Paulo Afonso critica “bolsonarização do MDB” e quer Pinho Moreira na presidência; Zé Trovão perderá para Hugo Motta até dentro do PL – e outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Paulo Afonso defende Pinho Moreira e a volta às raízes – Imagem: Divulgação

O ex-governador Paulo Afonso Vieira está preocupado com os rumos que levaram o MDB a mais uma vez encolher. Como uma das principais razões, ele vê a aproximação com o bolsonarismo, movimento que, segundo ele, não aceita o partido como aliado. “Quando o emedebista faz defesa do Bolsonaro, do bolsonarismo, ele leva voto para Júlia Zanatta, para Zé Trovão”, avaliou. Para ele, insistir nesse caminho ameaça o que ainda resta da força emedebista.

Vieira me disse que se encontrou com o também ex-governador Eduardo Pinho Moreira no final de semana, em um evento na escola dos netos. Lembrou as declarações do correligionário a esta coluna, publicadas na sexta-feira, e convidou Pinho Moreira para um café para falarem do futuro do partido. Paulo Afonso adiantou que tentará convencer Moreira a disputar a presidência estadual do MDB.

Acontece que Pinho Moreira, ao se manifestar para a coluna, defendeu o nome do deputado federal reeleito Rafael Pezenti. A jovem liderança também foi citada por um deputado estadual reeleito e por uma outra fonte emedebista, que acreditam que ele tem o perfil para comandar a renovação do MDB. Por outro lado, Paulo Afonso fez algumas ressalvas a Pezenti por causa de sua identificação com o bolsonarismo. Para ele, o partido precisa retomar as suas bandeiras, e lembra que a história do MDB não está ligada à extrema-direita. “Precisamos de nomes com equilíbrio para conduzir o partido”, destacou.

Esse posicionamento de Paulo Afonso também é compartilhado por outros quadros do partido. No final de semana, conversei com duas lideranças que também demonstraram preocupação com uma possível presidência de Pezenti, que, na leitura deles, levaria o MDB a se aproximar ainda mais do bolsonarismo. Para as fontes, esse rumo levará o partido a reduzir ainda mais, e defendem que Valdir Cobalchini possa ser o nome, devido à sua experiência. Por outro lado, entendem que, se Pezenti se comprometer a trabalhar pelas bandeiras históricas do MDB, em vez de levar o partido para um movimento que consideram extremo, é possível construir.

Voltando ao ex-governador, Paulo Afonso entende que o MDB somente voltará a ser forte se resgatar as suas raízes. Para isso, defende que a presidência seja exercida por quem tem coragem de recuperar as bandeiras históricas, incluindo a democracia, a diversidade e os direitos fundamentais. “O partido precisa reencontrar um caminho próprio, mesmo que tenha de recomeçar pequeno”, destacou.

Eleição

O ex-governador Paulo Afonso Vieira disse que ficou entristecido com o resultado da eleição, mas ressalta que não o surpreendeu. Defensor da candidatura própria ao Governo do Estado, considera que o MDB poderia ter enfrentado as urnas com um nome seu, preservando a unidade e oferecendo um rumo à militância. Ao comentar o desempenho da aliança em que Carlos Chiodini concorreu a vice, resumiu com ironia: “Se era para perder, podia ser sozinho”, afirmou.

Comando da Câmara

Momento de tensão entre Trovão e Motta quase resultou na suspensão do mandato do deputado catarinense – Imagem: Divulgação

O deputado federal reeleito Zé Trovão (PL) se manifestou contrário a uma nova presidência de Hugo Motta (Republicanos) na Câmara dos Deputados. “Se o PL não lançar candidato a presidente da Câmara dos Deputados, eu serei o candidato. Já estou mandando minha equipe preparar minha candidatura”, declarou. Acontece que Trovão deve ser barrado pelo próprio partido. O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, marcou uma reunião para hoje, às 18h, para discutir com os deputados eleitos o posicionamento na eleição ao comando da Casa e os espaços em comissões.

Temor de Costa Neto

Valdemar quer apoiar Hugo Motta para evitar o isolamento do PL na Câmara – Imagem: PL

Valdemar da Costa Neto já tem dito em Brasília que Hugo Motta (Republicanos) já conseguiu votos suficientes para se eleger. Partido dos Trabalhadores, Republicanos, MDB, PSD, União Brasil, Progressistas e Podemos, além de mais oito partidos, estão com ele. O temor de Costa Neto é ficar de fora do bloco e perder a chance de indicar a presidência de comissões importantes. Por isso, o movimento do deputado Zé Trovão (PL) não vai prosperar. Vale lembrar que Motta não gosta de Trovão nem da deputada Júlia Zanatta (PL). A relação ficou ruim quando ocorreu um motim de deputados do PL contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Júlia quer ouvir

Júlia quer ouvir o partido antes de se posicionar – Imagem: Divulgação

A deputada federal reeleita Júlia Zanatta (PL) disse ontem, em uma live, que pretende ouvir o que terá a dizer o presidente do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto. Júlia afirmou que não é favorável à presidência de Hugo Motta (Republicanos), mas que, depois da reunião, levará aos seus eleitores e seguidores o posicionamento do partido. O fato é que tanto Motta, na Câmara, quanto Davi Alcolumbre (UB), no Senado, estão conseguindo consolidar novos mandatos na presidência das Casas. No Senado, pode ser que Rogério Marinho (PL) ainda consiga impor alguma resistência a Alcolumbre, porém há um sentimento de Valdemar da Costa Neto de que o PL poderá ficar isolado no processo.

Republicanos com Vaguinho

Potelecki deverá comandar a previdência dos servidores de Criciúma – Imagem: CMC

O prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola (PSD), quer levar o Republicanos para a sua gestão. O partido já está na sua base na Câmara de Vereadores, mas deve ganhar um espaço no governo. A ideia de Vaguinho é levar o vereador Aldinei Potelecki (Republicanos) para o comando do Instituto de Previdência, o Criciumaprev. O movimento do prefeito é para aproximar a sua gestão da deputada federal Geovania de Sá (Republicanos).

Estratégia antidemocrática?

Partido comandado pelo catarinense Eduardo Ribeiro não reconheceu o resultado da eleição – Imagem: Divulgação

Chama a atenção a estratégia do Partido Novo. Não reconhece o resultado da eleição para tentar ganhar filiados. O outro motivo, até pode ser mais plausível, por ter ações na Justiça contra a chapa de Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB). Será que vale tudo para tentar fazer um partido crescer? Inclusive não fazer um gesto democrático, que é reconhecer o resultado da eleição? O que chama a atenção é que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, reconheceu o resultado, enquanto o Novo tenta lacrar para atrair filiados. Esses movimentos não colaboram em nada para a pacificação do país.

Eleição normal

Apesar da trapalhada do ministro do STF, Cristiano Zanin, no episódio das duas horas a mais para votação, é preciso lembrar que foram apenas cerca de 34 mil votos após as 17h, ou seja, não mudariam o resultado da eleição. Além disso, as urnas eletrônicas não são suscetíveis a fraudes. Veja bem:

Antes da votação: é impressa a zerésima, documento que comprova que a urna começa sem votos.

Na votação: o eleitor digita, confere e confirma. O voto é registrado com sigilo, e a urna funciona sem conexão com a internet. Portanto, é impossível qualquer ação de hackers ou de quem quer que seja.

Na apuração: encerrada a votação, a própria urna conta os votos e imprime o Boletim de Urna, com o resultado daquela seção.

Na transmissão: os resultados são retirados em uma mídia e enviados à Justiça Eleitoral, com verificação das assinaturas digitais.

Na totalização: os resultados das seções são somados. Qualquer pessoa pode comparar o boletim impresso com os números divulgados pelo TSE. Portanto, é auditável também. Simples assim: somente não entende quem não quer.

Morar BC

Juliana quer facilitar a construção de imóveis mais acessíveis em meio a um mercado milionário – Imagem: Divulgação

O programa Morar BC promete democratizar a compra de residências em Balneário Camboriú. O projeto protocolado na Câmara de Vereadores fará com que residências sejam vendidas para famílias com renda de R$ 3,2 mil a R$ 18 mil. Pela proposta, serão 8 mil unidades entre 2027 e 2032. De acordo com a prefeita Juliana Pavan (PSD), estão previstos mais de R$ 100 milhões em incentivos, na forma de subsídios, incentivos tributários e instrumentos urbanísticos. O projeto também ajudará a resolver um problema para o comércio, que apresenta falta de funcionários porque muita gente não consegue pagar os valores estabelecidos pelo mercado imobiliário na Dubai brasileira.

Fusesc aguarda decisão

Uma disputa que envolve a previdência complementar de trabalhadores catarinenses volta hoje à pauta do Superior Tribunal de Justiça. A Fusesc, responsável por planos de funcionários e ex-funcionários de empresas ligadas ao Governo do Estado, cobra do Citibank DTVM uma indenização por perdas em um fundo vinculado ao falido Banco BVA. Segundo a coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo, a responsabilidade do banco já foi reconhecida pela Justiça. A discussão agora está no cálculo da multa. O caso começou com um pedido de resgate das cotas feito pela fundação em dezembro de 2012, mas atendido somente em fevereiro de 2013. A Justiça reconheceu que a demora provocou prejuízo à Fusesc, estimado em aproximadamente R$ 3 milhões em valores atualizados. Na Terceira Turma do STJ, há empate sobre a aplicação de um limite de 20% à multa. O voto de desempate cabe ao ministro Moura Ribeiro.

Contas bem diferentes

Os valores apresentados na disputa entre a catarinense Fusesc e o Citibank estão longe de um consenso. A fundação calcula em cerca de R$ 70 milhões o montante devido, com base na aplicação de uma multa diária de 0,5%. O banco contesta os critérios e sustenta que a fórmula defendida pela entidade poderia levar a cobrança a R$ 450 milhões. Esse último valor, portanto, é uma projeção do Citi, e não a quantia apresentada pela Fusesc. O banco defende outros critérios de atualização e um teto para a multa, o que, segundo seus cálculos, deixaria a indenização entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões. A divergência levou a Febraban a encaminhar uma carta ao STJ, manifestando preocupação com os efeitos da decisão sobre o setor de fundos. A Fusesc, por sua vez, acusa o Citi de usar a cifra de R$ 450 milhões para tumultuar o processo.