HISTÓRIAS DA POLÍTICA CATARINENSE que a História não contou. A decisão sobre o primeiro shopping de Blumenau.


Foto de Paulo Gouvêa

Paulo Gouvêa

Antigo JSC. Arquivo Histórico de Blumenau.

Conforme lembramos na coluna anterior, o antigo Jornal de Santa Catarina publicou, no início de abril de 1990, matéria sobre a possível construção de um shopping center em Blumenau. Coincidentemente isso ocorreu no dia seguinte à transferência do cargo de Prefeito, de Vilson Kleinubing para Victor Sasse, ocorrida no dia 3 daquele mês. Na reportagem, o Secretário de Turismo Manfredo Bubeck opinava que um empreendimento desses seria muito bem-vindo. Era natural que assim fosse tendo em vista o setor que Manfredo representava.

A visão dos lojistas de Blumenau.

Foto: Galeria dos Presidentes do CDL de Blumenau.

Já o Presidente do Clube de Diretores Lojistas de então, empresário Carlos Althoff, foi mais cauteloso. Eleanalisava, na mesma reportagem, as possíveis repercussões do shopping sobre o comércio local, mencionando a necessidade de que fosse feito um exame cuidadoso da localização e das características do projeto. Tais análises poderiam ser decisivas para o sucesso ou não de investimentos que viessem a ser feitos pelos comerciantes da cidade.

Abalo sísmico na economia do País.

Em conversa recente que tivemos, já em 2026, Althoff acrescentou que alguns aspectos da situação econômica, social e política do País naquela época, e outros específicos de Blumenau, lançaram dúvidas nos comerciantes sobre a viabilidade e a conveniência do shopping. Ele lembrou que os empresários e a população viviam as perplexidades da hiperinflação. No mês anterior ao momento em que surgiu aquele debate – em março, portanto, de 1990 – o índice mensal (!) do aumento dos preços no Brasil foi superior a 80%. É difícil imaginar quanto deveria ser difícil qualquer planejamento de quem vendia produtos aos consumidores.

No mesmo mês de abril, quando a discussão apareceu no “Santa”, o Presidente Fernando Collor lançava seu primeiro plano econômico que incluiu o bloqueio da Poupança dos brasileiros.

A encrenca local.

Foto copiada do site do Sintrafite.

Em Blumenau, recorda o presidente do CDL daquela época, as grandes empresas têxteis – responsáveis por parcela substancial do poder de compra da população – viviam um momento de forte intranquilidade. O Governo, seguindo a linha “modernizante da economia”, estava reduzindo as tarifas de importação, fato que provocou uma abrupta abertura do mercado para produtos estrangeiros bem mais baratos.

A maioria das grandes fábricas possuía maquinário antigo e métodos de produção bem mais custosos que seus novos concorrentes, especialmente os asiáticos. Como decorrência adicional dessas dificuldades, o setor convivia ainda com os inevitáveis conflitos trabalhistas gerados pela dificuldade de entendimento sobre os reajustes salariais numa era de inflação absurdamente alta.

Sob o céu cinzento desses fatores todos, a decisão sobre a conveniência do shopping tornou-se ainda mais complexa do que já seria naturalmente.

Carlos Althoff entende que, tendo em vista este cenário, e o conhecido estilo turrão de Victor Sasse, foi, de certa forma, uma surpresa o fato de o Prefeito ter se definido favoravelmente à construção daquele shopping que acabou recebendo um nome alemão: Neumarkt.

Próxima coluna.

As informações desconhecidas reveladas pelo Prefeito Sasse, em 2026, sobre a instalação do Neumarkt.