O que diz a nova pesquisa Neokemp ao Governo do Estado


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Marcelo Lula

Pesquisa pré-eleitoral à Casa d’Agronômica tem o governador consolidado no primeiro lugar – Imagem: Divulgação

A nova pesquisa da Neokemp para o Governo do Estado traz um dado que vai além da simples liderança de Jorginho Mello (PL): o governador aparece com mais intenções de voto do que todos os seus adversários somados. Em um ambiente político marcado pela fragmentação da oposição, o resultado reforça a posição de favoritismo construída pelo líder dos liberais e mostra que, até o momento, não há uma candidatura capaz de ameaçar sua hegemonia eleitoral.

No cenário estimulado, Jorginho registra 52,3% das intenções de voto. João Rodrigues (PSD) aparece em segundo lugar com 20,4%, seguido por Gelson Merísio (PSB), com 9%. Marcelo Brigadeiro (Missão) soma 2,7% e Ralf Zimmer (PRD) 1,1%. Os indecisos representam 9,6% e os votos brancos e nulos alcançam 4,9%.

O aspecto mais relevante da pesquisa está justamente na comparação entre o governador e seus adversários. Enquanto Jorginho alcança 52,3%, todos os demais candidatos juntos somam apenas 33,2%. Em outras palavras, o governador tem 19,1 pontos percentuais a mais do que a soma de toda a oposição apresentada no levantamento. Trata-se de um indicador raro em disputas majoritárias e que demonstra um nível elevado de consolidação eleitoral.

Quando a análise passa para os votos válidos, o cenário se torna ainda mais favorável ao governador. Excluindo indecisos, brancos e nulos, Jorginho alcança aproximadamente 61,2% dos votos válidos. João Rodrigues aparece com cerca de 23,9%, Gelson Merísio com 10,5%, Marcelo Brigadeiro com 3,2% e Ralf Zimmer com 1,3%. O resultado colocaria o governador em condição de vencer a eleição em primeiro turno com ampla margem.

Outro dado importante é a estabilidade da liderança. Em comparação com a pesquisa anterior, Jorginho passou de 54,2% para 52,3%, uma oscilação dentro da margem de erro de 3,1 pontos percentuais. João Rodrigues saiu de 18,3% para 20,4%, também dentro da margem de erro. Na prática, os números mostram que o ex-prefeito de Chapecó permanece no mesmo patamar eleitoral observado anteriormente, sem conseguir reduzir de forma efetiva a distância para o governador.

Sem mudança

A leitura do cenário pré-eleitoral é clara: embora João Rodrigues continue sendo o principal adversário de Jorginho Mello, seu crescimento ainda não representa uma mudança concreta no cenário. A distância superior a 30 pontos percentuais entre os dois permanece praticamente intacta, evidenciando a dificuldade da oposição em transformar visibilidade política em intenção de voto estadual.

Gelson Merísio passou de 7,8% para 9% entre os dois levantamentos. O dado ganha relevância quando se observa o histórico eleitoral catarinense. Tradicionalmente, o campo da esquerda e da centro-esquerda reúne algo entre 15% e 20% do eleitorado no estado, dependendo do cenário nacional. Com 9%, Merísio já se aproxima de metade desse potencial eleitoral antes mesmo do início oficial da campanha. Caso consiga consolidar o voto de oposição e seja beneficiado por um eventual crescimento do presidente Lula (PT) aqui no estado, não é impossível projetar sua candidatura ultrapassando a marca dos 20% ao longo da disputa.

Evidentemente, esse movimento dependerá não apenas do desempenho nacional do petista, mas também da capacidade de Merísio de se consolidar como principal alternativa ao governador entre os eleitores que buscam uma candidatura de oposição. Mesmo com eleitores diferentes, vai disputar esse espaço com Rodrigues.

Regiões

Regionalmente, a pesquisa também mostra a amplitude da liderança do governador Jorginho Mello (PL). Ele lidera em Blumenau, Criciúma, Florianópolis, Joinville e Lages. João Rodrigues vence apenas na região de Chapecó e Caçador, onde alcança 49,7%, contra 29,3% do liberal. O dado confirma a força regional do pessedista, mas também evidencia sua dificuldade em expandir essa influência para o restante do estado. Precisa se tornar mais conhecido.

Rejeição

Gelson Merísio aparece com a maior rejeição do levantamento, atingindo 30,8%. Jorginho registra 26,4%, índice não muito confortável, porém, considerado administrável para quem ocupa o governo e lidera a disputa. João Rodrigues tem apenas 9,5% de rejeição, o que lhe dá potencial para crescer, mas esse potencial ainda não se converteu em intenção de voto suficiente para encurtar a distância em relação ao governador.

No caso de Merísio, é importante fazer uma análise mais aprofundada. Sua rejeição parece estar mais associada ao campo político que representa do que propriamente à sua figura. Em um estado onde o eleitorado majoritariamente se posiciona mais à direita, qualquer candidato identificado com o campo progressista ou de centro-esquerda tende a enfrentar um nível maior de resistência. Isso significa que parte dessa rejeição não é necessariamente pessoal, mas ideológica.

Cenário do momento

A fotografia do cenário revelada pela pesquisa aponta para uma eleição que, neste momento, continua fortemente inclinada para a reeleição de Jorginho Mello. O governador mantém uma liderança robusta, supera sozinho a soma de todos os concorrentes, apresenta desempenho de primeiro turno nos votos válidos e segue sem enfrentar um adversário capaz de unificar o eleitorado crítico ao atual governo. A principal disputa, por enquanto, parece ocorrer pela consolidação da segunda colocação e pela definição de quem conseguirá se apresentar como a principal alternativa ao governador na reta final da campanha.

Dados da pesquisa

A pesquisa foi realizada pela Neokemp Pesquisas nos dias 15 e 16 de junho de 2026. Foram entrevistados 1.008 eleitores em 93 municípios de Santa Catarina, por meio de entrevistas automatizadas pelo sistema URA (Unidade de Resposta Audível). A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O universo pesquisado corresponde aos eleitores catarinenses com 16 anos ou mais. A pesquisa foi contratada pelo Jornal O Correio do Povo com registro no TSE nº SC-05232/2026.