
Os bastidores da Assembleia Legislativa estão movimentados por causa da próxima presidência do Parlamento. Uma fonte me disse ontem que havia uma ideia de calmaria no pós-eleição, porém, até o encaminhamento da Mesa, serão dias de muito trabalho, trocas de telefonemas, almoços, em suma, uma nova campanha.
O deputado reeleito Camilo Martins (PL) saiu na frente logo após a eleição, quando começou os contatos com colegas da futura bancada. O primeiro apoio foi o de Marcius Machado. Outros nomes também estão sendo abordados pelo parlamentar. Algumas fontes relataram o mesmo cenário: Camilo terá dificuldade para construir uma eleição à presidência. Há um clima de resistência, e algumas forças estariam atuando nos bastidores.
Outros nomes também estão sendo especulados, alguns com chance de ganhar espaço caso o mandato seja fatiado para quatro presidências, não duas. No cenário atual, os nomes de Ana Caroline Campagnolo (PL) e Fernando Krelling (MDB) estão consolidados. Já estão conquistando adesões consideradas importantes, tanto que, independentemente do formato que for definido para o comando da Alesc, esses dois nomes já estão garantidos.
Campagnolo e Krelling estão sendo orientados a trabalhar em conjunto. Seria uma forma de mostrar aos demais parlamentares que não manifestaram suas preferências que existe uma construção adiantada, com nomes e rostos. Inclusive, eles já têm feito a abordagem com os seus colegas.
O que também apurei é que, confirmando-se os dois favoritos, Ana começa presidindo e depois passará a bola para Krelling. Outra formatação é que a liberal e o emedebista presidam no primeiro biênio, sendo um ano para cada, e, nos dois anos seguintes, haja mais um do PL junto com outro partido. Entre os liberais, o nome é o do deputado estadual Carlos Humberto Silva (PL). Ele dividiria com um parlamentar de outro partido. Pepê Collaço (Progressistas) e Lucas Neves (Republicanos) aparecem como possibilidades. Jerry Comper (MDB) poderia encontrar algumas resistências. O nome de Napoleão Bernardes chegou a ser ventilado como uma possibilidade, só que remota.
A questão para Napoleão é que ele é filiado ao PSD. O fato de os pessedistas terem sido oposição, além do mau desempenho do partido nas urnas, também tem sido levado em conta. Mesmo assim, não estaria totalmente descartado.
Possíveis cenários
Uma fonte adiantou alguns possíveis cenários para o comando da Assembleia Legislativa: Ana Caroline Campagnolo (PL) no primeiro ano, Fernando Krelling (MDB) no segundo ano, Carlos Humberto Silva (PL) em 2029 e Pepê Collaço (Progressistas) ou Lucas Neves (Republicanos) em 2030.
CCJ e Finanças
Dois nomes são vistos com bons olhos para o comando da Comissão de Constituição e Justiça, que é a mais importante da Assembleia Legislativa: Napoleão Bernardes (PSD) e Pepê Collaço (Progressistas). Na Comissão de Finanças, Lucas Neves (Republicanos) ou Carlos Humberto Silva (PL).
Espaço para a esquerda
Um detalhe interessante: existe um clima de discussão de espaço na Mesa Diretora e nas comissões da Alesc, até mesmo com a esquerda. Também ouvi que a ideia é de construção de uma Mesa que respeite as diferenças ideológicas.
Futuro do PSD

Ainda não é possível saber quais serão os encaminhamentos sobre o futuro do PSD aqui no estado. Um movimento que deve ocorrer até o final do ano, ou, no mais tardar, nos primeiros meses do próximo, é a saída do ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues. A informação é de que ele tentará levar o seu grupo para um partido que ele entende ser mais à direita, já que tem afirmado que o PSD é de centro. O problema para Rodrigues será buscar uma sigla de direita que não esteja alinhada ao grupo do governador Jorginho Mello (PL). Esse movimento de saída poderá acelerar a movimentação de outros prefeitos pessedistas.
Pensando em 2028
O possível movimento de João Rodrigues de sair do PSD tem dois objetivos, segundo relatou uma fonte. Primeiro, manter a sua força em Chapecó para reeleger o prefeito Valmor Scolari (PSD). Mesmo sendo um nome muito forte no município, inclusive como cabo eleitoral nas disputas à prefeitura, Rodrigues sabe que o PL se fortaleceu e chegará a 2028 de olho no comando de um dos principais municípios do estado. Além disso, tem 2030. Rodrigues saiu da eleição anunciando que tentará novamente o governo, porém, no Oeste, é dito que possivelmente deverá disputar uma vaga à Alesc ou à Câmara Federal.
Boulos em Florianópolis

A campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, ao Largo da Alfândega, em Florianópolis. Ao lado de lideranças políticas, militantes e apoiadores, Boulos participou de um ato para mobilizar o eleitorado catarinense no segundo turno. A presença do ministro integra o esforço nacional para reforçar a campanha em estados onde Lula ficou em desvantagem no primeiro turno.
Novos votos
Conquistar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno está entre as prioridades da campanha do presidente Lula (PT) aqui em Santa Catarina. PT, PSOL e outras siglas do campo progressista apostam em atividades de rua e no contato com diferentes setores da sociedade para ampliar a votação no próximo dia 25. Presente no ato da capital, o presidente nacional do Sebrae, Décio Lima (PT), defendeu a mobilização e afirmou estar confiante na possibilidade de aumentar o apoio ao petista no estado. A estratégia inclui apresentar propostas e resultados do Governo Federal para tentar alcançar eleitores além da militância.
Disputa em Itajaí

Osmar Teixeira (Podemos), após ser eleito para a Assembleia Legislativa, passou a ser olhado como um provável candidato a prefeito de Itajaí. Ele perdeu a disputa de 2024 para o prefeito Robison Coelho (PL). O que chama atenção é que Teixeira poderá ter o apoio de uma forte liderança liberal, a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL). Acontece que há uma relação tempestuosa entre o prefeito e a parlamentar, que apoiou a eleição de Coelho. Uma fonte relatou que Ana esperou a recíproca no pleito deste ano e não teve. Robison fez campanha para a vereadora Anna Carolina Martins (Republicanos), que também se elegeu à Alesc. “Ele não pediu um voto para a Ana (Campagnolo). Ele a traiu para apoiar a Anna Martins”, afirmou a fonte, justificando o possível apoio da liberal a Teixeira.
Mais lenha
Outro movimento também colocou mais lenha na fogueira de Itajaí. Há um relato de que Anna Carolina Martins (Republicanos), em visita à Assembleia Legislativa, teria dito que não apoiará Ana Campagnolo (PL) para a presidência. Isso deve aumentar a fratura e afastar ainda mais Campagnolo do prefeito de Itajaí, Robison Coelho (PL). Questionei uma fonte se há espaço para uma reaproximação. A resposta é de que existe, mas que o gesto precisa ser feito pelo prefeito. “O Robison (Coelho) faz uma boa gestão e é bem avaliado. Mas enfrentar um adversário com o apoio da Ana Campagnolo é um problema”, alertou.
Entraves no auxílio-aluguel

A demora na concessão de auxílio-aluguel a mulheres vítimas de violência doméstica em Florianópolis levou a 17ª Promotoria de Justiça da Capital a instaurar um procedimento administrativo para fiscalizar o atendimento municipal. Aberto em 13 de outubro pelo promotor Gilberto Polli, o procedimento apura barreiras burocráticas que atingem mulheres com medidas protetivas de urgência, inclusive quando há determinação judicial para o pagamento. Segundo o Ministério Público, faltam um fluxo específico de atendimento e uma regulamentação municipal voltada a essas vítimas. A legislação utilizada pela prefeitura trata do benefício desacolhimento, sem regras próprias para situações de violência doméstica.
Respostas em 30 dias

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), e o presidente da Câmara Municipal, João Cobalchini (MDB), terão 30 dias para responder aos questionamentos do Ministério Público sobre o auxílio-aluguel para mulheres vítimas de violência. À prefeitura, a Promotoria solicitou informações sobre orçamento, critérios de concessão, órgão responsável e atendimento às beneficiárias, além da intenção de apresentar um projeto de lei específico. A Câmara deverá informar se existem propostas sobre o tema em tramitação. A atuação busca prevenir situações em que a mulher, sem condições financeiras de deixar o agressor, fique sem alternativa de moradia.
Quinto

A advogada Sabine Müller está de volta à disputa por uma vaga de desembargadora no Tribunal de Justiça de Santa Catarina pelo Quinto Constitucional e teve seu nome homologado pela OAB/SC. Sabine aposta no reconhecimento de sua trajetória, no preparo e no diálogo com a advocacia catarinense. A consulta à classe está marcada para 30 de novembro.





