PSD oficializa Ronaldo Caiado ao Planalto e critica a polarização entre PT e PL


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Redação Santa Catarina em Pauta

Ronaldo Caiado foi confirmado como o candidato do PSD para presidente da República – Imagem: Divulgação

A convenção nacional do PSD realizada neste domingo (26), em São Paulo, serviu não apenas para oficializar a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República. O evento também marcou o posicionamento que o partido pretende adotar na campanha: apresentar uma alternativa à polarização protagonizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).

Caiado concentrou suas críticas nos dois principais adversários e afirmou que o país vive um momento de desgaste institucional provocado pelo excesso de confrontos políticos. Segundo ele, a população espera soluções para os problemas nacionais, e não uma campanha baseada em ataques pessoais.

A segurança pública foi o principal tema de sua manifestação. O candidato prometeu endurecer o combate ao crime organizado, voltou a acusar o PT de adotar uma postura permissiva em relação às facções criminosas e anunciou que defenderá o confisco de bens de agressores de mulheres, destinando os recursos às vítimas da violência.

Ao comentar a candidatura de Flávio Bolsonaro, Caiado afirmou que não faz distinção entre casos de corrupção ligados à direita ou à esquerda. “Quem rouba com a mão direita, quem rouba com a mão esquerda, é ladrão”, afirmou. Na sequência, defendeu que o eleitor conheça o histórico dos candidatos antes de definir o voto e afirmou que o país precisa de um presidente sem envolvimento em escândalos de corrupção. “O candidato à Presidência não pode ser Kinder Ovo, com surpresinha todo dia”, destacou.

O ex-governador também evitou responder quem apoiaria em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Disse acreditar que estará entre os dois candidatos que disputarão a fase decisiva da eleição. De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (24), Caiado aparece com 4% das intenções de voto. Lula lidera com 40%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 32%. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) registram 3% cada.

Apoios e diferenças

O ato reuniu governadores e dirigentes nacionais do partido, mas também deixou evidentes as diferentes posições políticas existentes dentro da legenda. Enquanto Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, do Paraná, declararam apoio ao projeto presidencial de Caiado, outras lideranças preferiram manter distância da convenção.

Foi o caso do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, aliado de Lula; da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, que mantém boa relação com o Governo Federal; e do governador de Minas Gerais, Mateus Simões, apoiador da candidatura de Romeu Zema (Novo).

Também chamou atenção a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoia Flávio Bolsonaro. Ele foi representado pelo secretário estadual de Governo, Roberto Carneiro.

Ao discursar, Caiado voltou a afirmar que a eleição não pode ficar restrita aos dois grupos políticos que dominam o cenário nacional. Segundo ele, a disputa deve privilegiar quem apresenta resultados administrativos e capacidade de governar.

O candidato usou sua experiência à frente do governo de Goiás para defender sua preparação para comandar o país e criticou o que considera um ambiente permanente de conflito político. Também atacou o programa Desenrola, classificou como excessivo o nível de endividamento das famílias brasileiras e voltou a desafiar Lula para participar do primeiro debate presidencial, marcado para 16 de agosto.

Na avaliação do presidenciável, Flávio Bolsonaro é o adversário que mais interessa ao PT em um eventual segundo turno. Por isso, afirmou que pretende convencer o eleitorado de centro e de direita de que sua candidatura representa uma alternativa à polarização.

Trump e Milei

As críticas também alcançaram o cenário internacional. Caiado afirmou que o governo Lula tem transformado a política externa em palco para disputas ideológicas e criticou os recentes atritos do presidente brasileiro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na mesma linha, fez referência à participação do presidente argentino, Javier Milei, na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, argumentando que líderes estrangeiros não deveriam interferir no debate político brasileiro. “O Lula insultando a ditadura do Trump. O outro achando que pode intervir na legislação brasileira. O outro vindo do país vizinho para fazer apenas bravata”, lamentou. Em outro momento, ao comparar seu perfil com o do adversário do PL, Caiado afirmou que não depende da influência do ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar a Presidência.

No encerramento do discurso, o ex-governador voltou a destacar sua política de segurança pública em Goiás como exemplo para o restante do país e agradeceu a Gilberto Kassab por manter a candidatura própria do PSD. Segundo ele, sem essa decisão, a eleição presidencial ficaria restrita à disputa entre PT e PL, reduzindo as opções para o eleitorado.