A polêmica do Bolsa Família nas eleições; preocupação no Planalto Norte; as promessas dos candidatos — e outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

O anúncio de ontem do Governo Federal sobre o aumento do valor pago pelo Bolsa Família, mais uma vez, mostra como um programa de tamanha importância acaba aparecendo como ferramenta de sensibilização do eleitorado mais carente. Acontece agora, nesta eleição, através do presidente Lula (PT), assim como ocorreu em 2022, no então governo de Jair Bolsonaro.

Vale destacar que, na eleição passada, Bolsonaro, que deixou de ser um crítico do programa com medo de reações contrárias e chegou a rebatizá-lo como Auxílio Brasil, anunciou, durante o período eleitoral, um aumento de 50%, viabilizado pela chamada PEC Kamikaze. O benefício passou de R$ 400 para R$ 600 até o final daquele ano. Tanto que, na proposta de Orçamento para 2023, o piso voltava a R$ 400. O valor de R$ 600 somente foi mantido através da PEC da Transição, já no governo Lula.

O anúncio de agora prevê um reajuste de 15,04%, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691, correspondente à inflação medida pelo INPC desde março de 2023. O novo valor começa a ser pago em outubro e não tem prazo para acabar.

Talvez somente quem recebe o Bolsa Família consiga mensurar, por sentir na pele, o quanto esse programa é transformador para a vida de quem não tem nada, ou quase nada. O problema está na politização, tanto pela direita quanto pela esquerda.

O anúncio do governo provocou uma reação na campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O candidato criticou o reajuste, mas desautorizou a iniciativa do deputado federal Zé Trovão (PL) de tentar barrar a medida e afirmou que manteria o novo valor caso fosse eleito. Vale lembrar que, em 2022, a campanha de Lula questionou, na justiça, o aumento dado por Bolsonaro durante o período eleitoral. Ou seja, uma ferramenta que dá dignidade a milhões de brasileiros também entrou no cálculo político-eleitoral.

Trovão tentou questionar a medida por conta própria. Jogou alto ao entrar, ontem, com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral contra o aumento. A ação foi extinta pelo ministro André Mendonça, sem análise do mérito, por considerar que Trovão não tinha legitimidade para apresentar o questionamento. Resta saber se o parlamentar catarinense terá algum prejuízo político com a medida.

Se, por um lado, o questionamento de Trovão não é de todo errado quando menciona o período em que foi concedido o reajuste, por outro, como tentar barrar um valor que dá dignidade a famílias em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar? É um caso que serve de alerta para a necessidade de uma discussão fora das lentes ideológicas sobre o fortalecimento de um programa que é, sim, transformador. Que ajuda a garantir que crianças estejam em sala de aula, sejam vacinadas e tenham acompanhamento nutricional, além de assegurar às gestantes o acompanhamento pré-natal.

Ao contrário do que alguns, com suas barrigas cheias, defendem, é preciso manter o Bolsa Família e fortalecê-lo, mas construindo uma porta de saída que, aliás, já está prevista no programa. Isso é possível através da capacitação dos beneficiários para o mercado de trabalho e de ações de incentivo às empresas que abrirem as portas para oportunizar a essas pessoas um emprego e uma nova perspectiva de vida.

Afinal, dignidade não está na perpetuação dessas pessoas como dependentes, mas, sim, na criação de condições para que possam construir as suas próprias histórias.

Lula e Flávio

Vamos acompanhar como será a passagem do presidente Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) por Santa Catarina, neste sábado. Florianópolis, Joinville e Chapecó se preparam para os eventos de campanha.

Compromisso com a Fiesc

A FIESC entrega, hoje, aos candidatos ao Governo do Estado João Rodrigues (PSD), Jorginho Mello (PL) e Ralf Zimmer (PRD) a Carta da Indústria de Santa Catarina, com 88 propostas para os próximos quatro anos. Segundo o presidente da entidade, Gilberto Seleme, um dos principais pontos será a busca pelo compromisso dos candidatos de não aumentar a carga tributária. O documento foi elaborado após consulta ao setor produtivo catarinense e reúne propostas em dez áreas, entre elas desenvolvimento econômico, infraestrutura, educação, segurança pública, inovação e saúde.

Compromisso

O governador licenciado Jorginho Mello (PL), em agenda de campanha, participou, ontem, do Voz Única da Facisc. O líder dos liberais no estado apresentou as ações de seu governo e anunciou uma agenda voltada à infraestrutura, habitação, qualificação profissional, energia, segurança e eficiência da gestão, em um eventual segundo mandato. Jorginho destacou os mais de R$ 5 bilhões investidos nas rodovias estaduais e citou a Via Mar e o projeto Oeste-Mar como iniciativas estratégicas para melhorar a logística e a conexão das regiões produtoras com os portos.

Servidores

O candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD), anunciou aos servidores aposentados que, se for eleito, acabará com o desconto de 14% dos servidores aposentados que ganham menos de R$ 8.400. Segundo ele, o teto será o mesmo do INSS. “Nós vamos ter a data-base para o pagamento dos servidores, no mês de maio de cada ano”, afirmou.

Preocupação no Planalto

Lideranças e até a imprensa do Planalto Norte do estado estão preocupadas com a possibilidade de a região não eleger seus candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal. Entre os principais nomes para a Alesc estão o ex-deputado Silvio Dreveck (Progressistas) e Jaciara Machuga (PT), ambos de São Bento; Juliana Maciel (PL), ex-prefeita de Canoinhas; e Emerson Mass (MDB), ex-prefeito de Mafra. Para a Câmara Federal, um dos nomes é o Dr. Elói Quege (MDB), esposo da prefeita de Três Barras, Ana Quege (MDB). Segundo uma fonte, falta maior engajamento da região em apoio aos candidatos locais. “Tem gente querendo votar em candidatos de fora”, afirmou. No caso do emedebista, há duas multas eleitorais que constam como não quitadas, o que pode suspender o registro. A campanha afirma que já apresentou à Justiça os comprovantes de pagamento.