
A deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL), por conta de seus fortes posicionamentos, conquistou um protagonismo muito superior ao dos demais candidatos à Assembleia Legislativa. E a questão não é apenas por causa do possível desempenho eleitoral. Afinal, a questão não é se Campagnolo irá se reeleger, mas, sim, com quantos votos e se baterá a marca histórica de 196.571 votos, o que faz com que ela seja, atualmente, a deputada mais votada da história de Santa Catarina.
Independentemente de suas pautas, que não estão em análise neste texto, esse quadro coloca Campagnolo como a maior liderança liberal no estado, abaixo apenas do governador Jorginho Mello (PL). E ela sabe que, quanto mais votos fizer, maior será o seu poder dentro do partido.
Base própria ela já tem. Aliás, isso se evidencia na organização de seu mandato e, agora, de sua campanha, com a criação dos chamados “Embaixadores das Famílias”, que, apenas no terceiro dia, já soma 3 mil cadastrados. É uma rede de apoiadores espalhados pelo estado que recebe material e orientação para atuar nas comunidades sobre cristianismo e família, conforme relatou uma fonte. Porém, é através desses encontros que o nome da parlamentar é levado para quem recebe esses grupos.
Além disso, abraçou o projeto do deputado federal de Minas Gerais, Níkolas Ferreira. Figura central no bolsonarismo, o parlamentar mineiro quer construir a sua própria bancada no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas. Esse movimento tem causado atritos entre ele e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já perceberam que o objetivo de Níkolas é se tornar independente, com um grupo próprio e sem ter que se submeter a uma fidelidade imposta às ideias de Eduardo e Carlos Bolsonaro.
Esse é um movimento que começa a ganhar força na direita, e Ana já faz parte dessa articulação, também contando com o apoio de Níkolas, que, somente aqui no estado, conta com cerca de 1,1 milhão de seguidores nas redes sociais. E ele será muito presente na campanha de reeleição da parlamentar. É por isso que seria um erro resumir os embates entre Campagnolo e Carlos apenas à defesa de Caroline de Toni (PL), que quase não pôde disputar diante da imposição de Carlos de ser candidato ao Senado por Santa Catarina. A disputa é muito maior.
Além da questão nacional, a disputa paroquial é motivada pelo fato de que Carlos chega ao estado trazendo o peso do sobrenome Bolsonaro e visando, caso seja eleito, impor influência nas decisões do PL aqui no estado. Mas se deparou com Campagnolo, que tem mandato, é dona de uma votação expressiva, possui forte presença nas redes sociais, conta com uma base política sólida e tem um argumento que pegou muito forte nesta eleição: é catarinense.
Jorginho é prioridade

A reeleição do governador Jorginho Mello (PL) será uma das prioridades da campanha da deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL). Os relatos são de que o governador sempre foi leal a ela, inclusive em alguns momentos de tensão.
Bastidor
Após a manifestação do candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL), que praticamente impôs à deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL) que, a exemplo do que fez para Caroline de Toni (PL), também grave um vídeo ao lado de Carlos Bolsonaro (PL), a parlamentar se colocou à disposição. Não seria um recuo de Ana, mas, sim, um gesto partidário, atendendo a outros pedidos. Porém, Carlos teria se negado a gravar. Se aceitará, somente o tempo e a necessidade eleitoral dirão.
Melhor lugar

Carlos Bolsonaro (PL) segue em campanha ao Senado por Santa Catarina. Detalhe: em outros estados. Na segunda, passou o dia em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, e ontem foi para o Rio de Janeiro. Aliás, chamou a atenção um story postado ontem à noite com a localização do bairro carioca Tijuca. “Cheguei no melhor lugar do mundo”. A ideia que Carlos passa, ao ignorar os debates e viajar para outros estados em plena campanha, é a de que está pouco ligando para os debates necessários para Santa Catarina. E, mais do que isso, a de que não precisa fazer campanha, por entender que há um eleitorado que votará cegamente, mesmo sem qualquer sinal de comprometimento dele com o estado.
Sem debate

Chama a atenção o anúncio da deputada federal Caroline de Toni (PL), que decidiu não participar dos debates dos quais Carlos Bolsonaro (PL) não participar. Ela não quer constranger o seu colega de partido. Ou seja, não importa o eleitor catarinense, que espera ouvi os seus candidatos. O que importa é uma campanha baseada em uma estranha estratégia de submissão. Sugiro que guardem a minha coluna de ontem. Pode ser que ela tenha algo de profecia para vocês.
No trecho

O candidato ao Governo do Estado João Rodrigues (PSD) concentra a agenda de hoje na Grande Florianópolis. Pela manhã, o ex-prefeito de Chapecó percorre bairros de São José e Florianópolis, com ações de campanha, entrega de materiais e gravações para TV e redes sociais. A programação começa no Kobrasol, em São José, ao lado da equipe do deputado estadual Mário Motta (PSD). Depois, Rodrigues segue para os Ingleses, no Norte da Ilha, com apoiadores de Gean Loureiro (UB). Às 17h, será sabatinado pela Federação das Câmaras de Vereadores de Santa Catarina (Uvesc). A entrevista, mediada pela jornalista Soledad Urrutia, terá perguntas divididas em quatro eixos temáticos.
Pautando SC

Hoje, o entrevistado do Pautando SC é o vereador de Florianópolis Afrânio Boppré (PSOL), candidato ao Senado. Ele é o primeiro dos seis melhores colocados nas pesquisas que foram convidados a participar da série de entrevistas. Você assiste aqui no site, a partir das 12h, e também em nosso perfil no YouTube. Lembrando que um trecho será exclusivo do “2 minutos de conversa”, no Instagram. Na sexta-feira, será a vez de Antídio Lunelli (MDB).
Uczai

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, deixou, ontem, o Hospital DF Star, em Brasília, onde ficou internado por conta de um AVC isquêmico. A informação é que o parlamentar retomará a sua agenda aos poucos nos próximos dias. Uczai, ao lado da deputada Ana Paula Lima (PT), é considerado um dos puxadores de votos do Partido dos Trabalhadores na eleição para a Câmara Federal.
Inquérito em Florianópolis

A 33ª Promotoria de Justiça da capital decidiu investigar a regularidade sanitária e médico-assistencial do Ambulatório para Pessoas em Situação de Rua (PSR), instalado na Passarela da Cidadania, em Florianópolis. O ato oficial informa que o foco da apuração, conduzida em sigilo, será “a prestação dos serviços de assistência à saúde, aos fluxos e procedimentos relacionados às internações involuntárias, bem como ao cumprimento das normas sanitárias e das diretrizes e demais disposições aplicáveis à política de saúde mental”. O espaço foi inaugurado em setembro de 2025. O serviço multidisciplinar foca no atendimento em saúde mental, triagem geral e na agilização de encaminhamentos para internações voluntárias e involuntárias de dependentes químicos.
Compartilhamento
Em maio do ano passado, a gestão do prefeito Topázio Neto (Podemos) assinou um acordo de cooperação com o Ministério Público. Segundo a divulgação do órgão, dados do aplicativo “Acolher”, utilizado pela Prefeitura de Florianópolis no atendimento à população em situação de rua, seriam compartilhados “para auxiliar na fiscalização, no acompanhamento e no fortalecimento de políticas públicas destinadas a esse público”. Vale lembrar que o atendimento na Passarela é alvo da Operação Backstage, deflagrada em junho deste ano. No dia 6 de agosto, o Tribunal de Contas do Estado aceitou a representação do Ministério Público de Contas contra a Prefeitura após a deflagração da operação.
Propaganda X Realidade

Como revelou o SantaCatarina em Pauta em 25 de junho, imagens, vídeos e relatos de usuários mostram uma realidade completamente diferente daquela apresentada nas divulgações institucionais. As fotografias revelam ambientes degradados, espaços improvisados, banheiros em condições precárias de limpeza, forte odor, ausência de locais adequados para guardar roupas e pertences e pessoas vivendo em condições que, segundo especialistas ouvidos pela coluna, são incompatíveis com uma política pública voltada à promoção da dignidade humana.
IPTU
O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional uma lei de Chapecó que previa alíquota de 1% de IPTU para imóveis com área construída superior a 400 metros quadrados. Por unanimidade, os ministros entenderam que o tamanho da propriedade não pode servir como parâmetro para tornar o imposto progressivo. O relator, Dias Toffoli, lembrou que a Constituição autoriza essa diferenciação pelo valor do imóvel, além de permitir alíquotas distintas conforme localização e uso. A decisão serve de alerta para outras prefeituras que eventualmente adotem o tamanho dos imóveis como fator para estabelecer alíquotas maiores de IPTU. Para Toffoli, os municípios não podem ampliar, por conta própria, as hipóteses de progressividade previstas constitucionalmente.








