
As informações inéditas de Victor Sasse.
Em encontro que tivemos já neste ano de 2026, no seu sítio da Fortaleza Alta, o ex-Prefeito de Blumenau Victor Fernando Sasse relembrou alguns fatos muito interessantes e praticamente desconhecidos sobre as origens da implantação do primeiro Shopping Center de Blumenau.
1. Havia mais dois interessados em construir o shopping

O primeiro desses fatos que a memória praticamente já havia apagado é que, digamos, na pré-história do Shopping, não existia apenas um, mas, sim, três candidatos a construir um centro comercial em Blumenau. A história só registrou que a empresa imobiliária de Jaimes de Almeida Jr. procurou a Prefeitura e outros interlocutores para tratar do assunto. Mas, dois outros pretendentes também fizeram o mesmo. Um deles foi meu amigo Sergio Murad, mais conhecido pelo nome artístico de “Beto Carrero”; o outro, o empresário Vilmar Schurmann, na época Diretor-Geral da Ceval.
Coincidência ou não, quase ao mesmo tempo, três conhecidos homens de negócio resolveram investir na implantação do Shopping.
Segundo Sasse me contou nessa nossa conversa (ocorrida 36 anos depois daqueles acontecimentos) os dois últimos se retiraram da disputa a partir do momento em que ficou claro que Jaimes estava mais adiantado: já tinha um projeto e, ainda mais importante, um acordo com a Provincia Franciscana, proprietária de vasta área de terreno na rua Sete de Setembro, para ocupar parte dele com o seu Centro Comercial.
2. O problema da localização

Jaimes foi à Prefeitura discutir o tema com Sasse já tendo, antes, formalizado o acordo com a Província Franciscana. Conforme sua proposta, portanto, o futuro Shopping deveria ter, necessariamente, como localização, a rua Sete de Setembro, no Centro da cidade, já na época com significativo trânsito. Tanto o empresário como o próprio Prefeito concordaram que o sucesso do novo centro comercial só estaria garantido se ele realmente se localizasse na área central de Blumenau. Na visão de ambos, o modelo americano de instalação de shoppings em áreas mais afastadas não daria certo no Brasil e menos ainda numa cidade de porte médio.
Na área técnica da Secretaria de Planejamento a objeção era forte. A incerteza sobre o impacto no trânsito da rua Sete, e do Centro como um todo, impedia uma orientação favorável ao empreendimento. Além disso, existiam dúvidas sobre sua viabilidade legal: o Plano Diretor de dois anos antes não vetava explicitamente a implantação de um centro comercial, mas, também não a autorizava de forma clara.
3. O Prefeito foi um animado torcedor pró construção do Shopping.
Ao contrário do que muitas vezes se comentou, Victor Sasse nunca se manifestou contrário ao empreendimento. A Prefeitura sim; mas ele, pessoalmente, não.
Próxima coluna.

Na batalha das vantagens contra as desvantagens, venceram as primeiras.

