Decisões políticas de Carmen Zanotto podem custar cerca de R$ 400 milhões à Serra Catarinense


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Jean Carlo Lima

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Contextualização

Além de ter deixado a Câmara dos Deputados ao renunciar ao mandato para assumir a Prefeitura de Lages — abrindo mão de dois anos de atuação nos quais ainda poderia assegurar mais de R$ 100 milhões à região —, Carmen prometeu que Geovania de Sá, que ocupou seu lugar, garantiria a continuidade da destinação de recursos à Serra. Até agora, porém, a deputada não destinou um real à região.

Apoio a Fernanda

Para piorar, Carmen decidiu embarcar na aventura da candidatura de Fernanda Córdova a deputada federal.

Mesmo com o impulso do número 22 e somando-se a essa equação a excêntrica estratégia do deputado Marcius Machado de carregar Fernanda nas costas, morro acima, a candidatura da ex-assessora da Casa Civil não deixa de ser irrelevante e, ao mesmo tempo, potencialmente perturbadora.

O desempenho da candidata do PL ainda é uma incógnita. É plausível, porém, que os votos atraídos por essa estrutura de apoio façam falta, lá na frente, para consolidar a vitória de Raimundo Colombo.

Caso isso aconteça, o grupo de Carmen poderá carregar a responsabilidade de deixar a Serra sem representação própria na Câmara dos Deputados pelos próximos quatro anos: uma perda que pode representar aproximadamente R$ 300 milhões a menos para a região.

Somados os mais de R$ 100 milhões que Carmen ainda poderia ter viabilizado nos dois anos restantes de seu mandato aos cerca de R$ 300 milhões que a Serra poderá deixar de receber nos próximos quatro anos, o prejuízo potencial decorrente de suas escolhas políticas aproxima-se de R$ 400 milhões.

Evidentemente, trata-se de uma projeção realista, baseada na capacidade de articulação e captação de recursos proporcionada por um mandato federal ativo, não de um valor já consolidado.

Por outro lado, minha análise poderá até ser relativizada caso alguma mente brilhante consiga me convencer de que a ex-prefeita de Palmeira, com capital eleitoral de pouco mais de mil votos, seja capaz de conquistar mais de 100 mil votos em todo o estado.

Nota à margem: embora a cota estritamente individual e impositiva de um deputado federal gire em torno de R$ 35 milhões a R$ 37 milhões por ano, parlamentares de expressão não atuam de forma isolada. Quando se consideram as emendas da bancada estadual, os repasses negociados com a cúpula partidária e a articulação direta com os ministérios, o volume de recursos obtidos sob a influência de um mandato ativo pode alcançar ou ultrapassar R$ 70 milhões anuais.

Carmen não queria apoiar Fernanda

No início do ano, quando Raimundo Colombo participou do podcast de Upiara Boschi, foi perguntado se Carmen Zanotto retribuiria o apoio dado pelo ex-governador às suas candidaturas à Câmara dos Deputados. Raimundo respondeu que isso dependeria exclusivamente dela.

Ainda no início do ano, de acordo com informações de bastidores, a prefeita de Lages teria telefonado para Raimundo Colombo. O objetivo do contato seria saber se o ex-governador realmente disputaria uma vaga na Câmara dos Deputados.

Colombo teria respondido que ainda não havia tomado uma decisão. Carmen, por sua vez, teria afirmado que, mesmo assim, não apoiaria outro candidato, deixando-o livre na disputa.

O que aconteceu de lá para cá é o que ninguém sabe. Provavelmente, sua postura de vassala do governador, de quem recebe prendas do Governo do Estado em vez dos investimentos estruturantes de que Lages necessita, foi decisiva para a mudança de posicionamento.