
As críticas do presidente Lula (PT) ao governador Jorginho Mello (PL), durante sua visita a Itajaí na sexta-feira passada, poderão estimular uma polarização que tende a beneficiar tanto o pré-candidato da esquerda ao Governo do Estado, Gelson Merisio (PSB), quanto o próprio governador.
Tudo o que as duas pré-campanhas desejam é a verticalização da eleição, ou seja, que a disputa nacional influencie o cenário estadual. E esse sentimento tem um motivo muito claro: tanto Jorginho quanto Merisio têm pré-candidatos fortes à Presidência da República, enquanto o pré-candidato ao governo, João Rodrigues (PSD), terá o papel de levar Ronaldo Caiado no colo, por ser incontestavelmente mais conhecido do que o ex-governador de Goiás, que não passa de 3% das intenções de voto.
Para Gelson Merisio, essa verticalização é necessária. Mesmo tendo reunido partidos e lideranças da esquerda em torno de seu projeto, ele ainda precisa conquistar o eleitorado do campo progressista, que lentamente começa a aderir à sua pré-candidatura. Nos bastidores, o entendimento é de que, a partir do momento em que começar a aparecer mais ao lado de Lula, Merisio tende a subir nas pesquisas. Além disso, também se entende que assumir o lugar do presidente na “briga” com o governador o fará ser visto com outros olhos pelo eleitor mais ideológico de esquerda, crítico ao atual governo.
A última pesquisa aponta que Merisio está na casa dos 9%, quase a metade do capital eleitoral da esquerda no estado. A projeção é que, a depender do desempenho do presidente junto ao eleitor catarinense, o ex-deputado possa ultrapassar a marca dos 20%.
Vale destacar que é muito remota a chance de vitória de Gelson Merisio nesta eleição. Ele mesmo e toda a esquerda sabem disso. Tanto que algumas lideranças desse campo concordaram com a leitura que fiz após o lançamento da pré-candidatura do pessebista: a eleição que Merisio entrará para disputar com força é a de 2030, não a de agora. Porém, ele precisa apresentar um bom resultado para ganhar musculatura para o próximo pleito.
Por outro lado, para Jorginho esse cenário também é interessante. Embora as pesquisas apontem para uma reeleição em primeiro turno, caso a eleição fosse hoje, há um entendimento de que o crescimento de Merisio tende a conter ainda mais o projeto de João Rodrigues. Isso porque, apesar de estarem em campos opostos, o pessedista e Merisio disputam uma fatia do eleitorado de centro que não é ideológico.
No fim das contas, o maior adversário de João Rodrigues talvez não seja nem Jorginho nem Merisio, mas a própria nacionalização da disputa. Quanto mais a eleição catarinense reproduzir o embate entre Lula e o bolsonarismo, menor tende a ser o espaço para uma candidatura que busca se apresentar como alternativa entre os dois polos. E o pior para Rodrigues é que o controle da situação não depende da estadualização de seu discurso. Se Jorginho e Merisio investirem na estadualização da polarização, será esse o caminho que deverá prevalecer para o eleitor. Mesmo assim, não é possível cravar nenhum cenário. O período eleitoral ainda não começou, e o campo está aberto para ser explorado por todos os pré-candidatos.
Caiado em Criciúma

O PSD organiza a visita do pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, que ocorrerá nesta quinta-feira (02). A agenda será no Centro de Eventos Germano Rigo, a partir das 18h30. Caiado tenta aparecer mais para o eleitorado catarinense e apresentar as suas pautas para o pleito deste ano. Todos os pré-candidatos da majoritária estadual, liderados pelo ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues, pré-candidato ao Governo do Estado, estarão em Criciúma.
Sem Michelle

O ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) ficou ainda mais distante da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Agora, nem nas redes sociais ela o segue. Aliás, Michelle também deixou de seguir o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Tudo por causa do que foi relatado por ela sobre não ter voz no partido. Vale lembrar que, em relação a Carlos, a questão é ainda mais grave. Em março, em entrevista, Michelle disse que o perdoou pelas brigas, mas descarta qualquer aproximação. “Já perdoei, mas não quero conviver”, afirmou.
E a CPI?

O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), recebe, às 8h, os vereadores da base em seu gabinete. A pauta é a CPI da Passarela da Cidadania. Topázio quer evitar, a todo custo, a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito. Ele teme dois desgastes: para a sua gestão e também para o seu pré-candidato a deputado estadual, Fábio Botelho (Podemos). Segundo uma fonte, valerão todos os movimentos necessários para tentar evitar a abertura da comissão, desde ameaças de exoneração de indicados até mesmo a antecipação do acerto da formação da mesa diretora e da presidência da Câmara de Vereadores.
Todos perdem
Uma leitura que não é difícil de fazer é que os vereadores se sentem ameaçados quando se fala na perda de cargos na Prefeitura de Florianópolis, caso assinem o pedido de CPI da Passarela da Cidadania, e também com a possibilidade de o prefeito Topázio Neto (Podemos) atrapalhar as ambições de quem deseja ser presidente da Câmara ou compor a mesa diretora. Mas o fato é que não seriam apenas os vereadores os afetados. Topázio, com uma Câmara sem nada a perder, não teria mais o controle de nada. Seria obrigado a recuar ou passaria dois anos sem aprovar qualquer projeto de seu interesse e com a constante ameaça de novas CPIs.
Manu desagrada

A vereadora Manu Vieira (PL) está sendo alvo de críticas pelo seu novo posicionamento em relação à CPI da Passarela da Cidadania em Florianópolis. Ela agora alega que não assinou porque a iniciativa foi da oposição e que seria uma pauta da esquerda. Acontece que os próprios vereadores de esquerda aceitam assinar um pedido de CPI protocolado pela própria Manu ou por outro nome da situação. O vereador João Padilha (PL) também tentou emplacar a mesma narrativa, mas não colou. Ele segue à espera de Manu. Um bastidor importante: tanto Manu quanto Padilha foram liberados pela sua líder, a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL), para assinarem o pedido de CPI. O que se diz na Câmara em relação a Manu é que, para quem deseja um mandato de deputada ou, futuramente, de prefeita, é preciso saber enfrentar as pressões naturais da política.
Ponto Zero
A partir das 8h05, convido você a assistir ao Ponto Zero, o noticiário matinal do Santa Catarina em Pauta. As primeiras informações que serão assunto ao longo do dia em todo o estado. Assista pelo YouTube ou acompanhe pelas redes sociais no Instagram, Facebook e X. O programa tem a apresentação da jornalista Adriane Werlang, com os meus comentários sobre política e economia estadual, além das participações dos colegas Anderson de Jesus, do Sul do estado; Arnaldo Zimermann, do Vale do Itajaí; Jean Carlo Lima, da Serra; e Luiz Veríssimo, do Norte do estado. Em breve, também teremos comentários diretamente do Oeste. Os assuntos da coluna você também vê no Ponto Zero.
Nova missão

O vereador Lucas Souza (Republicanos) foi escolhido pela prefeita Rejane Gambin para assumir a liderança do Governo na Câmara de Joinville. A partir de agora, será o responsável por articular a relação entre o Executivo e o Legislativo. É a primeira vez que Souza assume o papel de líder.
CREA paga viagem

A viagem do presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC), Kita Xavier, à província de Zhejiang, na China, realizada em fevereiro, levanta sérios questionamentos sobre as prioridades da atual gestão. Com um custo superior a R$ 35 mil aos cofres da instituição, a participação na chamada “viagem técnica” do programa Global Innovators evidencia um distanciamento preocupante entre a cúpula do conselho e a realidade diária dos engenheiros. Para os engenheiros, agrônomos e demais profissionais que sustentam o CREA-SC, fica a cobrança: qual o retorno prático que essa viagem trouxe aos pagadores de taxas e anuidades? Será que os milhares de reais investidos em um roteiro internacional trouxeram algum benefício real para a fiscalização do exercício ilegal da profissão em Santa Catarina? Será que a valorização profissional mudará após essa imersão no outro lado do mundo? A resposta, que ecoa nos canteiros de obras, lavouras e escritórios catarinenses, é um claro e contundente não.

Redução da anuidade
O contraste da despesa da viagem do presidente do CREA-SC, Kita Xavier, torna-se ainda mais amargo quando se analisa o peso da autarquia no bolso de quem trabalha. Atualmente, a anuidade cobrada pelo conselho atinge o pesado patamar de R$ 700. Chamou a atenção o debate levantado pela engenheira Priscila Andrade, Prysky, que defende a redução da anuidade para R$ 250. Enquanto a arrecadação financia missões na Ásia que não refletem em melhorias na base, os profissionais exigem alívio financeiro e eficiência.
Paulo Alceu

Após 23 anos de atuação na televisão catarinense, o jornalista Paulo Alceu anunciou sua despedida da TV para iniciar um novo projeto na vida pública. Filiado ao Republicanos, ele coloca seu nome à disposição da sigla como pré-candidato a deputado federal. Alceu afirma que a decisão foi tomada após um período de reflexão e também motivada pelo incentivo recebido. “Depois de muitos anos acompanhando de perto a realidade dos catarinenses e sendo incentivado por tantas pessoas, entendi que chegou o momento de contribuir de uma nova forma. Coloco meu nome à disposição com o propósito de servir e trabalhar por Santa Catarina”, destaca.










