HISTÓRIAS DA POLÍTICA CATARINENSE que a História não contou. O novo Prefeito de Blumenau: cabeçudo para alguns, honesto segundo todos.


Foto de Paulo Gouvêa

Paulo Gouvêa

Wikipedia.

Quando Vilson Kleinubing renunciou ao cargo de Prefeito de Blumenau, em abril de 1990, alguns dos seus secretários permaneceram no novo Governo Municipal. Não foi o meu caso. Embora Sasse, generosamente, tenha me pedido para permanecer na função de Secretário do Planejamento, preferi não aceitar. Eu queria estar o mais liberado possível de outros afazeres para me dedicar à jornada de Kleinubing rumo ao Governo.

O estilo do novo Prefeito. Minha viagem com Sasse.

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Todavia, ainda que não tenha tido a experiência de trabalhar com o recém-chegado Prefeito, eu já havia testemunhado pessoalmente seu estilo de conduzir a vida pública. Ainda antes da metamorfose que o transformou em Prefeito, cumpri com ele um compromisso administrativo em Brasília. O Prefeito Vilson havia nos despachado para vários contatos com autoridades do Governo Federal, em busca de recursos para a cidade. O Gabinete do Vice cuidou dos preparativos da viagem.

Na recepção do modesto hotel onde nos hospedaríamos, estranhei quando Sasse, tendo feito seu check-in, acenou para que eu o seguisse. E quando pedi que esperasse um momento até que eu também tivesse pegado a chave do meu quarto, ele respondeu que tinha reservado apenas um quarto para nós dois. Diante da minha estranheza, ele observou que a Prefeitura não podia desperdiçar nenhum centavo de Cruzado (já, aliás, “Cruzado Novo” naquele momento). Era mesmo só um quarto. Ainda bem que, pelo menos, tinha duas camas.

E lá fui eu para aquela que deve ter sido a estadia mais econômica de toda a minha vida.

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Pastor alemão.

Uma característica muito própria de Victor Fernando Sasse era, naquele tempo, a sisudez. Ou o excesso desse ingrediente. Ele emoldurava suas funções de Professor e de Líder da Comunidade Evangélica de Blumenau, com o ar e o tom de um severo educador de discípulos e irmãos de fé.

A irreverência de muitos blumenauenses não poupava Sasse por essa combinação de circunstâncias. Ele não era propriamente um Pastor. Não no sentido de que fosse um Ministro de sua confissão religiosa. Mas, era tão proeminente nas atividades ligadas ao luteranismo que o título religioso lhe caía à perfeição. Essa marca, associada à conhecida vigilância que exercia, com severidade, em favor e na defesa dos princípios éticos, mais sua origem germânica (tanto dos Sasse pelo lado paterno como dos Herbst, do materno) levou os mais irônicos a atribuir ao Professor Sasse, já muito tempo antes, a alcunha de “Pastor Alemão”. Não na frente dele, é claro.

A ideologia e a estratégia da negação.

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Muito da fama de mau, no sentido de brabeza, que este Prefeito acumulou nos seus anos de dirigente da Celesc, professor e diretor do Colégio Pedro II e, mais tarde, na Prefeitura, ele deve à sua predileção pela palavra “não”. Ele erigiu a negativa a um princípio básico da atividade pública, a ponto de recomendá-la a jovens iniciantes na política. Tornou-se marca da sua personalidade a tendência a recusar, em princípio, qualquer pedido que lhe fosse apresentada. Depois, ponderando, poderia até mudar de ideia e concordar com seu interlocutor, mas, dificilmente este com quem ele falava, sairia do diálogo sem ter ouvido Sasse, em algum momento lhe brindar com um de seus prediletos vocábulos: “negativo!”.

Entretanto, fosse quem fosse o visitante, bem ou maltratado, o interlocutor concordava que Sasse era um homem honesto.

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O político que perdia voto, mesmo quando atendia um pedido de quem lhe procurava.