
O governo dos Estados Unidos deverá decidir até 15 de julho se confirma a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. Antes da decisão final, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) realizará uma audiência pública em 6 de julho, etapa considerada decisiva para o futuro das exportações brasileiras ao mercado norte-americano.
O que chama a atenção é que a principal resistência à medida não está vindo apenas do governo brasileiro ou das empresas exportadoras. Diversas companhias americanas que dependem de produtos brasileiros entraram em campo para tentar barrar o tarifaço. Elas alegam que a sobretaxa aumentará custos, prejudicará cadeias produtivas nos Estados Unidos e poderá encarecer produtos para consumidores e empresas americanas.
A mobilização envolve empresas dos setores de madeira, construção civil, revestimentos, mineração e habitação, que protocolaram manifestações junto ao USTR defendendo a retirada de diversos produtos brasileiros da lista de sobretaxação.
Entre elas estão importadores de pisos de madeira, granito, mármore, quartzo e componentes para construção civil. O argumento é que muitos desses produtos não possuem fornecedores alternativos capazes de oferecer a mesma qualidade, escala de produção e competitividade encontradas no Brasil.
Empresas americanas ligadas ao setor de pisos afirmaram que madeiras brasileiras utilizadas na fabricação de revestimentos e acabamentos não possuem equivalentes disponíveis no mercado americano. Já importadores de granito, mármore e quartzo alertaram que a medida poderá elevar os custos da construção civil sem trazer benefícios reais para a indústria dos Estados Unidos.
Embora essas empresas não tenham identificado publicamente seus fornecedores, os produtos que elas defendem coincidem diretamente com segmentos em que Santa Catarina possui forte presença exportadora, especialmente nas áreas de madeira industrializada, móveis, revestimentos e componentes para construção civil.
90% das exportações
A preocupação é especialmente grande aqui no estado com um possível tarifaço. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), mais de 90% das exportações catarinenses destinadas aos Estados Unidos poderão ser atingidas caso a medida seja confirmada. Os EUA são atualmente o principal destino das exportações catarinenses, absorvendo cerca de 14% de tudo o que o estado vende ao exterior. Diferentemente de outras unidades da federação, cuja pauta exportadora é mais concentrada em commodities agrícolas e minerais, Santa Catarina exporta principalmente produtos manufaturados de maior valor agregado.
Setores mais expostos
Máquinas e equipamentos; motores elétricos; compressores; autopeças; produtos metalmecânicos; móveis; madeira industrializada; portas e molduras; revestimentos cerâmicos; e parte da indústria têxtil.
Impacto por regiões
O possível tarifaço pode atingir importantes polos econômicos aqui no estado. No Norte, Joinville e Jaraguá do Sul concentram grandes fabricantes de motores, máquinas, equipamentos industriais e componentes metalmecânicos que possuem forte presença no mercado americano. No Vale do Itajaí, cidades como Blumenau e Brusque possuem forte participação da indústria têxtil e de confecções, outro segmento que pode sofrer reflexos da medida. Já no Planalto Norte, São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre formam um dos maiores polos moveleiros e de produtos de madeira do país. É justamente esse segmento que aparece com destaque nas manifestações apresentadas por empresas americanas ao governo dos Estados Unidos. No Sul, Criciúma, Içara e Tubarão concentram parte significativa da indústria cerâmica nacional, responsável pela produção de revestimentos exportados para diversos mercados, incluindo os Estados Unidos.
Reflexos
Os efeitos de um novo tarifaço americano não ficariam restritos às empresas exportadoras aqui do estado. Como a indústria responde por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual — uma das maiores participações entre os estados brasileiros — qualquer desaceleração no setor tende a repercutir em toda a economia. A redução da atividade industrial afeta cadeias de fornecedores, transportadoras, prestadores de serviços e o comércio local, além de impactar a arrecadação de impostos e a geração de renda. A expectativa é que a forte pressão exercida pelas próprias empresas dos Estados Unidos, que dependem dos produtos brasileiros para manter suas operações, possa influenciar o governo americano a rever ou flexibilizar a proposta antes da decisão final.
Zema libera

Após o afastamento das principais lideranças do Novo de sua pré-candidatura à Presidência da República, Romeu Zema, durante uma entrevista coletiva em um evento realizado pela Confederação Nacional da Indústria, liberou lideranças do partido para apoiarem o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). “Quem quiser andar, sair e apoiar o Flávio está liberado. Deputados de outros estados e de outros partidos estão comigo”, afirmou o ex-governador de Minas Gerais. Mesmo assim, reiterou as críticas contra Flávio e disse que não mudará sua posição.
Baixar a fervura
Resta saber se a fala do pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), baixará a fervura no Partido Novo aqui no estado. Além disso, com a liberação para que as lideranças apoiem Flávio Bolsonaro (PL), qual será o posicionamento do ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, pré-candidato a vice na futura chapa do governador Jorginho Mello (PL)? Voltará a dar seu apoio a Zema ou vai aderir ao projeto do 02 do ex-presidente Jair Bolsonaro?
Ponto Zero
A partir das 8h05, convido você a assistir ao Ponto Zero, o noticiário matinal do Santa Catarina em Pauta. As primeiras informações que serão assunto ao longo do dia em todo o estado. Assista pelo YouTube ou acompanhe pelas redes sociais no Instagram, Facebook e X. O programa tem a apresentação da jornalista Adriane Werlang, com os meus comentários sobre política e economia estadual, além das participações dos colegas Anderson de Jesus, do Sul do estado; Arnaldo Zimermann, do Vale do Itajaí; Jean Carlo Lima, da Serra; e Luiz Veríssimo, do Norte do estado. Em breve, também teremos comentários diretamente do Oeste. Os assuntos da coluna você também vê no Ponto Zero.
Em Blumenau

Corre nos bastidores de Blumenau que um dos celulares apreendidos na operação que investiga os contratos da prefeitura com a Risotolândia teria um potencial explosivo. Já foi dado até um apelido: “celular do Vorcaro”. O clima em Blumenau ficou pesado após as operações que ocorreram no município. Outdoors foram espalhados pela cidade criticando a suposta corrupção na questão da merenda escolar.
Chá revelação

Ontem, o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), postou um vídeo nas redes sociais falando sobre sua pré-candidatura ao Senado por Santa Catarina. Além de frases populistas e pautas defendidas pelo senso comum, Carlos, em determinado momento, disse que, no Senado, jamais haverá uma causa de Santa Catarina que não seja dele. Aí vem o chá revelação ao completar: “Mas eu não vou negar. O meu compromisso com você vai muito além disso. Estou aqui para desafiar esse sistema perverso que se instalou em Brasília”, afirmou.
Por que do chá
Apesar de afirmar que as causas de Santa Catarina serão dele caso se eleja ao Senado, o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), deixa claro o seu verdadeiro objetivo e, nele, não estão as pautas do estado. Vale lembrar que Carlos não teve um projeto relevante aprovado em todos os anos em que esteve na Câmara do Rio de Janeiro. Apresentou propostas bizarras, como a proibição de se colocar insetos na comida das crianças nas creches, e agora quer um emprego, uma garantia pessoal de oito anos perto de sua família. Podem acreditar: serão raras as vezes em que veremos Carlos aqui em Santa Catarina caso seja eleito. Também serão raras as vezes em que o veremos trabalhar com vontade pelas pautas que o nosso estado precisa que sejam atendidas. A questão é: quem será cúmplice de um projeto pessoal que deixará os catarinenses subrepresentados no Senado?
Brigadeiro

O lutador de jiu-jítsu e empresário Marcelo Brigadeiro está mais dentro do que nunca da eleição ao Governo do Estado. Numa jogada de marketing para chamar a atenção e também lançar sua vaquinha virtual, Brigadeiro afirmou que irá disputar o governo e fez fortes provocações aos três principais pré-candidatos: o governador Jorginho Mello (PL), o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), e o ex-deputado Gelson Merisio (PSB). O pré-candidato do Missão disse que não irá desistir e que incomodará seus adversários durante o processo eleitoral. Vale lembrar que, na primeira pesquisa, Brigadeiro fez quase 6% e, depois, oscilou entre 1,5% e 3%.
Desempenho
O possível desempenho de Marcelo Brigadeiro (Missão) na disputa ao Governo do Estado é uma incógnita. Como franco-atirador, promete não poupar ninguém. Restará saber como o eleitor reagirá a essa estratégia. Outro ponto de atenção é quanto ao desempenho do pré-candidato à Presidência, Renan Santos (Missão), e o quanto ele conseguirá influenciar, aqui no estado, a favor de Brigadeiro.
Kita se manifesta
Segue nota do presidente do CREA-SC em resposta a coluna de ontem
Ao tomar conhecimento de recente coluna jornalística que aborda a relação institucional entre o CREA-SC e o LIDE Santa Catarina, considero importante apresentar alguns esclarecimentos em respeito aos profissionais registrados, às entidades envolvidas e à sociedade catarinense.
Faço isso com a serenidade de quem teve a honra de exercer quatro mandatos na Presidência do CREA-SC ao longo de sua trajetória institucional. Embora atualmente licenciado do cargo, permaneço vinculado ao mandato que se encerra em dezembro de 2026. Ao longo desses anos, procurei conduzir o Conselho com responsabilidade, transparência, respeito às normas da administração pública e absoluto compromisso com os profissionais e com a sociedade.
A credibilidade de uma instituição não se constrói em meses nem em um único mandato. Ela é resultado de trabalho contínuo, planejamento, dedicação de inúmeras pessoas e decisões tomadas sempre com foco no interesse coletivo. Da mesma forma, a reputação de um dirigente deve ser avaliada pelo conjunto de sua trajetória, pelos resultados alcançados e pela observância permanente dos princípios que regem a vida pública.
Respeito plenamente a liberdade de imprensa e o direito à divergência. O debate público é indispensável em uma sociedade democrática. No entanto, quando são levantados questionamentos sobre a conduta de pessoas e instituições, é igualmente importante que as conclusões estejam amparadas em fatos verificáveis, informações objetivas e elementos concretos.
O CREA-SC construiu, ao longo de décadas, uma trajetória reconhecida nacionalmente pela seriedade de sua gestão, pela eficiência de seus serviços, pelo compromisso com a fiscalização do exercício profissional e pela defesa permanente da engenharia, da agronomia e das geociências. Não por acaso, o Conselho é frequentemente citado como referência entre os CREAs brasileiros pela qualidade de sua gestão, inovação administrativa e capacidade de entrega de resultados.
Da mesma forma, o LIDE Santa Catarina consolidou-se como um espaço legítimo de diálogo, reunindo lideranças empresariais, gestores públicos, representantes institucionais, especialistas e formadores de opinião para discutir temas relevantes ao desenvolvimento econômico e social do Estado. Trata-se de uma entidade respeitada, que promove encontros, debates e iniciativas voltadas à construção de soluções para desafios que impactam diretamente Santa Catarina.
Por isso, causa estranheza a tentativa de apresentar como incompatíveis duas instituições que atuam justamente em favor do desenvolvimento. A engenharia, a agronomia e as geociências estão presentes em praticamente todos os setores produtivos da economia. Infraestrutura, energia, saneamento, tecnologia, mobilidade, habitação, indústria e agronegócio dependem diariamente do conhecimento técnico dos profissionais representados pelo CREA-SC. O diálogo com o setor produtivo, portanto, não é apenas legítimo, mas necessário e coerente com a missão institucional do Conselho.
Também considero importante registrar que na matéria jornalística não foi apresentada qualquer decisão de órgão de controle, parecer jurídico ou auditoria que sustente as interpretações divulgadas. Pelo contrário: cabe destacar que o apoio financeiro em questão seguiu rigorosamente todos os ritos legais da autarquia, sendo analisado pela Comissão de Tomada de Contas e aprovado, por unanimidade, pelos 97 conselheiros no plenário do CREA-SC.
Em uma sociedade democrática, críticas são legítimas, mas conclusões dessa natureza exigem fundamentação técnica e o respeito às decisões oficiais do colegiado.
Ao longo dos mandatos que exerci na Presidência do CREA-SC, a instituição consolidou indicadores reconhecidos nacionalmente nas áreas de fiscalização, modernização administrativa, governança, transparência e prestação de serviços aos profissionais. Esse patrimônio institucional foi construído por servidores, conselheiros, inspetores, entidades de classe e dirigentes que dedicaram seu trabalho ao fortalecimento do Conselho e à proteção da sociedade catarinense.
Críticas são próprias da vida pública e fazem parte do ambiente democrático.
O que não se pode admitir é que opiniões sejam apresentadas como fatos sem a necessária comprovação. O compromisso com a verdade exige que interpretações e convicções pessoais sejam claramente distinguidas de informações efetivamente comprovadas.
Tenho convicção de que instituições fortes se constroem por meio do diálogo, da cooperação e da capacidade de reunir diferentes setores em torno de objetivos comuns. Foi essa visão que sempre orientou minha atuação e que continuará orientando minha vida pública.
Encerro este ciclo com a tranquilidade de quem sempre atuou à luz da legalidade, da transparência e do interesse público. O julgamento mais justo sobre qualquer gestão não é feito por conjecturas ou narrativas, mas pelos resultados entregues, pelos fatos documentados e pela história construída ao longo do tempo.
Por fim, reafirmo meu respeito à imprensa, às entidades representativas, aos profissionais e aos cidadãos catarinenses, certo de que o debate público produz seus melhores resultados quando conduzido com equilíbrio, responsabilidade e compromisso com a verdade dos fatos. – Eng. Carlos Alberto Kita Xavier – Presidente licenciado do CREA-SC
Nota da coluna
Nem tudo o que é legal ou tem aparência de legalidade é moral. A coluna apenas abordou a insatisfação e os questionamentos de alguns profissionais que contribuem com o CREA-SC. A direção da entidade precisa entender que questionamentos fazem parte da democracia e que, com o CREA-SC, não pode ser diferente. Isso, sim, é respeito à liberdade de imprensa e à liberdade de expressão dos profissionais que sustentam o conselho.
É legítimo que profissionais ligados ao conselho questionem um patrocínio de R$ 150 mil e apresentem sugestões sobre o que poderia ter sido feito com o valor oriundo de parte de suas contribuições.
Além do mais, ao dar espaço a quem tem o direito de questionar a direção do CREA-SC, a coluna de forma alguma diminui a importância do LIDE-SC, importante espaço de debates.
Quanto à apresentação de qualquer decisão de órgãos de controle, ela não se faz necessária. Basta saber interpretar um texto para perceber que não foi citada nenhuma irregularidade, mas, sim, um legítimo questionamento sobre a forma como foram administrados R$ 150 mil.
Quanto à comprovação, basta ter acesso ao que foi registrado pelo próprio CREA-SC sobre a destinação do valor ao LIDE-SC, apontado como “serviço de patrocínio” em 17 de março de 2026. Essa é a verdade dos fatos!










