Visitas de Lula e Flávio movimentam cenário em SC; Carol favorece Carlos — e outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Somente nos próximos dias será possível medir os reais efeitos das visitas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL). Duas pesquisas serão divulgadas nesta semana: Paraná Pesquisas, na quarta-feira (23), e Quaest, na quinta-feira (24). Na próxima semana, será a vez da Neokemp.

A depender das datas de coleta, os dois levantamentos desta semana já poderão dar alguma indicação sobre o impacto das agendas no Estado. A expectativa é grande, principalmente nas campanhas do governador licenciado Jorginho Mello (PL) e do ex-deputado Gelson Merisio (PSB).

Jorginho aposta na mobilização da militância e de seu eleitorado para sustentar o cenário que hoje lhe é favorável e buscar a reeleição no primeiro turno. Merisio, por sua vez, espera ampliar o percentual de eleitores de esquerda que declaram voto em sua candidatura.

Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre a posição de Lula na disputa estadual, o presidente tratou de afastá-la. Ao chamar Merisio de seu “Engels (Friedrich)”, como ele mesmo disse, Lula deixou claro que considera o candidato do PSB um amigo e que está diretamente ao seu lado na eleição ao Governo do Estado.

Ao mesmo tempo, quando escolhe Jorginho como alvo de seu discurso, Lula ajuda a trazer a polarização nacional para a eleição estadual. O adversário direto do presidente na disputa pelo Palácio do Planalto é Flávio Bolsonaro, não Jorginho. Porém, ao criticar o governador, Lula provoca uma reação do liberal, o que ajudou, durante o domingo (20), a inflamar a militância de esquerda. O movimento pode ajudar Merisio a se aproximar ainda mais do eleitorado petista.

Do outro lado, Jorginho recebeu o Zero Um do ex-presidente Jair Bolsonaro para mobilizar a militância de direita. A escolha dos locais das agendas também chama a atenção. Em Joinville, o governador marcou território num município onde lidera as pesquisas e de onde escolheu seu candidato a vice, o ex-prefeito Adriano Silva (Novo), que deixou a administração bem avaliado. Além disso, João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio não têm, em suas chapas, nomes do município com o mesmo peso político local, situação que tem sido motivo de cobrança por parte do eleitorado joinvilense.

Depois, Jorginho e Flávio seguiram para Chapecó, principal reduto eleitoral de João Rodrigues. A passagem colocou a dupla dentro da casa do adversário e abriu uma disputa por votos em um campo onde o pessedista tem muita força.

Há, porém, uma diferença importante em relação a 2022. Nesta eleição, Jorginho parece ajudar Flávio Bolsonaro tanto quanto é ajudado. O governador chega à campanha com força eleitoral própria, enquanto Flávio enfrenta questionamentos e desgastes relacionados ao caso do Banco Master.

Mesmo assim, a presença de Flávio movimenta a militância e reforça a polarização num cenário estadual que, neste momento, é favorável ao governador. Em relação aos discursos, Lula e Flávio falaram principalmente para suas bolhas, insistindo numa polarização que continua retroalimentando os dois.

Fala de Lula

Há algum tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem criado problemas para si próprio com algumas declarações. Em Florianópolis, não foi diferente. O líder petista pode até ter razão quando questiona a relação política de setores do agronegócio com seu governo e destaca os recursos destinados ao setor. Mas isso não justifica uma declaração lamentável como a feita no sábado. “Não só votar, mas se ajoelhar pra mim”, afirmou Lula ao falar das lideranças do agro que não o apoiam. Foi uma frase triste de se ouvir e eleitoralmente impensada. Se a aproximação com o agro já era difícil, declarações como essa tornam o caminho ainda mais complicado.

Nova China

Nos bastidores do ato realizado no sábado, em Joinville, o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), conversou com o ex-prefeito Adriano Silva (Novo), candidato a vice na chapa do governador Jorginho Mello (PL). Durante a conversa, Silva defendeu que o Brasil precisa seguir o exemplo dos Estados Unidos e voltar a apostar na industrialização. A resposta de Flávio chamou a atenção. “Brasil vai ser a nova China, da parte boa”, afirmou. A declaração gerou surpresa, principalmente por partir de um integrante da família Bolsonaro. Desde 2018, a China e, principalmente, o regime comunista chinês estiveram frequentemente no centro das críticas feitas por representantes e apoiadores da direita brasileira.

A decisão de Carol

Carol opta por não ir a debate para não atrapalhar Carlos Bolsonaro — Imagem: Agência Câmara

A deputada federal Carol de Toni (PL) parece ter tomado uma decisão: a sua candidatura está em segundo plano, para não atrapalhar o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL). Essa é uma decisão pessoal da parlamentar. Carol havia anunciado que participaria dos quatro principais debates. Preferiu não comparecer ao realizado pela ND por um motivo claro: Carlos não vai a nenhum e, para preservá-lo, Carol também não vai, mesmo que isso custe a sua eleição. A questão é que o Zero Dois não vai por um claro desinteresse nas pautas de Santa Catarina. E Carol mostra que, neste momento, para ela, é mais importante preservar um candidato que não tem, em seu plano, qualquer defesa do Estado do que dialogar com o eleitor.

Sentindo

Nos bastidores, os trackings já começam a mostrar que Carlos Bolsonaro (PL) está perdendo fôlego na disputa ao Senado, e a falta de compromisso de campanha com as pautas do Estado tem, sim, feito a diferença. A campanha de Carol de Toni (PL) também terá que ficar atenta para não ser contaminada pela campanha do Zero Dois, a ponto de fazer com que ela perca tração.

Campagnolo

Campagnolo compartilhou a chamada para o debate — Imagem: Rede social

A deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL) compartilhou, através do story em seu perfil no Instagram, uma chamada para o debate ao Senado. Campagnolo escreveu: “É hoje: a sua chance de ouvir os candidatos e escolher o melhor senador para nossa amada Santa Catarina!” A parlamentar sabia que Carlos Bolsonaro (PL) não participaria. Mesmo assim, fez a postagem, mantendo a sua posição de torcer pela eleição de senadores catarinenses.

Apoio em Palhoça

Os vereadores de Palhoça Joel Pakão (Podemos), Pedro Pepê Freitas (Podemos), Diego do Biriba (Republicanos), Juninho da Farmácia (PL) e Arcendino Cerino, o Zunga (PL), realizaram um evento de apoio ao deputado estadual Camilo Martins (PL), que disputa a reeleição, e ao deputado federal Ricardo Guidi (PL), que também tenta a recondução à Câmara Federal. O encontro contou até mesmo com um vídeo gravado do governador Jorginho Mello (PL). “Estar em Palhoça já faz parte da minha agenda de trabalho. É uma grande cidade, em plena expansão, e temos trabalhado muito, principalmente em Brasília, para levar as questões que fazem parte da vida das pessoas”, disse Guidi em seu discurso.

Reforma tributária

Santa Catarina poderá enfrentar uma nova realidade na disputa por investimentos na área de distribuição. A reforma tributária reduz a influência dos benefícios estaduais na decisão das empresas sobre onde manter seus estoques e estruturas de abastecimento. Isso acontece porque ICMS e ISS serão substituídos gradualmente pelo IBS, com a arrecadação direcionada ao local onde a mercadoria é efetivamente consumida. Na prática, instalações catarinenses que tiveram a escolha do Estado favorecida principalmente pelo tratamento tributário precisarão se sustentar por outros diferenciais. Infraestrutura, acesso aos mercados, distância dos clientes e despesas de transporte deverão pesar mais nas decisões das companhias. O novo desenho coloca Santa Catarina diante do desafio de preservar sua capacidade de atrair e manter essas operações sem contar com o mesmo peso do incentivo fiscal.

Revendo rotas

A reforma tributária começa a provocar uma revisão nas estratégias de grandes empresas, e Santa Catarina está inserida nesse movimento. Pesquisa da consultoria Ilos com 110 companhias aponta que 21% pretendem transferir seus centros de distribuição para outros locais. No atacado, varejo e distribuição, a intenção de mudança alcança 33%. O levantamento também mostra o custo do modelo adotado até agora: metade das empresas consultadas admite gastar mais com logística para aproveitar benefícios tributários. A expectativa é de que a nova configuração dos impostos estimule estruturas mais próximas dos mercados atendidos e também leve à procura por fornecedores localizados perto dessas operações. Santa Catarina é mencionada no material entre os estados que receberam centros de distribuição favorecidos pela política de incentivos.