Chiodini avalia o desempenho do MDB nas eleições; partido pode perder um dos deputados reeleitos; a aproximação de Juliana Pavan com o PL – E outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Chiodini deve reunir o partido após o segundo turno da eleição – Imagem: MDB

O MDB segue digerindo o resultado da eleição deste ano aqui no estado e somente deve se reunir para fazer uma avaliação do cenário após o segundo turno da disputa à Presidência da República.

Essa é a ideia do presidente estadual, Carlos Chiodini. Os emedebistas saem do pleito baixando de dois para um deputado federal, com a reeleição de Rafael Pezenti, e de seis para quatro deputados estaduais. Não houve nenhum nome novo, apenas as reeleições de Fernando Krelling, Mauro De Nadal, Tiago Zilli e Jerry Comper.

Em 2022, o partido fez 415.237 votos para federal, baixando para 411.685 neste ano. Para estadual, baixou de 505.571 para 377.949. Para Chiodini, o resultado se deve à forte polarização que tem dominado a política nacional.

A avaliação do líder emedebista encontra sentido nos números. O PL subiu de 878.708 votos na eleição para deputado estadual em 2022 para 1.528.729 votos no pleito deste ano. Além disso, os liberais passaram de 962.053 votos para federal em 2022 para 1.539.134. Do outro lado, mesmo no estado em que a maioria dos eleitores se identifica como de direita, o PT passou de 480.911 votos para a Câmara Federal em 2022 para 574.630 votos na disputa deste ano. Para estadual, também teve avanço, de 438.030 votos para 477.829. Ou seja, o crescimento ocorreu nos dois polos da disputa.

Chiodini destaca que o MDB não foi o único prejudicado pela polarização, ao lembrar que partidos tradicionais como o Progressistas, o PSD e o União Brasil também não tiveram bons resultados.

Questionado sobre qual seria o caminho ideal para o MDB e demais partidos de centro diante desse cenário em que a onda 22 se tornou um tsunami, Chiodini respondeu: “Essa é a pergunta de milhões. Quem tem a resposta?”, indagou. Mesmo assim, mostrou que hoje há um cenário em que os partidos fora da polarização ou se tornam acessórios, mas entende que não ganharão com esse posicionamento, ou lutam para tentar mudar o momento. “Um exemplo de acessório é o Partido Novo. Eles se mantiveram na mesma situação, com um federal e um estadual, não mudou nada”, destacou. E completou dizendo que os que não eram do PL e se aproximaram do bolsonarismo só alimentaram um movimento que os fez perder.

Eleições municipais

Quanto às próximas eleições, o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, entende que o cenário é outro. “Nas municipais, é um campo em que jogamos bem. E mais, não refletem mais em nada na disputa nacional”, destacou. E cita o PT, em que o presidente Lula (PT) fez 25,04% dos votos, enquanto os petistas têm apenas 7 prefeituras. “O percentual do Lula não se encaixa com os números do partido nos municípios”, comparou.

Posicionamento em SC

De acordo com Carlos Chiodini (MDB), qualquer conversa sobre o posicionamento do partido aqui no estado acontecerá somente após o segundo turno. Todas as possibilidades estão em aberto, pois foi eleita uma bancada na Assembleia Legislativa que, a princípio, estará dividida. De um lado, Mauro De Nadal e Tiago Zilli; de outro, Fernando Krelling e Jerry Comper.

Pode reduzir

Jerry Comper está insatisfeito com o MDB e reclama da falta de apoio – Imagem: Divulgação

Ontem, em entrevista à Rádio Difusora de Rio do Sul, o deputado estadual reeleito Jerry Comper (MDB) fez duras críticas ao seu partido. Ele revelou que foi convidado, no ano passado, para se filiar ao PL e ser candidato a deputado federal, mas que preferiu ficar no partido por lealdade e que, mesmo assim, se sentiu abandonado, pois não teve apoio nem fundo eleitoral. Questionado se deverá permanecer no MDB, ele respondeu: “Acredito que Deus pode responder isso. Mas é bem difícil”, afirmou. Vale lembrar que Comper foi secretário de Estado da Infraestrutura no primeiro governo de Jorginho Mello (PL) e que, por isso, apoiou a reeleição do líder dos liberais.

Futuro de Juliana

A aproximação de Juliana Pavan com o PL se intensificou nos últimos meses – Imagem: Divulgação

A relação da prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD), com lideranças do Partido Liberal tem levantado rumores após a eleição estadual. Em conversa por telefone, a questionei sobre a possibilidade de mudança para o PL. Ela respondeu que, neste momento, está focada em seu mandato. Disse que tem muita gratidão pelo PSD, que a ajudou a chegar aonde está. “Sou leal e grata por quem me ajudou”, afirmou. Porém, além de apoiar João Rodrigues na disputa ao governo e o deputado Júlio Garcia, que se elegeu à Câmara Federal, Juliana também se engajou fortemente pela reeleição do deputado estadual Carlos Humberto Silva (PL) e de Carol de Toni (PL) ao Senado. Além disso, houve, nos últimos meses, uma aproximação com o governador Jorginho Mello (PL), com quem mantém uma boa relação.

Recados

A prefeita de Balneário Camboriú, Juliana Pavan (PSD), também apoiou, no primeiro turno, Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, mesmo tendo Ronaldo Caiado (PSD) como candidato de seu partido. Durante a conversa, ela disse discordar da decisão do presidente nacional, Gilberto Kassab, de anunciar neutralidade. Para ela, todo o PSD deveria ser orientado a apoiar Flávio. Novamente sobre o seu futuro partidário, ela afirmou: “Temos muitos desafios pela frente, muita coisa pra corrigir, melhorar e entregar aqui. A eleição trouxe recados importantes, que precisam ser avaliados com responsabilidade. Política exige diálogo e leitura de cenário, e eu não vou antecipar uma decisão que não existe. Meu partido hoje é Balneário Camboriú”, afirmou.

Na campanha de Lula

Giovana foi convidada a contribuir com ideias para a campanha de Lula – Imagem: Divulgação

A vereadora de Criciúma, Giovana Mondardo (PCdoB), que se elegeu deputada federal, esteve ontem em Brasília a convite da campanha do presidente Lula (PT). Ela faz parte de um grupo de jovens que se elegeram para ajudar na elaboração de estratégias para as redes sociais. Giovana foi eleita com 114.792 votos, sendo que, em Criciúma, chegou a 16.099, perdendo apenas para a sua principal adversária, Júlia Zanatta (PL). Giovana fará parte da equipe de jovens que auxiliará a campanha de Lula neste segundo turno.

Insatisfação

Vereadora reclama da falta de apoio na eleição – Imagem: Divulgação

A vereadora de Chapecó, Edi Folle (PSD), está insatisfeita com o seu partido após não ter sido eleita deputada federal, tendo feito apenas 4.171 votos. Somente em Chapecó, ela fez 2.913. Para Edi, os votos que conseguiu se devem ao seu trabalho, não à força do partido. “Eu fiquei só. Trabalhei só aqui no Oeste. O João (Rodrigues) não conseguiu me transferir votos, como a Carol (de Toni) transferiu para o Fernando Cordeiro (PL)”, lamentou. Folle reclamou da falta de apoio de integrantes do partido, que segundo ela, temeram o seu crescimento no município. Edi também lamenta que Fabiana Rodrigues não tenha sido candidata a deputada estadual, por entender que a dobradinha teria ajudado na sua votação.

Resultado animou

Gemada saiu prestigiado no Podemos após a eleição – Imagem: Divulgação

Mesmo não tendo sido eleito para a Câmara dos Deputados, o vereador de Florianópolis Gilberto Pinheiro, o Gemada (Podemos), saiu prestigiado em seu partido e também por integrantes da gestão Topázio Neto (Podemos). Gemada recebeu 21.709 votos, sendo que, na capital, 17.426 votos, ficando entre os três mais votados. Além disso, a avaliação no partido é que, sem os seus votos, Ana Paula da Silva, a Paulinha, não teria sido eleita. O resultado animou a base de Gemada, que defende a sua participação nas articulações para a eleição de 2028 à Prefeitura de Florianópolis.

Rachadinha

Importante esclarecer que o procedimento preliminar de investigação aberto pelo Ministério Público sobre uma suposta rachadinha na Assembleia Legislativa, entre os anos de 2019 e 2023, relatada ontem pela coluna, tem como alvo o gabinete do ex-deputado Milton Hobus. Ainda não há a identificação dos supostos envolvidos, nem mesmo Hobus foi citado publicamente pelo MP. Apenas que a suposta prática envolveria repasses indevidos de remuneração por servidores do gabinete. A investigação deverá apurar se houve irregularidades e, em caso positivo, identificar os envolvidos.

Manifestação

O ex-deputado estadual Milton Hobus foi procurado pela coluna, mas só respondeu ontem, quando enviou uma nota sobre a suposta rachadinha. Segue a nota:

Diante da notícia veiculada nesta terça-feira (6) sobre a instauração, pelo Ministério Público de Santa Catarina, do Procedimento Investigatório Criminal nº 06.2026.00004398-7, relativo a supostos repasses de remuneração por servidores lotados no gabinete do então deputado estadual Milton Hobus, a defesa esclarece o que segue.

1. Milton Hobus não é investigado. O extrato de instauração divulgado pelo próprio Ministério Público indica como objeto a apuração de condutas atribuídas a servidores, identificados apenas por iniciais, e não ao parlamentar. Milton Hobus não foi notificado, intimado ou chamado a prestar esclarecimentos em qualquer procedimento.

2. A tramitação na 12ª Promotoria de Justiça da Capital confirma essa realidade. Por imposição constitucional, fatos atribuídos a um deputado estadual no exercício do mandato somente podem ser apurados pelo Procurador-Geral de Justiça, sob supervisão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, regra que o Supremo Tribunal Federal mantém mesmo após o encerramento do mandato. Se Milton Hobus fosse alvo da apuração, o procedimento não poderia tramitar em promotoria de primeiro grau.

3. Trata-se de procedimento preliminar. O PIC é instrumento de coleta inicial de informações. Não há denúncia, não há réu e não há qualquer conclusão sobre a existência de crime ou sobre a responsabilidade de quem quer que seja, como a própria notícia reconhece.

4. Milton Hobus não tem qualquer envolvimento nos fatos apurados. Sua trajetória pública sempre foi pautada pela legalidade e pela transparência. Ele confia na atuação do Ministério Público e permanece à disposição para contribuir com o esclarecimento dos fatos, caso venha a ser solicitado.

5. Pedido aos veículos de comunicação. A defesa solicita que, ao noticiar o tema, os veículos registrem com clareza que Milton Hobus não figura como investigado, evitando que seu nome seja associado a uma apuração que não lhe diz respeito.

Rio do Sul, 6 de outubro de 2026. Fernando Claudino D’Ávila OAB/SC 18.126 – Advogado de Milton Hobus