
Por: Leatrice Bez
Santa Catarina é reconhecida por sua força produtiva e pelo dinamismo econômico. No entanto, ao olharmos para os dados demográficos das últimas duas décadas, um alerta surge: 68 cidades catarinenses viram sua população encolher desde o ano 2000. Esse não é apenas um número em um gráfico; é a tradução de um desequilíbrio estrutural que afeta a vida de milhares de famílias e pressiona, de forma exaustiva, a infraestrutura das nossas maiores metrópoles.
A falta de representatividade política e, principalmente, a escassez de investimentos estratégicos em polos regionais impulsionam o êxodo rural e a migração em massa. Enquanto sete cidades catarinenses cresceram mais de 100 mil habitantes cada, outras dezenas observam seus jovens partirem em busca de oportunidades que não encontram em casa. Esse movimento gera um inchaço urbano que traz consigo desafios complexos de mobilidade, saneamento e oferta de serviços públicos básicos.
A pergunta que devemos fazer, enquanto sociedade e agentes públicos, é: qual o modelo de desenvolvimento que estamos construindo? O crescimento de Santa Catarina não pode ser um privilégio de poucas regiões. Precisamos urgentemente repensar a ocupação do nosso território. O desenvolvimento regional pleno significa descentralizar as oportunidades, fortalecer as vocações de cada microrregião e criar condições para que o interior catarinense prospere com a mesma intensidade que o litoral.
As cidades precisam ser planejadas para oferecer qualidade de vida, garantindo que o desenvolvimento seja sinônimo de bem-estar para todos, e não apenas uma concentração populacional em áreas já saturadas. Precisamos de políticas públicas focadas em fortalecer os polos regionais, transformando-os em espaços vibrantes de trabalho, educação e inovação. Esse é o caminho para um estado mais equilibrado, justo e próspero para todos os catarinenses.







