
Rei morto, rei posto! Poucas vezes essa expressão fez tanto sentido no cenário político nacional como está fazendo agora para o Partido Liberal. Flávio Bolsonaro (PL) fugiu para os Estados Unidos e, de lá, divulgou uma carta em que se autoproclamou presidente eleito para, depois, trocar o título pelo de “líder do Brasil”.
O texto tem algo de quixotesco: derrotado nas urnas, atribui a si uma missão histórica. Ao citar Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí, tenta dar à sua saída do país a importância da história desses personagens, o que beira o ridículo. Mas a comparação com Dom Quixote termina na distância entre a realidade e o papel que imagina ter. Ao contrário do personagem de Cervantes, não há, nesse gesto, idealismo, coragem e tampouco generosidade. Há a tentativa de transformar uma derrota pessoal numa falsa grande luta pelo país para sustentar um projeto próprio de poder.
Embora desnecessário o pedido de apreensão de seu passaporte um dia após a eleição, é importante destacar que Flávio tem muito a explicar, além de 59.826.041 votos para honrar. O fato é que não honrou o seu eleitor e tampouco o seu partido, que contava com ele para liderar a oposição.
O que Flávio não esperava é que, no primeiro dia de sua fuga, já começasse a perder espaço até entre os seus. Enquanto pensa em comandar a oposição lá dos Estados Unidos, outras lideranças vão ocupar o espaço que deixou. É provável que se torne uma María Corina Machado ou um Juan Guaidó, também citado na carta, que, a exemplo de Flávio, deu a si mesmo um título de presidente, mas sem o poder que gostaria de ter.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), perdeu o medo de avançar. Como um líder deve fazer, disse claramente que “o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”. A senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL) foi além. Encontrou-se em Brasília com o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, como ele mesmo anunciou nas redes sociais, “para uma conversa sobre o futuro e os desafios que temos pela frente”. Estão postos os dois principais nomes da direita para 2030.
Nesse mesmo compasso seguiu o governador Jorginho Mello (PL). Em vídeo gravado sobre a eleição, destacou que o eleitor catarinense lhe deu a maior votação da história, elegeu dois senadores liberais, além da maioria dos deputados estaduais e federais. Jorginho também destacou que sete entre dez catarinenses votaram em Flávio. Porém, o governador seguiu em frente. Disse que, de sua parte, seguirá defendendo os interesses de Santa Catarina, respeitando as instituições e o resultado final das urnas.
Com esse posicionamento, Jorginho se alinha aos posicionamentos de Tarcísio, dos governadores eleitos do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), e do Paraná, Sérgio Moro (PL), e do próprio PL, e se coloca como uma liderança que, nos bastidores, é vista como uma peça que poderá ajudar nesse reposicionamento dos liberais após mais uma derrota de um Bolsonaro para o presidente Lula (PT).
Liderança regional
Nos bastidores, é dito que o governador Jorginho Mello (PL) se reposicionará. Não haverá, segundo relatos, uma relação de amizade com o presidente Lula (PT), mas há uma defesa de uma aproximação institucional e respeitosa pelas pautas de Santa Catarina, ao estilo Tarcísio de Freitas (Republicanos), embora o governador de São Paulo tenha uma relação cordial com o petista, apesar das diferenças. Além disso, Jorginho é visto como o nome que poderá liderar um movimento dos governadores eleitos do Sul. Luciano Zucco, do Rio Grande do Sul, e Sérgio Moro, do Paraná, se aproximaram de Jorginho durante a campanha e já sinalizaram que desejam ampliar a relação.
Pautas do Sul

Uma ideia inicial, segundo uma fonte, seria a de uma atuação dos três governadores pelas pautas comuns dos três estados do Sul. A mesma fonte destaca que o governador Jorginho Mello (PL) está preparado para liderar o possível movimento casado com Luciano Zucco e Sérgio Moro. Se realmente for posta em prática a ideia, Jorginho tem muito a ganhar como um possível líder regional.
Alesc
Conforme divulguei em primeira mão, o deputado estadual Camilo Martins (PL) presidirá a Assembleia Legislativa de 2027 até a metade de 2028. Ana Caroline Campagnolo (PL) será a vice. Em junho de 2028, Camilo deixará a presidência, Ana assumirá o comando e Fernando Krelling (MDB) deverá ser alçado à condição de vice. Esse é um movimento para posicionar o emedebista para ter pelo menos um ano como presidente no segundo biênio.
Primeiro secretário

O deputado estadual Fernando Krelling (MDB) recebeu uma missão do governador Jorginho Mello (PL): ser o primeiro secretário da mesa diretora da Assembleia Legislativa. Como é um espaço estratégico que determina a distribuição dos projetos para as comissões, o governador deseja ter um parlamentar de sua confiança. Além disso, o cargo foi uma forma de manter Krelling na mesa. Em conversa, Jorginho explicou para o emedebista que, pela força do PL na Alesc, não teria como colocar outro partido para presidir neste momento, em nome da união da futura bancada, que já demonstrou uma boa sintonia entre os eleitos. Porém, o segundo biênio deverá ser construído.
Sem vetos
Uma fonte relatou que o governador Jorginho Mello (PL) teria dito, numa conversa fechada na Agronômica, que não tem veto a nomes. Ou seja, que acompanha as construções, poderá colaborar, mas que respeitará os movimentos no parlamento.
Esquerda

O presidente estadual do PT, o deputado reeleito Fabiano da Luz, relatou que conversou tanto com o deputado Camilo Martins (PL) como com a deputada Ana Caroline Campagnolo (PL) sobre a composição dos espaços na Assembleia Legislativa. Com Martins, a conversa foi sobre manter a harmonia no parlamento, mesmo com as diferenças ideológicas, e sobre garantir que o PT, como a segunda maior bancada, tenha espaço na mesa diretora e também a presidência de duas comissões. Hoje, os petistas comandam Saúde e Educação. Pode ser que se trabalhe para manter esses espaços.
Hospital de Garopaba

Ontem, conforme divulgado pelo Santa Catarina em Pauta, o Tribunal de Contas suspendeu cautelarmente a contratação do Instituto Maria Schmitt (IMAS) para a implantação e gestão do Hospital Municipal de Garopaba. O TCE aponta possíveis irregularidades em um projeto que prevê vínculo de 30 anos entre o município e a entidade. De acordo com o vereador Rodrigo Oliveira (PT), a prefeitura pressionou a Câmara para que a proposta fosse aprovada sem que dúvidas fossem sanadas. “Eu e outros vereadores queríamos justamente realizar uma audiência pública para não apenas discutir o projeto de lei, mas também o edital que selecionou a OS e a minuta de contrato junto à comunidade, mas também aos órgãos de controle, como MP e TCE”, destacou.
Suposto favorecimento
O vereador de Garopaba Rodrigo Oliveira (PT) disse que, em outra contratação, denunciou o processo de terceirização da UPA no Ministério Público e no Tribunal de Contas. Ele afirma que tanto o edital quanto a OS selecionada tinham problemas. “Hoje, a representação evoluiu para a abertura de um inquérito civil. A nova escolha do IMAS, ao meu ver, pode significar um direcionamento para favorecer a mesma entidade. Um hospital público para Garopaba é urgente, mas isso não pode significar falta de transparência e danos ao erário público”, afirmou.
Pressa do prefeito

O vereador Nazinho Gonçalves (MDB) diz que foi tirado da Câmara Municipal de Garopaba o direito de debater a construção do hospital. Gonçalves reclama que os vereadores que pediram prazo foram apontados pelo prefeito Júnior Bento (Progressistas) como contrários ao hospital e à saúde. “Um projeto que entrou na Câmara às 19h e queriam que fosse votado às 19h30. Se tivessem nos ouvido, teriam evitado essa situação toda com o Tribunal de Contas. No fim, a pressa do prefeito acabou atrasando a construção desse hospital, que é algo muito importante e necessário pra nossa cidade. Falta de transparência também é prejudicial à saúde”, criticou. O espaço está aberto para a prefeitura e também para o IMAS.
CEAP Brasil
Hoje segue a programação do Legislativo Experience, realizado pelo CEAP Brasil, reunindo vereadores, servidores e demais gestores públicos. Ontem, tive o prazer de participar de um debate ao lado do colega Upiara Bosch. Falamos do cenário político no pós-eleição. A mediação foi de Gabriela Schelp. Foi um enorme prazer conversar com os participantes. Hoje segue a programação, que se encerra amanhã com a palestra do ministro do STF Luiz Fux. Vale a pena conferir.






