

A data do desfecho então chegou. No terceiro dia de abril de 1990 aconteceu o ponto final da administração de Vilson Kleinubing na Prefeitura de Blumenau. Junto com seu Vice Victor Sasse que ali mesmo viraria Prefeito, e na presença de sua esposa Vera e seu filho mais novo Diogo, ele renunciou ao cargo. Como parte do mesmo ato e da mesma lógica, ocorreu também a aceitação do seu papel de candidato a Governador naquele mesmo ano.
Somaram-se, no processo dessas decisões, três variáveis.
1. A expectativa do PFL

A primeira, mas não certamente a mais importante sob o ponto de vista do principal participante, foi a pressão do PFL. O seu partido via em Vilson uma grande oportunidade de chegar ao Governo do Estado.
Com a habitual discrição, Jorge Bornhausen, Presidente da legenda em Santa Catarina, trabalhou com muito afinco para a concretização desse desenlace. O diplomático cuidado se fazia necessário para evitar algum desconforto com Esperidião Amin, até quase à véspera também pretendente à mesma candidatura. O expoente líder do PDS catarinense era personagem indispensável na composição da chapa, tanto por disputar vaga no Senado como, também, dessa forma, garantindo a presença de seu partido na coligação.
Ambas essas decorrências conferiam significativa força eleitoral à candidatura de Kleinubing ao Governo. E careciam de um trabalho cuidadoso de entrelaçamento das expectativas do PFL de Jorge com as do PDS de Amin.
O afastamento das duas agremiações na eleição anterior havia determinado a vitória do adversário comum na época, o PMDB. A adesão mútua, inversamente, seria uma quase certeza de resultado favorável.
2. O apoio declarado dos blumenauenses.

O segundo elemento da complexa decisão de VK pela renúncia foi o apoio da população de Blumenau ao projeto que colava a saída da Prefeitura à certeza de que ele faria isso para disputar o Governo. Como Vilson havia prometido, em 1988, que não abandonaria o cargo para o qual viria a ser eleito, a desobediência a seu próprio compromisso só seria aceita por sua consciência, e só seria politicamente viável, se houvesse a clara manifestação de concordância daqueles que foram destinatários da promessa: os eleitores da cidade.
Por esta razão, foram feitas diversas consultas através de institutos de pesquisa, além das muitas enquetes de órgãos de comunicação, para desvendar como os blumenauenses se sentiam diante dessa questão. E o resultado foi claro: eles queriam aproveitar a chance de Blumenau ter um Governador “seu”, saído dali, vinculado à cidade. E Kleinubing representava, naquele momento, esse sonho e esse desejo tão entranhados na consciência do povo.
3. A vontade de Vilson.

Por último e não menos decisiva, havia, no fundo da decisão, a vontade de Vilson. Ele queria muito ser Governador. Tinha concorrido em 1986 e, mesmo com a já mencionada divisão de PDS e PFL, e a despeito da penúria política pela qual seu recém-criado partido passava, fez uma votação para além de digna. Chegou em segundo lugar, superando o candidato do poderoso PDS, Amílcar Gazaniga, apoiado pelo então Governador Amin. Esse fato inoculou em Vilson o sabor de uma campanha simbolicamente vitoriosa. E aumentou seu desejo de alcançar aquele objetivo.
O sucesso da sua passagem pela Prefeitura, o prestígio crescente em todo o Estado, a certeza que ele tinha de que faria um grande governo, beneficiando muito Blumenau, tudo somado, lhe carregava de gana para disputar e vencer.
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Poucas vezes na história do Estado a escolha de um candidato a Vice-Governador foi tão complexa.


