Lages registra R$ 891,93 milhões em arrecadação, mas relatório aponta insuficiência de caixa para despesas gerais


Foto de Jean Carlo Lima

Jean Carlo Lima

Relatório de agosto aponta desequilíbrio entre recursos disponíveis e compromissos assumidos pela administração municipal – Arte: Divulgação

O Portal da Transparência de Lages registra R$ 891,93 milhões em arrecadação em 2026, conforme consulta realizada em 8 de outubro. No mesmo exercício, foram registrados R$ 770,52 milhões em despesas empenhadas, R$ 709,51 milhões liquidadas e R$ 700,01 milhões pagas.

Apesar do volume arrecadado, o relatório fiscal de agosto mostra que faltavam R$ 21,86 milhões para cobrir os compromissos considerados na categoria dos recursos não vinculados — usados nas despesas gerais da administração.

Nem toda arrecadação está disponível

O total arrecadado reúne os registros da Prefeitura, Semasa, LagesPrevi e fundos municipais. Parte desse dinheiro tem destinação obrigatória, e o valor ainda exige ajustes para considerar deduções e movimentações entre entidades.

Por isso, subtrair os pagamentos da arrecadação não revela quanto a Prefeitura tem disponível para gastar.

Quanto foi comprometido e pago

As despesas aparecem em três etapas:

Empenhadas: compromissos registrados no orçamento — R$ 770,52 milhões.

Liquidadas: despesas conferidas e reconhecidas para pagamento — R$ 709,51 milhões.

Pagas: dinheiro que saiu do caixa — R$ 700,01 milhões.

Os valores incluem pessoal, encargos, manutenção dos serviços e investimentos das entidades consultadas. A Câmara não integra esse conjunto.

Essas etapas não devem ser somadas, porque representam o andamento das mesmas despesas. Do total empenhado, R$ 70,51 milhões ainda não haviam sido pagos: R$ 9,50 milhões estavam liquidados e R$ 61,01 milhões aguardavam liquidação. Esses valores não representam, necessariamente, contas atrasadas.

Compromissos antigos e dívida

O caixa de 2026 também foi usado para pagar despesas de anos anteriores. Até agosto, foram pagos R$ 24,07 milhões em restos a pagar. Após pagamentos e cancelamentos, restavam aproximadamente R$ 854 mil dessas obrigações.

Na mesma data, a dívida consolidada era de cerca de R$ 113 milhões, formada principalmente por financiamentos e empréstimos. O saldo caiu em relação aos R$ 149,52 milhões registrados no encerramento do ano anterior.

Essa dívida tem vencimentos distribuídos ao longo do tempo. Somá-la integralmente às despesas de 2026 poderia contar valores duas vezes, pois parcelas pagas no ano podem já estar incluídas nos gastos apresentados.

Havia dinheiro, mas faltava cobertura

O relatório de agosto mostra R$ 28,33 milhões em caixa na categoria dos recursos não vinculados. Após descontar as obrigações financeiras, restavam R$ 15,63 milhões. Entretanto, havia outros R$ 37,49 milhões em despesas empenhadas ainda não liquidadas.

O resultado era uma insuficiência de R$ 21,86 milhões. Na prática, o dinheiro disponível nessa categoria não cobria todos os compromissos considerados no relatório. Isso não significa que os R$ 21,86 milhões fossem contas vencidas.

Os dados apontam pressão sobre o caixa, mas não comprovam que todo o orçamento esteja esgotado ou que uma crise fiscal seja inevitável. O fechamento de 2026 dependerá da arrecadação restante, dos novos compromissos e da evolução dos pagamentos. Como o demonstrativo retrata agosto, ele não permite afirmar qual era a situação do caixa em outubro.

Acesse o nosso Canal no WhatsApp!

Criamos um canal oficial no WhatsApp — e você já pode fazer parte!

Mais agilidade, mais bastidores, mais DENÚNCIAS direto no seu celular.

Sem grupos, sem conversas, só informação exclusiva, com a credibilidade do Santa Catarina em Pauta.

Acesse e siga agora:

https://whatsapp.com/channel/0029Vb6oYQTEgGfKVzALc53t

E NÃO ESQUEÇA DE ATIVAR O SININHO PARA RECEBER TUDO EM TEMPO REAL!