
Santa Catarina voltou a apresentar saldo positivo na geração de empregos em agosto, mas o resultado ainda não afasta os sinais de desaceleração da economia. O estado criou 4.452 empregos formais, alta de 0,17%, depois de três meses de estagnação. O desempenho surpreendeu diante dos juros elevados e do comprometimento da renda das famílias com dívidas.
O economista-chefe da Federação das Indústrias de Santa Catarina, Pablo Bittencourt, explica que o mercado de trabalho vem sentindo os efeitos da perda de ritmo da atividade econômica. “Basicamente, a gente tem um processo de desaceleração da atividade econômica, que é explicado por juro alto, redução da renda disponível às famílias, dado um elevado nível de endividamento. E isso vinha se revelando no mercado de trabalho aqui de Santa Catarina nos últimos três meses”, afirma. Ele destaca que o dado surpreendeu porque veio muito forte, com uma geração de emprego bem acima das expectativas.
A recuperação, porém, ficou concentrada. A indústria geral abriu 1.713 vagas, sendo 1.661 na indústria de transformação, enquanto os serviços responderam por 3.970 postos. Na outra ponta, o comércio perdeu 466 vagas; a construção fechou 126; e a agropecuária, 639.
Na indústria, o avanço foi puxado especialmente pelo complexo eletro-metal-mecânico, com destaque para veículos e carrocerias, materiais elétricos e equipamentos de transporte, além do setor de alimentos. “São alguns segmentos da indústria, especialmente metalmecânica, peças para veículos e materiais elétricos, que estão em recuperação há dois ou três meses. Alimentos também está numa certa recuperação”, explica o economista.
Nos serviços, parte do resultado pode estar relacionada a fatores sazonais, como as contratações na educação com o início do semestre e atividades de telecomunicações e telemarketing relacionadas ao período eleitoral.
Mesmo com a reação, o chamado “termômetro do emprego” da Fiesc mostra que a geração de postos de trabalho em Santa Catarina permanece abaixo da média histórica.
Bittencourt reforça que o resultado positivo não significa, por enquanto, uma mudança de tendência. “A maior parte dos setores continua revelando desaceleração. Geração negativa no comércio, na construção, vários segmentos da atividade industrial. Mas tem um saldo positivo que é explicado por segmentos específicos na indústria e também alguns segmentos dos serviços”, resume.
Reações

A estratégia do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) de intensificar os ataques contra o senador Esperidião Amin (Progressistas) passou a gerar reação dentro da própria direita. Silvio Grimaldo, editor e cientista que trabalhou com Olavo de Carvalho, publicou uma edição de vídeo reunindo manifestações de nomes do bolsonarismo elogiando o senador catarinense. No vídeo, aparecem declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro, de Eduardo Bolsonaro, do senador Jorge Seif e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Carlos contrariado
O conteúdo publicado por Silvio Grimaldo evidencia uma contradição na ofensiva adotada por Carlos Bolsonaro (PL) nos últimos dias da campanha: ao atacar o senador Esperidião Amin (Progressistas), ele entra em confronto político com um nome que já recebeu elogios públicos de algumas das principais lideranças do próprio campo bolsonarista. A estratégia também chama a atenção pelo momento eleitoral. Carlos aparece com índices elevados de rejeição em levantamentos recentes, enquanto a disputa pelas duas vagas ao Senado segue apertada.
Debate na esquerda
Há um forte debate na esquerda catarinense: dar o voto útil para o senador Esperidião Amin (Progressistas), o que poderá ajudá-lo a ficar com uma das vagas ao Senado e, consequentemente, tirar um dos nomes do PL, sendo Carlos Bolsonaro o mais provável, ou apostar todos os seus votos em Afrânio Boppré (PSOL) e Décio Lima (PT). Quem defende o segundo voto em Amin alega que seria a decisão mais estratégica para evitar que Carlos se torne senador. “É um inimigo do nosso campo que, se eleger, irá trabalhar contra nós”, relatou uma fonte que defende o voto útil em Amin. Por outro lado, se intensificou um movimento que inclui críticas ao próprio Amin, que é visto como um nome da direita que apoia o bolsonarismo.
Briga pela vaga

A vereadora de Criciúma Giovana Mondardo (PCdoB) e a vereadora de Florianópolis Carla Ayres (PT) devem disputar a terceira vaga na Câmara Federal. Os deputados Pedro Uczai (PT) e Ana Paula Lima (PT) já estão na conta dos partidos como reeleitos. Por isso, nesses últimos dias de eleição, as movimentações de Carla e Giovana devem se intensificar.
Não governa
Com forte trânsito na Câmara de Vereadores de Florianópolis, uma fonte me procurou para comentar um dos assuntos da coluna de ontem, quando informei, em uma das notas, que o prefeito Topázio Neto (Podemos) prometeu ao vereador Roberto Katumi (PSD) a presidência do Legislativo em troca do apoio do pessedista a Fábio Botelho (Podemos), que disputa uma vaga na Alesc. “Se ele fizer isso, não governa mais”, afirmou a fonte. Parece que o assunto não agradou aos vereadores.










