Possível aliança nacional pode influenciar em SC; tentativa de convencer Antídio ao Senado; como votaram os deputados de SC no projeto da jornada de trabalho – e outros destaques.


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Marcelo Lula

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Ronaldo Caiado e Romeu Zema – Imagem: Rede Social

A informação trazida pela jornalista Andréa Sadi, em seu blog no G1, de que os pré-candidatos à Presidência da República, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), já começaram a conversar sobre a possibilidade de uma aliança, terá que ser acompanhada de perto aqui em Santa Catarina, pois poderá mexer com o cenário estadual.

O próprio Caiado admite as conversas em entrevistas e chegou a declarar que estão avaliando a possibilidade de uma aliança, em reconhecimento às pré-candidaturas do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que estão muito à frente dos dois, que, somados, chegam a apenas 7% das intenções de voto.

A grande questão é: a quem agradaria mais uma possível aliança nacional entre PSD e Novo? Hoje, o governador Jorginho Mello (PL) tem o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), confirmado como vice em sua futura chapa. Nome importante do Norte do estado, mas que carece de maior visibilidade e musculatura estadual, Silva tem a missão, justamente, de permanecer mais em sua região, onde tem força, como forma de “proteger” o Norte da entrada de adversários diretos dos liberais.

Foi por causa da entrada do Novo e do ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), na chapa, que o líder liberal perdeu a força do MDB e da federação, por falta de espaço na majoritária.

Por outro lado, o pré-candidato ao governo, João Rodrigues (PSD), conseguiu o MDB e a federação, depois de ter perdido o Novo para o PL. Caso Caiado e Zema cheguem a um acordo, acredita-se que isso somente seria interessante para o pessedista se pudesse dar uma das vagas ao Senado para o Novo, pois a outra é do senador Esperidião Amin (Progressistas), e a vaga de vice, do MDB.

Quem ainda dá o cenário como fechado poderá se surpreender. Tanto de um lado quanto de outro, poderemos ver movimentações de partidos buscando o melhor caminho para uma eleição exitosa. É possível que as próximas oito semanas sejam de grande emoção.

Posição de Adriano

Quem não vai gostar nada dessa situação é o pré-candidato a vice-governador Adriano Silva (Novo). Irritado com o pré-candidato a presidente Romeu Zema (Novo), por causa da crise com o PL causada por críticas ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), Silva se afastou e, conforme relatei, fez questão de ficar distante de Zema na última passagem do mineiro aqui pelo estado. Totalmente alinhado ao governador Jorginho Mello (PL) e ao secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, dificilmente Adriano aceitará compor com o PSD, caso haja uma decisão do Novo de seguir a possível aliança nacional com os pessedistas nos estados. Hoje, seria mais fácil ele não ser candidato a nada e apoiar Jorginho.

Tucanos com Jorginho

Na primeira quinzena de junho, o PSDB se reunirá para definir, no voto, em que projeto estará na eleição estadual. Informações de bastidores dão conta de que os tucanos, liderados pelo deputado estadual Marcos Vieira, anunciarão apoio ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). Essa informação adiantei em primeira mão ainda em março, porém os tucanos seguraram a decisão por mais um tempo.

Revendo o posicionamento?

Nesta semana, divulguei que o deputado estadual Antídio Lunelli (MDB) recuou do convite feito pelo presidente estadual do MDB, deputado federal Carlos Chiodini, para disputar a eleição ao Senado. Porém, ontem, em Araranguá, durante o segundo dia de sessões da Alesc Itinerante, uma brincadeira com tom de seriedade pode ter deixado em aberto a possibilidade de Lunelli rever a decisão. Os deputados Mauro De Nadal, Volnei Weber, Tiago Zilli e Fernando Krelling assinaram a folha que aparece na imagem. O que chamou a atenção é que Lunelli também assinou. O único que não participou foi Jerry Comper.

Convencimento

Há um trabalho de convencimento dos deputados estaduais Volnei Weber, Tiago Zilli e Mauro De Nadal para que Antídio Lunelli aceite o convite feito pelo presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini. O entendimento é de que o partido precisa de uma candidatura ao Senado, além de ser uma forma de afastar o parlamentar do apoio anunciado ao governador Jorginho Mello (PL). Resta saber se Lunelli recuará e aceitará o desafio, ou manterá o posicionamento que o alinha à ala que deseja estar com o PL.

Soltura negada

Confira, na coluna de Jean Carlo Lima aqui no Santa Catarina em Pauta, a decisão da Justiça de negar ao vice-prefeito de Lages, Jair Júnior (sem partido), o benefício da prisão domiciliar. Na decisão, é dito que, neste momento, não há elementos suficientes que justifiquem a substituição. Mais detalhes na coluna do Jean.

Arquivamento

A 27ª Promotoria de Justiça da Capital determinou o arquivamento do inquérito civil que investigava a legalidade das contratações diretas da empresa Micromed Informática Ltda. (atualmente Smarthealth Analytics Ltda.) pela Secretaria de Estado da Saúde e pelo Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (Ciasc). A investigação visava apurar irregularidades na prestação de serviços de manutenção e suporte dos sistemas de gestão hospitalar do Estado. Segundo o promotor de Justiça Affonso Ghizzo Neto, o procedimento identificou falhas significativas na condução administrativa desses contratos. No despacho de arquivamento, o promotor destacou como principais irregularidades o “uso reiterado da dispensa de licitação”, a “ausência de planejamento adequado” e a “adoção de soluções emergenciais sucessivas”.

Histórico da empresa

As contratações da Smarthealth Analytics Ltda. pela Secretaria de Estado da Saúde e pelo Ciasc chamaram a atenção do Ministério Público pelo envolvimento da Micromed em crimes licitatórios investigados na “Operação Hemorragia” e, mesmo assim, ser contratada pelo Estado. Em sua defesa, os órgãos estaduais alegaram que não havia impedimentos legais ou sanções vigentes contra a empresa no momento da contratação e que a escolha se deu pela urgência em manter o funcionamento de sistemas essenciais das unidades hospitalares, que corriam risco de paralisação. Mesmo reconhecendo a existência de “irregularidades administrativas relevantes” e “tomada de decisões administrativas questionáveis”, o promotor optou pelo arquivamento por não vislumbrar a intenção deliberada de cometer improbidade administrativa.

Falhas de gestão

A decisão do promotor de Justiça Affonso Ghizzo Neto esclarece que o quadro probatório aponta para falhas de gestão e deficiência de planejamento, e não para uma “conduta dolosa apta a ensejar responsabilização por improbidade”. A decisão fundamentou-se nas alterações trazidas pela nova Lei de Improbidade Administrativa. De acordo com o novo texto legal, para que um agente público seja punido por improbidade, é indispensável a comprovação do dolo, ou seja, da vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito, o que não ficou evidenciado no caso. O promotor ressaltou, citando jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que a lei visa punir o administrador desonesto, e não o inábil ou despreparado.

Apoio de fora

Em encontro proporcionado pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Santa Catarina (Fetiesc), ontem, em Itapema, o senador pelo Rio Grande do Sul, Paulo Paim (PT), declarou apoio à pré-candidatura do vereador de Florianópolis, Afrânio Boppré (PSOL), ao Senado. Também participaram da conversa o ex-deputado estadual e pré-candidato a deputado federal Francisco Assis e o presidente da Fetiesc, Idemar Martini.

Escala 6×1

Ontem, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição que reduz de 44 para 40 horas semanais a jornada de trabalho. Conhecida como escala 5×2, a proposta vai para o Senado e, se for aprovada sem alteração, vai direto para a sanção do presidente Lula (PT). Os deputados catarinenses votaram assim:

A favor: Pedro Uczai (PT), Ana Paula Lima (PT), Ismael dos Santos (PL) e Jorge Goetten (Republicanos). Vale destacar o voto de Ismael. O Partido Liberal não fechou questão. Por isso, o catarinense votou sim, a exemplo de Nikolas Ferreira (MG), Gustavo Gayer (GO), entre outros destaques do partido.

Contra: Júlia Zanatta (PL), Carol de Toni (PL), Daniela Reinehr (PL), Daniel Freitas (PL), Zé Trovão (PL), Carlos Chiodini (MDB), Ricardo Guidi (PL), Gilson Marques (Novo), Rafael Pezenti (MDB) e Fábio Schiochet (UB). Ausentes: Valdir Cobalchini (MDB) e Geovânia de Sá (Republicanos).

Curiosidade

Saindo um pouco de Santa Catarina, só para destacar que ontem, ao final da votação, o deputado federal pela Bahia, Pastor Sargento Isidório (Avante), defensor da escala 5×2, comemorou dizendo que os trabalhadores poderão ter mais filhos, pois poderão “fazer seu sexo em paz e com mais tranquilidade”.

Livro

O jornalista Giancarlo Baraúna fez o lançamento de seu livro “Manual do Homem – Uma jornada filosófica pelo universo masculino”. O evento, realizado na Livraria Catarinense do Shopping Beira-Mar, em Florianópolis, reuniu amigos, jornalistas, lideranças políticas, familiares e convidados para uma noite marcada por reflexões sobre masculinidade, amadurecimento, relações humanas e os desafios da vida contemporânea. Baraúna assessora o deputado estadual Marcos Vieira (PSDB) há 16 anos na Assembleia Legislativa e é casado com a também jornalista Mariju de Lima.