
Em 1990, os candidatos já sacramentados – Vilson Kleinubing para Governador e Esperidião Amin para a única vaga de Senador – e seus partidos, examinaram várias hipóteses antes de confirmarem um nome para a posição de candidato a Vice-Governador.
O aspecto que tornava difícil a triagem era o receio, em setores do PFL, de que, embora o partido encabeçasse a chapa, a influência do PDS se tornasse predominante. A amizade pessoal entre Vilson e Esperidião, e o aparente sentimento de gratidão do primeiro devido à concordância do segundo em abrir mão da candidatura principal, poderiam, segundo líderes pefelistas importantes, alterar o necessário equilíbrio das forças partidárias.
Como, em princípio, o Vice sairia do PDS, seu perfil, mais ou menos afinado com o PFL, menos ou mais ligado a Amin, era motivo de preocupação, entre aqueles pefelistas receosos de uma sobrecarga de influência do candidato a Senador e seus correligionários.
O papel de Júlio Garcia na época e as revelações recentes.

O então Secretário-Geral do PFL, atualmente Deputado Júlio Garcia, era quem deixava mais evidentes as preocupações de seu partido. Ele, de comum acordo com o Presidente Estadual da agremiação, Jorge Bornhausen, acompanhava com atenção e rigor as características políticas do eventual Vice.
Em conversa pessoal, já em 2025, o Deputado me disse que, de fato, ele pessoalmente, e parte do PFL, nutriam certa desconfiança em relação à fidelidade partidária de Kleinubing.
Durante a campanha eleitoral de 1990 as diferenças e desacertos foram, naturalmente, esquecidos, mas, voltaram, com alguma frequência, após a posse de Vilson.
Esse estranhamento produziu, já durante o período do Governo, uma frase muito comentada nos meios políticos devido à bem dosada composição de malícia e humor.
Em resposta aos comentários sobre sua falta de assiduidade nas atividades partidárias, o já Governador declarou à imprensa que passaria a dedicar mais tempo a esses compromissos. Júlio ponderou, igualmente pelo jornal, que, neste caso, Kleinubing deveria, primeiro, “assinar ficha no partido”.
A consagração do Vice ideal.

Em certo momento o PFL chegou, estrategicamente, a cogitar do próprio Jorge Bornhausen para Vice. Sabendo que o PDS não o veria como um nome adequado, dado o tamanho do seu currículo e da sua personalidade (além de um certo antagonismo com Amin), o PFL indicou-o como forma de induzir a modulação de algum outro Vice aceitável para o partido.
Aconteceu então um resultado inesperado para muitos: a escolha, de certa forma suprapartidária, do ex-Governador Antônio Carlos Konder Reis, filiado ao PDS, mas primo de Jorge. O nome foi recebido com entusiasmo por Kleinubing. Ele recebia um companheiro de chapa de grande prestígio, e a parceria partidária sossegava seus receios e incertezas.
Além de PFL e PDS, a coligação que abrigava a chapa incluiu ainda PTB, PDC, PSC e PL.
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Kleinubing candidato, Blumenau tem novo Prefeito.

