Bolsa Família sobe para R$ 691 e novos valores começam a ser pagos em outubro


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Marcelo Lula

O valor mínimo do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro. O reajuste de 15,04% foi oficializado nesta quinta-feira (17) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com a assinatura do Decreto nº 13.120, publicado em edição extra do Diário Oficial da União. É a primeira correção pela inflação desde a retomada do programa, em 2023.

A atualização considera a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. Além do novo piso de R$ 691, o benefício médio pago às famílias deverá passar de R$ 675 para R$ 777, um acréscimo nominal de R$ 102. Os novos valores começam a chegar aos beneficiários na folha de outubro.

O reajuste também alcança os benefícios adicionais que compõem o programa. O Benefício de Renda de Cidadania, pago por integrante da família, sobe de R$ 142 para R$ 164.

Já o Benefício Primeira Infância, destinado às famílias com crianças de zero a 7 anos incompletos, passa de R$ 150 para R$ 173. O Benefício Variável Familiar, direcionado a gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes entre 7 e 18 anos incompletos, aumenta de R$ 50 para R$ 58.

Impacto nas contas públicas

O secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que a atualização está prevista em lei e tem como objetivo preservar o poder de compra das famílias atendidas pelo programa.

Segundo Moretti, a recomposição foi definida levando em consideração as regras fiscais. A equipe econômica sustenta ter identificado espaço no Orçamento para acomodar a despesa por meio de remanejamentos, sem aumento do limite global de gastos do Governo Federal.

A Lei nº 14.601/2023, que instituiu o atual modelo do Bolsa Família, prevê a possibilidade de atualização dos valores dos benefícios.

O governo também deverá divulgar um relatório de avaliação das despesas detalhando o espaço fiscal utilizado para absorver o reajuste.

Para 2026, considerando os pagamentos a partir de outubro, o impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões. Em 2027, o custo adicional deverá ficar em torno de R$ 22 bilhões.

Segurança alimentar

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, relacionou a retomada do Bolsa Família, em 2023, aos resultados obtidos pelo país no combate à fome e à insegurança alimentar.

O Brasil deixou o Mapa da Fome em 2025 e, segundo o governo, permanece fora do levantamento. O indicador é utilizado pela Organização das Nações Unidas para identificar países nos quais 2,5% ou mais da população enfrenta subalimentação crônica.

Dias também destacou dados sobre a redução da insegurança alimentar severa no país.

Renda das famílias

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Bolsa Família ocupa papel central na política de transferência de renda do governo. Segundo ele, a correção reconhece a perda do poder de compra acumulada entre 2023 e 2026 e busca recompor os valores diante da inflação registrada no período.

Durigan também afirmou que o governo pretende acomodar o aumento dentro do Orçamento, sem alterar a trajetória das metas fiscais. A equipe econômica deverá fazer ajustes e remanejamentos para absorver o impacto da medida.

Além do Bolsa Família, o ministro citou a geração de empregos e o aumento da renda do trabalho entre as frentes utilizadas pelo governo para ampliar a renda das famílias brasileiras.