Quando a política vira perseguição: O preço do extremisto pode ser pago por quem só quer trabalhar


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Thaís Shihádeh

A polarização política ultrapassa os limites do debate democrático quando divergências ideológicas se transformam em campanhas para prejudicar empresas e comerciantes.

A disputa política no Brasil tem alcançado níveis preocupantes. O que deveria ser um exercício de democracia, com respeito às diferenças e liberdade de escolha, em alguns casos se transforma em perseguição, ataques virtuais e tentativas de boicote contra estabelecimentos comerciais por causa das posições políticas de seus proprietários.

Mas até que ponto essa intolerância pode chegar?

Defender um candidato de direita ou de esquerda é um direito democrático. Da mesma forma, discordar de posicionamentos políticos faz parte da liberdade de expressão. O problema começa quando a divergência deixa de ser um debate de ideias e passa a ser utilizada como justificativa para tentar destruir a reputação de alguém ou prejudicar seu sustento.

O extremismo de ambos os lados representa um risco quando transforma adversários políticos em inimigos pessoais.

Uma empresa não é apenas a opinião de seu proprietário. Por trás de um comércio existem funcionários, famílias, fornecedores, compromissos financeiros e empregos que podem ser afetados por campanhas de perseguição. Um boicote motivado exclusivamente pela intolerância ideológica pode atingir pessoas que sequer participam do debate político.

Isso não significa que consumidores devam ignorar comportamentos ilegais, discriminação ou atitudes incompatíveis com seus valores. O consumidor tem o direito de escolher onde comprar e de manifestar sua insatisfação de maneira legítima. A questão é distinguir a crítica fundamentada da perseguição motivada pelo simples fato de alguém pensar diferente.

Também é necessário reconhecer que a liberdade de expressão não elimina a responsabilidade pelos atos praticados. Ameaças, difamação e outras condutas ilícitas podem ter consequências jurídicas, conforme as circunstâncias de cada caso.

A democracia não exige que todos pensem igual. Exige que pessoas com opiniões diferentes possam conviver sem transformar cada divergência em uma guerra.

Afinal, se alguém pode ser perseguido por votar em um candidato, o que impede que amanhã outra pessoa seja perseguida por defender o candidato oposto?

O Brasil precisa superar a lógica de que tudo é permitido quando o alvo pertence ao lado político de que discordamos. Não é coerente defender a liberdade apenas quando ela beneficia quem pensa como nós.

A política deve servir à sociedade, e não se tornar uma ferramenta de intimidação, vingança ou destruição econômica.

No fim, a pergunta que fica é: estamos defendendo nossas convicções ou permitindo que a intolerância decida quem merece trabalhar, empreender e prosperar?

A democracia perde quando o diálogo dá lugar ao ódio. E a sociedade inteira pode pagar a conta quando o extremismo se torna mais importante do que o respeito.