O possível caminho para o bipartidarismo; resultado da eleição já aponta possíveis nomes para 2028 nos municípios


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Marcelo Lula

Disputa entre Lula e a família Bolsonaro alimenta a polarização nacional — Imagem: Divulgação

O dia seguinte à eleição foi de avaliações e de leituras muito críticas ao cenário apresentado pela eleição de domingo. O que me chamou a atenção é que lideranças de partidos diferentes fazem a mesma leitura: podemos estar a caminho de um possível bipartidarismo no Brasil.

Segundo essas lideranças, as três últimas eleições, incluindo a deste ano, mostraram que, obrigatoriamente, os políticos terão que ter um posicionamento claro, seja de direita ou de esquerda. Caso contrário, se permanecerem no centro, serão engolidos, porque o que está prevalecendo, segundo observaram, é o radicalismo ideológico.

Vale lembrar que o bipartidarismo de hoje, caso se confirme, será um processo natural, ao contrário da ditadura, quando Castello Branco, através de um Ato Institucional, proibiu o pluripartidarismo, permitindo apenas a existência da Aliança Renovadora Nacional (Arena), que deu sustentação ao regime, e do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição.

Um marqueteiro com quem conversei, embora concorde que a polarização está normalizada como uma nova realidade da política nacional, entende que esses próximos quatro anos também serão de grande desafio para a direita. Embora os liberais tenham elegido e reelegido governadores experientes, também há os casos de governadores que são vistos como uma verdadeira aposta, a exemplo de Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais, e Douglas Ruas (PL), caso seja confirmado vencedor no primeiro turno no Rio de Janeiro.

Para esse profissional, se esses governos não derem certo e uma eventual presidência de Flávio Bolsonaro (PL), caso ele vença no segundo turno, também não atender aos anseios da população, é possível que haja uma recuperação do centro. Mesmo assim, entende que o cenário de hoje é de grande dificuldade para os demais partidos e que a tendência é que o PL, que elegeu 121 deputados federais, e o PT, com 70, mantenham o controle do cenário.

Esse caminho também pode desenhar 2030 aqui no estado. O governador Jorginho Mello (PL), com a musculatura que conquistou, construirá uma candidatura forte à sua sucessão, enquanto Gelson Merisio (PSB) terá mais tempo para construir sua relação com a esquerda e surgir, mais uma vez, como o candidato do campo progressista.

A força de Ceretta

Luciane Ceretta sai fortalecida da eleição, mesmo sem ter sido candidata — Imagem: Notuurno

A secretária de Estado da Educação, Luciane Ceretta, saiu dessa eleição ainda mais forte. Ela teve um importante papel na construção de apoios à reeleição do governador Jorginho Mello (PL) na região Sul do estado, incluindo o de prefeitos.

Botelho e 2028

Fábio Botelho ganha musculatura com eleição para a Alesc — Imagem: Divulgação

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), fez uma aposta arriscada. Determinou que, para ele, pensando na sucessão, a prioridade era eleger o seu ex-chefe de gabinete Fábio Botelho (Podemos) a deputado estadual, e conseguiu. Somente na capital, Botelho fez 21.912 votos e passou a ser o nome de Topázio para 2028. Embora a decisão ainda vá passar pelo governador Jorginho Mello (PL), sobre quem efetivamente disputará a eleição municipal pela situação, o fato é que Topázio conseguiu construir um nome que começa a ser considerado para a disputa.

Loureiro

Loureiro quer observar o cenário, mas não descarta disputar em 2028 — Imagem: Divulgação

O que chamou a atenção foi o desempenho do ex-prefeito Gean Loureiro (UB). Fez 11.412 votos em Florianópolis, votação abaixo do esperado. Mesmo assim, Loureiro, que não se elegeu deputado estadual por cerca de 3 mil votos, planeja observar o cenário e não descarta a possibilidade de disputar a prefeitura novamente. Como será um cenário mais local, pode ser que o desempenho seja outro, embora o ex-prefeito tivesse planejado fazer uma boa votação para chegar com mais musculatura à disputa municipal.

Força de esquerda

Marquito e Carla Ayres devem ser os nomes da esquerda para 2028 em Florianópolis – Imagem: Divulgação

O deputado estadual Marcos Abreu, o Marquito (PSOL), fez, em Florianópolis, 37.062 votos. Saiu reeleito e também como a liderança da capital que fez mais votos em seu colégio eleitoral. A vereadora Carla Ayres (PT) fez 35.593 votos para federal em Florianópolis e ficou na suplência. Ou seja, Marquito e Carla saem do pleito como prováveis candidatos à Prefeitura. Um detalhe: é possível que Marquito não fique mais no PSOL, porque o partido não atingiu a cláusula de barreira.

Cláusula de Barreira

Rodrigo Minotto é o presidente do PDT no estado — Imagem: Divulgação

Quem também terá que pensar numa possível troca de partido é o deputado estadual reeleito Rodrigo Minotto. Ligado à região Sul do estado, Minotto é filiado ao PDT, que também não atingiu a cláusula. Os partidos que não alcançam a cláusula ficam sem acesso ao fundo partidário e sem espaço gratuito de rádio e TV. Também não atingiram a Federação PSOL/Rede, o Avante, o Missão e a Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade).

Disputa em Palhoça

Reeleição de deputados desenha a disputa municipal de 2028 — Imagem: Divulgação

Em Palhoça, a eleição de domingo desenhou a provável disputa à sucessão do prefeito Eduardo Freccia (PL), em 2028. Contando somente os votos no município, o deputado reeleito Sérgio Guimarães (UB) fez 27.100, enquanto Camilo Martins (PL) alcançou 20.068. Eles devem ser os candidatos principais. O atual vice, Rosinei Horácio (Podemos), somente disputará se Martins não for candidato. Ele fez, no município, para deputado federal, 15.656 votos. Já Luciano Pereira (Novo) fez apenas 6.291 votos.

Candidatíssimo

Antídio Lunelli deve disputar um terceiro mandato em Jaraguá – Imagem: Alesc

Quem sai da eleição já se preparando para 2028 é o deputado estadual Antídio Lunelli (MDB), que não se elegeu ao Senado. Lunelli nunca negou que pretende voltar a ser prefeito de Jaraguá do Sul. É um nome praticamente certo na próxima disputa municipal. Na eleição ao Senado, Antídio foi o terceiro mais votado em Jaraguá, com 35.704 votos, perdendo para Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL). O interessante é que o primeiro suplente na chapa, o deputado Volnei Weber (MDB), deve disputar a Prefeitura de São Ludgero.

Chapecó

Eleição apresentou os possíveis nomes para a disputa municipal — Imagem: Divulgação

Em Chapecó, alguns nomes também podem ser observados visando 2028 após o resultado da eleição. O prefeito Valmor Scolari (PSD) será o candidato natural à reeleição, devendo contar com a força do ex-prefeito João Rodrigues (PSD). Entre os que disputaram a eleição deste ano, destaque para a votação no município, do deputado federal reeleito Pedro Uczai (PT), com 18.786 votos; da deputada estadual reeleita Luciane Carminatti (PT), que fez 17.722; e do vereador Fernando Cordeiro (PL), que, mesmo apadrinhado pela senadora eleita Carol de Toni (PL), não se elegeu a deputado federal, mas fez 16.835 votos, o que o coloca no páreo. Outro nome do PL que também pode surgir com força é o deputado estadual eleito Leandro Sorgatto, que fez 15.125 votos em Chapecó.

Outros cenários

Amanhã abordarei outros cenários.