
Instituído em Santa Catarina pela Lei nº 16.906/2016, o Agosto Dourado amplia, durante o mês de agosto, a conscientização sobre a importância do aleitamento materno e das políticas de apoio às mulheres que amamentam. A campanha também chama atenção para o trabalho dos bancos de leite humano, responsáveis pela coleta, processamento e distribuição do leite doado a bebês internados, especialmente prematuros e recém-nascidos que precisam de cuidados neonatais. Na Maternidade Carmela Dutra, em Florianópolis, o banco mantém entre 60 e 70 doadoras ativas por mês.
Mulheres que produzem leite em quantidade superior à necessidade de seus próprios filhos podem procurar o banco de leite e receber orientação e materiais para realizar a coleta em casa. A equipe fornece itens como frascos de vidro, touca, máscara e materiais de higiene e posteriormente faz o recolhimento do leite. “Hoje, a doadora que está em casa, uma mulher que amamenta e produz mais leite do que a necessidade do seu bebê, pode entrar em contato com o banco de leite mais próximo da sua região”, explica a enfermeira Cecília Mello. Segundo ela, algumas mulheres conseguem doar entre 100 e 200 mililitros, enquanto outras chegam a fornecer litros ao longo do processo. Mesmo pequenas quantidades podem contribuir para o atendimento dos bebês internados: “Uma pequena quantidade de leite, como 10 ou 15 mililitros, já consegue alimentar às vezes várias crianças”, destaca.
Na Maternidade Carmela Dutra, o leite humano é priorizado para os recém-nascidos internados, seja proveniente da própria mãe ou do banco de leite. Além dos nutrientes, o alimento contém componentes que auxiliam na proteção do organismo, o que é especialmente relevante para prematuros e bebês de baixo peso. “Ele tem muitas substâncias que podem proteger essa criança”, afirma Cecília, que também destaca a relação construída com as doadoras. Uma delas é Carina Oliveira, que começou a doar após o nascimento da filha Marisol e transformou uma experiência pessoal de sofrimento em um gesto de solidariedade. “Foi em um momento de dor que eu queria transformar um pouco dessa dor em amor, em um ato de amor”, conta. A campanha do Agosto Dourado, instituída nacionalmente pela Lei nº 13.435/2017, reforça, assim, a importância da informação, do apoio à amamentação e da rede de cuidado formada por mães, profissionais de saúde e bancos de leite humano.
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