
A direita e a esquerda catarinenses estão de olhos voltados para 1.233.754 eleitores que não votaram em ninguém para presidente da República. Desses, 1.086.492 não votaram, 69.007 votaram em branco e 78.255 anularam o voto.
Após uma reunião em Brasília com os comandos do PT em cada estado, o deputado estadual reeleito Fabiano da Luz, que preside o partido, me disse que o trabalho está sendo feito nas bases e no mapeamento dos locais onde tiveram mais abstenções. A ideia é fazer essa parcela do eleitorado sair de casa para votar no próximo dia 25.
Fabiano entende que, ao contrário do primeiro turno, a campanha ganhou um maior engajamento, sobretudo nas redes sociais. Ele acredita que será possível sentir, nos próximos dias, que houve um crescimento do presidente Lula (PT).
Já uma outra liderança, que pediu para não ter o nome divulgado, entende que é válida a mobilização, mas não tem certeza se as mudanças que eram, segundo a fonte, necessárias ainda no primeiro turno não estão sendo feitas tardiamente. “Deixaram a direita dominar a narrativa”, destacou. Questionada se a esquerda errou ao não perceber mudanças em seu eleitorado, a fonte concordou.
Já na direita, o governador Jorginho Mello (PL) e demais lideranças estão empenhados em trabalhar para ampliar a votação obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. A leitura é que uma vitória do Zero Dois dará ao estado um maior poder de articulação com Brasília. Inclusive, uma pauta de reivindicações já teria sido entregue.
Na semana passada, Jorginho participou de um encontro organizado pelos liberais na capital federal. Além disso, ele deve se reunir nesta semana com lideranças e deputados para pedir que todos se empenhem nessas duas últimas semanas de campanha.
No sábado, os partidos de esquerda realizaram, em Florianópolis, uma mobilização intitulada “Bora Lula”. Militantes, simpatizantes e lideranças políticas participaram do evento que, segundo a organização, reuniu cerca de 10 mil pessoas.
Já no próximo sábado (17), será a vez da direita. A Motociata do 22 terá início em Florianópolis e reunirá as lideranças liberais. O governador Jorginho Mello (PL) participará ao lado dos governadores eleitos Sérgio Moro (PL), do Paraná, e Luciano Zucco (PL), do Rio Grande do Sul. O início está marcado para as 8h22, na Via Expressa Sul, próximo ao trevo do Pantanal.
Comando da Alesc

A presidência da Assembleia Legislativa a partir do próximo ano já está em discussão. Dois nomes aparecem como favoritos: Fernando Krelling (MDB) e Ana Caroline Campagnolo (PL). A ideia no governo é construir um mandato compartilhado por emedebistas e liberais. Sobre Campagnolo, há o entendimento de que se faz justiça à reeleição histórica da liberal. Quanto a Krelling, mesmo com o MDB na aliança que apoiou João Rodrigues (PSD), ele se manteve como apoiador do governador Jorginho Mello (PL). O fato de Krelling ser visto como cumpridor de palavra, somado à possibilidade de uma renovação no comando da Alesc e à sua atuação no parlamento, foi levado em conta.
Conta
Somente com a bancada do PL, mais as bancadas do Podemos e do Republicanos, que disputaram sob o guarda-chuva dos liberais, o governo Jorginho Mello (PL) 2.0 já terá a maioria na próxima legislatura. O aceno ao MDB, segundo uma fonte, poderá ampliar o apoio, sendo que o governo já conta com Fernando Krelling e Jerry Comper, mas um segundo ou terceiro nome também poderá aderir. Já seriam algo entre 23 e 24 parlamentares. Pelo menos dois da Federação União Progressista também devem integrar a base.
Gesto

A esquerda ampliou a sua representatividade na Assembleia Legislativa, com a eleição do vereador de Blumenau Jean Volpato (PT). São, ao todo, cinco petistas, mais Marcos Abreu, o Marquito (PSOL), que poderá se filiar ao PT, a depender de como ficará o PSOL, que não atingiu a cláusula de barreira, e mais o PDT, com Rodrigo Minotto. Fontes me disseram que a relação com a base do Governo do Estado dependerá de gestos. Isso quer dizer que a esquerda vai trabalhar por uma vaga na mesa diretora e também por vagas em comissões importantes. “Vamos defender a harmonia na formação dos espaços. Se houver, a relação será boa, mas, se formos excluídos, aí teremos que ir para o enfrentamento”, afirmou uma das lideranças.
Passou o bastão

O empresário de Chapecó Leandro Sorgatto (PL) foi uma das surpresas dessa renovação na Assembleia Legislativa. Na sua primeira eleição, Sorgatto vai para o parlamento, onde seu pai foi deputado por três mandatos. Gelson Sorgatto (MDB) foi deputado estadual e também prefeito de Xaxim.
Mudança

O vereador de Chapecó Paulinho da Silva poderá deixar o PCdoB. Um dos principais nomes da esquerda no Oeste, Silva estaria descontente com o partido. Segundo uma fonte, o motivo do descontentamento teria sido a falta de um maior apoio à sua eleição para deputado estadual. Paulinho será o primeiro suplente da Federação Brasil da Esperança – Fé Brasil, após ter feito 14.099 votos. Como tem mandato, Silva só poderá mudar de partido na janela para as eleições municipais. Nos bastidores, é dito que ele poderá se filiar ao PT.
2028

Mais um nome se apresentou como possível candidato a prefeito em 2028. O deputado estadual reeleito Maurício Peixer (PL) anunciou que pretende disputar a Prefeitura de Joinville. Peixer foi vereador por sete mandatos e, inclusive, chegou a presidir a Câmara. Vai para o seu segundo mandato na Alesc.





