
Lucas Neves passou da 39ª posição entre os deputados eleitos em 2022 à reeleição como o quarto mais votado — sem o 22 no peito. Conquistar mais de 82 mil votos em todo o estado exige uma combinação de fatores (…) ou, como se costuma dizer, um alinhamento dos planetas.
Marketing
Do ponto de vista do marketing e da comunicação, a campanha de Lucas é um caso de sucesso. O posicionamento de sua imagem e a narrativa dominante de “deputado mais atuante da região”, construída ao longo do mandato, ajudam a explicar o resultado nas urnas.
A força dessa mensagem podia ser observada naquilo que meu amigo Maurício Locks chama de “caixa de ressonância”: as redes sociais. Quer saber se uma narrativa ganhou força? Observe se as pessoas a reproduzem espontaneamente. No caso de Lucas, reproduziam.
Há quatro anos, o jornalista Alisson Francisco é responsável pelo marketing digital do deputado e pelos números expressivos alcançados nas redes.
Contraponto
Outro fator relevante foi o contraste entre Lucas e Marcius Machado. Quando dois deputados têm sua base na mesma cidade, a comparação é inevitável. Do ponto de vista da comunicação, pautas diversificadas e ligadas a necessidades urgentes podem transmitir uma percepção de atuação mais abrangente.
Bandeiras específicas, como a causa animal, e entregas pontuais, como quadras de futebol e parques infantis, têm seu público, mas podem encontrar maior dificuldade para alcançar outros segmentos do eleitorado.
Sem polêmicas
Soma-se a isso o distanciamento de polêmicas e conflitos. Em disputas cada vez mais marcadas pela rejeição, preservar a imagem é uma vantagem competitiva. Lucas manteve o foco de sua comunicação no trabalho e nos resultados do mandato.
Articulação
Com uma imagem capaz de alcançar diferentes públicos, o deputado fez dobradinhas com candidatos em praticamente todo o estado. Essa articulação ampliou sua presença para além da base na Serra, por meio de alianças com lideranças que já tinham capital eleitoral em suas regiões.
Apoio político
Os dois dividiram o apoio público da prefeita Carmen Zanotto. Dentro da estrutura do Executivo municipal, porém, Lucas teve o apoio de três setores: Educação (Cristian de Oliveira), Desenvolvimento Econômico (Joel) e Procon (Kevin), enquanto Marcius contou com nove. Nesse quesito, a desigualdade de forças, ao menos pelo que sei, não gerou conflitos nem cobranças públicas por parte do deputado do Republicanos.
Os “farelos” pós-eleição
Passada a eleição, restaram os “farelos”, para usar a expressão do senador Esperidião Amin. Nesse caso, trata-se da disputa pelo crédito do resultado. A atribuição de parte do desempenho de Lucas ao apoio da Prefeitura provocou incômodo em sua equipe.
Em conversa, um membro da equipe de campanha fez os seguintes comentários:
— Muita gente atribui esse resultado ao apoio da Prefeitura, mas não foi isso que aconteceu. A votação veio do trabalho que fizemos e da confiança que conquistamos nas ruas.
— Fizemos tudo na raça. Foi o trabalho político do nosso time, aliado a uma boa comunicação, que fez a diferença.
A campanha reivindica o mérito do trabalho nas ruas. Na minha leitura, o salto eleitoral veio da combinação desse trabalho com recursos, comunicação e articulação política. Mais do que divulgar entregas, Lucas conseguiu consolidar uma imagem que o próprio eleitor reconhecia e reproduzia.

