
A partir de meados de abril de 1990 começaram a ser debatidos, publicamente, os aspectos mais importantes das definições que a Prefeitura teria de tomar relativamente à construção do Neumarkt: as consequências da instalação de um novo grande polo comercial no Centro da cidade, em uma rua de trânsito já cada vez maior, e os entraves legais contidos no Plano Diretor.
Coube ao Prefeito Victor Sasse um veredito muito importante do ponto de vista urbano e, especialmente, quanto às repercussões no sistema viário da cidade. Se tal assunto tivesse aparecido algumas semanas antes, o Prefeito ainda teria sido Vilson Kleinubing, seria ele o responsável pela decisão e caberia, portanto, a mim, como Secretário de Planejamento, examinar a desafiante comparação entre os pós e os contras.
A avaliação do projeto e o parecer sobre o empreendimento ficou, claro, a cargo da equipe de Planejamento da nova administração, muito semelhante à que trabalhou comigo, mas, nesse ponto da história já chefiada pela Arquiteta Claudia Siebert. Tanto quanto sei, esse time fez um trabalho isento, cauteloso, mas, com a ousadia necessária para um desfecho positivo.
Entrada e saída do Shopping. E o edifício ao lado.

Alguns detalhes foram cruciais para esse final positivo. Por exemplo, a decisão de que, na rua Sete, só poderia haver a entrada de veículos; a saída teria de ser por outra via. Caso contrário, a possibilidade de haver engarrafamentos seria grande. Para tornar isso possível foi necessário implantar a rua ao lado do Shopping, depois denominada Ingo Hering, para ali escoar o movimento de saída.

Segundo depoimento pessoal do Prefeito Victor Sasse já agora em 2026, a decisão final teve também ajuda importante do então Diretor da Secretaria, Leandro Victor Bona, que já havia sido Presidente da Associação Comercial e Industrial de Blumenau. Foi ele quem dirimiu as incertezas a respeito da viabilidade do Shopping à luz dos ordenamentos do Plano Diretor da época, com a sugestão de que o empreendimento não se limitasse à finalidade comercial, mas também a serviços de diversas naturezas. Assim o conjunto como um todo deixou de ser apenas um centro comercial para se tornar um complexo de múltiplas finalidades, este sim, claramente viável na forma das leis então em vigor.
A partir da apresentação que Sasse fez a Jaimes Almeida, já então único candidato a construir um shopping, sobre a necessidade dessa importante alteração no seu projeto, o Neumarkt incluiu um prédio interligado, ao qual deu o nome de “Trade and Financial Center”, que viria a abrigar escritórios, consultórios, clínicas e até, por muitos anos, a sede da Associação Comercial e Industrial de Blumenau.
Martelo batido.

À certa altura desses acontecimentos o Prefeito teve de bater o martelo. Victor Sasse, conhecido por ter feito da negativa um instrumento de trabalho, teria de colocar o ponto final numa polêmica entre fatores negativos e positivos de um enorme empreendimento, capaz de mudar o status da cidade. E ele disse sim.
Com muito bom senso, equilíbrio e visão de futuro, o Prefeito aprovou o primeiro e até agora o mais importante Centro Comercial de Blumenau.
Um visionário bem-sucedido.

Foto: divulgação Almeida Jr.
Outro personagem crucial da criação do primeiro shopping de Blumenau, provavelmente um dos raros no Brasil com nome alemão, foi, por suposto, o dono do negócio, idealizador do projeto, Jaimes de Almeida Júnior. Eu o conheci alguns anos antes desses fatos, quando ele era um dinâmico negociante de imóveis que trabalhava principalmente para as grandes empresas de Blumenau.
Em 1990, contra a descrença de muita gente, decidiu contruir o primeiro shopping-center da cidade, apenas o segundo do Estado de Santa Catarina. E resolveu que teria de ser no centro da cidade. Se assim não fosse, é provável que tivesse fechado pouco tempo depois.
E seguiu batendo na tecla certa: que o Shopping só poderia ser feito naquele local. A teimosia venceu o ceticismo. O “Novo Mercado” passou a ser parte inerente à vida urbana da cidade e ao modo de vida da população E Jaimes Bento de Almeida Júnior é, hoje, o maior empresário desse setor em Santa Catarina e já um peso-pesado no País.
Próxima coluna.

Sasse inaugurando a Ponte de Ferro. E a despedida da coluna.

