
Desde que a GOL Linhas Aéreas começou as operações, em novembro de 2025, a CDL de Lages tem se envolvido ativamente em campanhas de conscientização sobre a importância da manutenção dos voos comerciais na Serra Catarinense, destacando a relevância da conexão aérea para o desenvolvimento econômico da região — especialmente porque a continuidade da operação depende da consolidação da demanda.
No entanto, segundo informações obtidas pela coluna, membros da diretoria e associados da entidade locaram um ônibus para viajar até Florianópolis, de onde embarcaram em um voo da própria GOL com destino à Paraíba, para participar de um evento chamado OMNI Varejo 2026.
A situação chama a atenção justamente pelo discurso adotado pela entidade em defesa da operação regional da companhia aérea. Por outro lado, pode ter sido uma viagem organizada de última hora? Pode. E é compreensível.
Entretanto, como o OMNI Varejo é um evento anual, havia possibilidade de planejamento antecipado da viagem, inclusive com a aquisição de passagens promocionais no trecho entre Correia Pinto e São Paulo. Como a GOL não opera voo direto da Serra Catarinense para a Paraíba, o deslocamento necessariamente exigiria conexão.
Ainda que a atitude de membros da diretoria e associados seja justificável, não podemos deixar de registrar que, no mínimo, estamos diante de uma gafe institucional, daquelas que, geralmente, são cometidas por instituições interioranas.
O alerta do governador
Pesa sobre o episódio, ainda, o discurso feito pelo governador Jorginho Mello em novembro do ano passado, durante o voo inaugural da operação. Na ocasião, o governador deixou claro que o Estado subsidiaria a rota até o final de 2026, mas advertiu que a própria região precisaria fazer sua parte para garantir a sustentabilidade da operação.
Em um dia não muito animado, Jorginho afirmou, em tom direto, que não adiantaria, em suas palavras, “ficar chorando” caso a companhia encerrasse a operação por falta de passageiros. Ressaltou, ainda, que o governo do Estado, além de subsidiar a companhia durante um ano, entregou o aeroporto remodelado para estimular a nova fase.
No fim das contas, a manutenção de uma rota aérea não depende apenas de discursos, campanhas ou cobranças ao poder público. Depende, sobretudo, de passageiros. Inclusive, necessariamente, da referida entidade.
A coluna fica à disposição da entidade e de seus membros para possíveis esclarecimentos.


