
A interdição total da Ponte Anita Garibaldi, na BR-101, em Laguna, pode ter origem em um problema estrutural identificado ainda em 2022. A informação consta em documentos obtidos pelo gabinete do deputado estadual Mário Motta (PSD) junto à concessionária Via Costeira e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Segundo os documentos, durante uma vistoria de rotina realizada em outubro de 2022, a concessionária identificou falhas estruturais no pilar 35 da ponte, incluindo aberturas entre aduelas e o rompimento completo de quatro barras de ligação da laje inferior. À época, a Via Costeira informou ao DNIT e à ANTT que havia risco de colapso da estrutura e apontou como causa provável um vício oculto na construção da obra.
Como medida emergencial, o tráfego foi restringido a uma faixa no sentido norte, enquanto veículos pesados passaram a utilizar a Ponte das Laranjeiras, conhecida como Ponte da Cabeçuda. Em seguida, foram instalados cabos adicionais de protensão para reforçar a estrutura e o tráfego foi normalizado.
Os documentos mostram ainda que, após o reforço, a concessionária deu continuidade às análises estruturais da ponte e solicitou ao DNIT documentos técnicos da fase de construção, como diários de obra e registros dos cabos estaiados, para subsidiar a investigação.
Em julho deste ano, uma nova inspeção identificou uma abertura entre aduelas em outro ponto da ponte, no mastro 36. Dias depois, um relatório técnico confirmou o rompimento de cabos de protensão justamente na região do mastro 35, reforçada em 2022, concluindo que a capacidade resistente da estrutura não atendia integralmente às margens de segurança previstas em norma.
Com base na recomendação de consultoria especializada, a concessionária determinou a interdição total da ponte em 9 de julho e iniciou obras emergenciais, com previsão inicial de dez dias para a liberação parcial do tráfego, enquanto prosseguem as investigações sobre a causa definitiva do problema.

Diante da sequência de ocorrências, o deputado Mário Motta afirmou que pretende cobrar explicações sobre as medidas adotadas desde o primeiro alerta, em 2022, e sobre a ausência de parte da documentação técnica da construção da ponte, considerada essencial para esclarecer as causas das falhas estruturais.
“O ponto mais grave é que o catarinense só ficou sabendo da situação quando a ponte já estava fechada. Alguém precisa explicar: o que foi feito desde 2022? Não podemos admitir que uma obra de quase 800 milhões de reais já tenha dado graves problemas tão cedo. É inconcebível que uma rodovia vital para o desenvolvimento do estado seja tratada com tanto descaso”, diz Motta.
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