Prefeito de São Joaquim e Marcius Machado, ambos do PL, trocam farpas; “na próxima não volta”


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Jean Carlo Lima

Na semana passada, o deputado Marcius Machado usou suas redes sociais para criticar o prefeito de São Joaquim, José Teodoro Amaral, Dorinho. Segundo o parlamentar, uma fiação de alta tensão passa sobre a estrutura metálica de uma quadra de esportes no bairro Madre, construída com recursos de emendas de sua autoria (o que, nesse caso, justifica a sua fiscalização).

No vídeo, Marcius alerta que o atrito dos fios com o metal pode, com o tempo, desgastar a camada isolante e deixar os condutores expostos. Segundo ele, isso poderia energizar a estrutura e provocar uma morte por eletrocussão.

O deputado afirma ter notificado o Executivo várias vezes, sem obter resposta. Por isso, foi ao local gravar um vídeo com duras críticas à administração municipal, referindo-se aos responsáveis como “bando de irresponsáveis”.

Dorinho rebate

Dorinho, por sua vez, comentou o episódio em uma entrevista à rádio e rebateu as declarações do deputado. Afirmou que Marcius estaria usando a emissora local para “mentir” e disse que a iluminação da quadra havia sido desligada assim que a administração tomou conhecimento do fato.

Parabenizou Marcius pela reeleição e agradeceu sua atuação em São Joaquim. Ao mesmo tempo, porém, sugeriu, ainda que indiretamente, que a cobrança incisiva sobre os fios de energia seria uma animosidade em relação ao resultado da sua reeleição. Segundo o prefeito, Marcius teve uma votação melhor em São Joaquim do que na eleição anterior, mas, em Lages, “o resultado foi muito ruim”. E acrescentou: “precisa ver o que aconteceu em Lages, porque na próxima não volta”.

Rescaldo pós-eleição

Marcius parece estar visivelmente incomodado e ainda digerindo a eleição que quase o deixou de fora da próxima legislatura. Entretanto, o resultado de 37 mil votos, considerado isoladamente, não foi péssimo, como avaliam alguns.

A pergunta que fica é: se não houvesse o fator Lucas Neves, com expressivos 82 mil votos, como contraponto, Marcius estaria tão inconformado com o resultado?

Digo isso porque o deputado do PL foi o penúltimo candidato do partido a conquistar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2022. Agora, com a régua da sigla exigindo mais performance dos candidatos, para muitos não era possível cravar sua reeleição (eu fui um deles).

Soma-se a isso o desgaste natural de dois mandatos. No PL, não fosse a votação expressiva de Ana Campagnolo, de 387 mil votos (suficiente para eleger os últimos três do PL), Marcius poderia ter feito mais votos do que em 2022 e, ainda assim, ficar de fora.

Por isso, é preciso ponderar: embora Marcius tenha perdido perto de 20% dos votos em Lages, a queda na sua votação total no estado foi inferior a 5%. Portanto, com esses números, a votação do deputado do PL está longe de ser mal avaliada — sobretudo por ter conquistado a reeleição. Lucas Neves é quem foi bem demais. E esse contraponto deixa a vitória de Marcius com um gosto amargo de derrota.

Como ele mesmo diz: “agora são mais quatro anos… vão ter que me aturar”.