Com custo de R$ 10 milhões, Carmen Zanotto cria secretaria para acomodar o Partido Novo


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Jean Carlo Lima

Para se adonar do laranjinha, a prefeita de Lages encaminhou à Câmara o Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 013/2026, que, entre outras medidas, criou a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A reestruturação administrativa, segundo o estudo de impacto financeiro que acompanha a proposta, custará mais de R$ 10 milhões aos cofres públicos.

Imagem: I.A.

O Partido Novo é uma sigla de pouca expressão política em Lages e na Serra Catarinense, sem representação eletiva na região. Durante as eleições municipais, o partido já teria sido oferecido como opção de apoio à então candidata Carmen Zanotto por um conhecido proprietário de emissora de rádio, que, à época, era filiado à legenda, em uma articulação que, ironicamente, obedeceu à velha lógica do “toma lá, dá cá”.

A proposta, no entanto, não foi bem recebida pela maioria dos integrantes do partido, que optaram por indicar o candidato a vice na chapa de Lio Marin, do União Brasil. Após não ver sua posição prevalecer internamente, o radialista decidiu se desfiliar do Novo.

Para as eleições de 2026, o governador Jorginho Mello surpreendeu o meio político ao desfazer, de forma unilateral, o acordo que mantinha com o MDB e anunciar Adriano Silva como pré-candidato a vice em sua chapa. Na articulação, que dividiu opiniões entre aliados, o ex-prefeito de Joinville bateu o martelo e, com pouco poder de barganha, não teve outra alternativa senão entregar o partido de porteira fechada, reduzindo-o, ao menos inicialmente, a uma sigla de apoio.

Para não perder tempo, Carmen Zanotto aproveitou o novo cenário político e tragou para si o até então casto Partido Novo, acomodando-o na estrutura municipal por meio do “puxadinho” da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. O secretário escolhido para a pasta foi indicado pela própria prefeita. Nunca pertenceu ao Novo; filiou-se à legenda às vésperas da nomeação. O movimento reforça a percepção de que a sigla ficará pelos cantos, sendo acionada conforme a conveniência política.

Para além de o Novo ter se integrado às estruturas de poder no Estado e em diversos municípios, a questão que fica para os lageanos é o não cumprimento de uma promessa-chave de campanha de Carmen Zanotto: reduzir os custos da máquina pública para ampliar os investimentos e melhorar os serviços prestados à população. O que se vê, no entanto, é justamente o contrário: uma prefeitura que bate sucessivos recordes de gastos com a folha de pagamento, enquanto serviços essenciais continuam aquém do esperado.