais do Complexo Penitenciário de São Pedro de Alcântara.

Na ocasião, dos 89 servidores investigados, 22 devolveram aos cofres públicos os valores considerados recebidos de forma irregular. O arquivamento ocorreu após o entendimento de que não havia elementos suficientes para responsabilização criminal dos demais envolvidos.

A instauração do novo processo disciplinar demonstra que suspeitas relacionadas ao pagamento irregular de diárias continuam sendo objeto de apuração no âmbito da Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social.

Operação Carne Fraca

Rodrigo Barroso também figura entre os investigados da Operação Carne Fraca, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), em Lages.

A investigação apura um suposto esquema de corrupção no sistema prisional catarinense, envolvendo a concessão de benefícios irregulares a detentos em troca de vantagens indevidas, entre elas o fornecimento de carnes nobres.

Durante a operação, Rodrigo Barroso chegou a ser preso preventivamente. Atualmente, responde ao processo em liberdade.