Os três vices estratégicos na disputa pelo Governo do Estado; o erro de Carol de Toni; Daniella Marques em SC


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Entre as oito candidaturas ao Governo do Estado, três contam com vices conhecidos do eleitor e com funções bem definidas nas suas chapas. Seja pelo desempenho administrativo em determinada região, pela trajetória de militância aliada a mandatos parlamentares ou pela experiência como deputado e secretário que o levou a presidir o maior partido do estado. Em suma, Adriano Silva (Novo), Ângela Albino (PDT) e Carlos Chiodini (MDB) não são meros nomes com espaços protocolares. Os três têm o que entregar para as suas alianças.

O ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), agrega, para o governador Jorginho Mello (PL), a força política de quem se reelegeu com 78,69% dos votos e renunciou com 67,3% de aprovação. Tem a missão de ser o embaixador da campanha liberal no norte do estado, sobretudo em Joinville, maior colégio eleitoral, com 441.735 pessoas que estão aptas a votar.

Além da força política, sobretudo junto ao setor empresarial, bastante influente na política do município, Silva foi beneficiado pela formação das demais alianças, que não colocaram nenhum joinvilense na chapa majoritária, deixando uma lacuna que será preenchida por ele.

Além disso, Adriano Silva se mostrou totalmente engajado no projeto de reeleição do governador. Tanto que se afastou do candidato de seu partido a presidente da República, Romeu Zema (Novo), em atrito com o PL, em nome do projeto estadual. Nos bastidores, é dito que o candidato de Adriano na eleição nacional é Flávio Bolsonaro (PL).

Histórico de militância

Na esquerda, a escolha de Ângela Albino (PDT) como vice mostra que o candidato a governador, Gelson Merisio (PSB), sempre teve uma relação muito próxima com o campo progressista. Além de Albino, deputados como Luciane Carminatti (PT) e Padre Pedro Baldissera (PT), além do ex-presidente do Sebrae Décio Lima, sempre foram figuras muito próximas do ex-presidente da Assembleia Legislativa.

Ângela Albino é, nesse sentido, o carimbo definitivo da esquerda na chapa. Embora Merisio tenha sido o escolhido do presidente Lula (PT), a leitura, segundo algumas fontes, é que, além de ser uma pessoa com qualificações profissionais e políticas, sua vice também precisava ser de sua total confiança e ter um longo histórico de militância na esquerda. Ângela se enquadra em todos os pré-requisitos.

Foi vereadora de Florianópolis, deputada estadual, suplente de deputada federal, tendo assumido por algum tempo, além de secretária de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação no governo de Raimundo Colombo (PSD). Antes de retornar para Santa Catarina, foi secretária de Governo e Inovação do município de Lagarto, em Sergipe. Ela leva para a campanha as pautas das mulheres, além da experiência política que adquiriu em anos de militância.

O emedebista raiz

O deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB, começou na política aos 19 anos, a convite do grande líder da história dos emedebistas catarinenses, Luiz Henrique da Silveira. Foi deputado estadual, secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, diretor do Porto de São Francisco e, agora, deputado federal em seu segundo mandato.

Embora não tenha levado todos os prefeitos e deputados, Chiodini conseguiu unir uma boa parte do MDB ao projeto de João Rodrigues (PSD), dando mais musculatura para a campanha ao lado da Federação União Progressista. Além disso, foi ágil ao se antecipar a uma possível debandada, escalando o deputado estadual Antídio Lunelli para a disputa ao Senado, mantendo o apoio de lideranças que ameaçavam abandonar o projeto.

A importância de Chiodini para Rodrigues vai muito além da biografia política. Ele entrega estrutura partidária e capilaridade para o pessedista, que trabalha para se tornar mais conhecido no estado.

Demais vices

Coronel Rodrigues (Missão), vice de Marcelo Brigadeiro (Missão)

Flávio Amaral (PCO), vice de Bruno Pedreiro (PCO)

Carlos Bordin (Solidariedade), vice de Ralf Zimmer (PRD)

Nathália Melo (UP), vice de Laís Chaud (UP)

Professora Taty (PSTU), vice do professor Marcus Sodré (PSTU)

Pautando SC

Afrânio Boppré será o primeiro entrevistado – Imagem: CMV

Amanhã começa a série de entrevistas com os candidatos ao Senado no Pautando SC. Foram convidados os seis primeiros colocados nas pesquisas. Amanhã será a vez de Afrânio Boppré (PSOL). O programa vai ao ar às 12h, aqui no site e também em nosso canal no YouTube. Lembrando que é feito um corte para o “2 minutos de conversa”, exclusivo para o Instagram.

Demais convidados

Sexta-feira – 21/08 – Antídio Lunelli (MDB)

Quarta-feira – 26/08 – Carlos Bolsonaro (PL)

Sexta-feira – 28/08 – Caroline de Toni (PL)

Quarta-feira – 02/09 – Décio Lima (PT)

Sexta-feira – 04/09 – Esperidião Amin (Progressistas)

Erro estratégico

A deputada federal Caroline de Toni (PL) está colocando a sua eleição ao Senado em risco. A pergunta que se faz é: submissão ou erro estratégico? Carol publicou um vídeo nas redes sociais que causou incômodo até entre os seus apoiadores. Na peça, ela orienta o eleitor a dar o primeiro voto ao ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), e somente o segundo a ela. A música diz: “Quem vai votar no Carlos, também vota na Carol”, ou seja, ela se coloca em segundo plano. Está certo que se trata de uma eleição de duas vagas, ou seja, trabalha o voto casado. O erro está na ordem do pedido, que comunica prioridade. No caso de Carol, parece que ela escolheu quem deve ter o primeiro voto.

Faltou

Carlos Bolsonaro (PL) não compareceu ao debate da Som Maior, de Criciúma. Preferiu viajar para São Paulo. A piada nos bastidores é que foi atrás dos catarinenses que andam por lá. O que chamou a atenção é que Caroline de Toni (PL) também não foi. Tem quem diga que foi a pedido de Carlos, porém fontes próximas informaram que ela teve um compromisso que impediu a participação.

Daniella Marques em SC

Daniella Marques é uma das principais coordenadoras de Flávio Bolsonaro – Imagem: Divulgação

A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques estará em Florianópolis amanhã para um encontro com empresários catarinenses. A agenda, articulada pelo deputado federal Daniel Freitas (PL), será às 14h30, no Hotel Majestic, e terá como foco a discussão da economia, desenvolvimento, geração de empregos e ambiente de negócios. Ex-integrante da equipe do então ministro Paulo Guedes e presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro, Daniella participa atualmente da coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e da elaboração das diretrizes de seu programa de governo. Seu nome também chegou a ser cotado para a vaga de vice.

Relação construída

A relação entre o deputado federal Daniel Freitas (PL) e Daniella Marques ganhou força em 2021, durante as discussões da PEC Emergencial. Relator da proposta na Câmara dos Deputados, Daniel manteve interlocução com a equipe do então ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a construção e tramitação do texto. Ele destaca que a PEC abriu caminho para uma nova rodada do auxílio emergencial, com limite de R$ 44 bilhões, e estabeleceu mecanismos de controle das despesas públicas. O texto-base relatado pelo catarinense foi aprovado por 341 votos a 121.

Queda nas lavouras

Os efeitos de estiagens e enchentes sucessivas estão redesenhando o mapa da produção agrícola brasileira. Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, historicamente importantes produtores de grãos, vêm cedendo participação para outras regiões. O Valor Bruto da Produção das lavouras sulistas, que alcançava R$ 198 bilhões em 2020, deve ficar em R$ 158 bilhões neste ano, já descontada a inflação. A mudança fica evidente na classificação dos estados. O Paraná deixou a segunda colocação e passou para a quarta, enquanto o Rio Grande do Sul caiu para sexto e Santa Catarina está em nono. Minas Gerais, favorecida pelo desempenho do café, da cana-de-açúcar e da laranja, avança e deve superar as receitas obtidas no campo pelo Sul e por São Paulo.

Força dos suínos

Se o desempenho agrícola catarinense perdeu posições, outro segmento coloca o estado no topo do país. Santa Catarina é o maior exportador brasileiro de carne suína, beneficiando-se da expansão das vendas internacionais de proteína animal. A dimensão desse mercado pode ser medida pelos embarques: 90% do faturamento nacional com suínos no exterior fica concentrado na Região Sul. Na produção, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul responderam por 73% dos abates brasileiros em 2025. O setor de aves também tem forte presença regional, mas com liderança paranaense nas vendas internacionais. Para a economia catarinense, a suinocultura se consolida como uma das principais fontes de geração de valor no agronegócio.