
A cirurgia robótica transforma o padrão dos procedimentos na urologia, especialmente no tratamento de tumores de próstata e rim. A tecnologia, que se difundiu mundialmente a partir dos anos 2000, vem se consolidando no Brasil, impulsionada pelos avanços clínicos e pela ampliação da cobertura dos planos de saúde.
Na prática, o método conta com visão tridimensional e instrumentos com maior amplitude de movimento, aumentando a precisão em regiões de difícil acesso. “A robótica representa um dos principais avanços na urologia, especialmente na área oncológica, porque permite realizar procedimentos com mais precisão em regiões de difícil acesso”, afirma o urologista Fábio Rodrigo Borges.
O procedimento é realizado por meio de um console, onde o cirurgião controla instrumentos acoplados ao paciente utilizando imagens em alta definição e visão tridimensional. Os instrumentos reproduzem os movimentos das mãos com rotação ampliada, alcançando ângulos que superam as limitações humanas, o que minimiza o trauma aos tecidos e reduz o tempo de recuperação.
Embora os resultados relacionados ao controle do câncer sejam semelhantes entre as técnicas disponíveis, a principal diferença aparece no pós-operatório. Em cirurgias abertas de próstata, as taxas de incontinência urinária e disfunção erétil podem chegar a cerca de 20%. Com a robótica, há diminuição significativa dessas complicações, associada à preservação dos feixes nervosos. O grande diferencial está na qualidade de vida após o procedimento, com menor incidência de sequelas e recuperação mais rápida.
No Brasil, a expansão da tecnologia ainda enfrenta desafios relacionados ao custo e à distribuição dos equipamentos. Santa Catarina, no entanto, apresenta avanços na área, com centros estruturados em Florianópolis e perspectiva de expansão para outras regiões, incluindo o Sul do estado.
A inclusão da técnica no rol de procedimentos obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) representa um novo marco regulatório e pressiona a adesão dos planos de saúde, ampliando o acesso à tecnologia. Ainda existe, porém, uma percepção equivocada sobre o funcionamento do método. “Isso é um mito. Todos os movimentos são controlados pelo cirurgião em tempo real”, explica Dr. Fabio sobre a ideia de que o robô operaria de forma autônoma.
Fabio Rodrigo Borges CRM/SC 25280
Médico Urologista – Especialista em Urologia Clínica Geral e Oncológica
Diretor Técnico Hospital Dia Maria Schmitt


