Os bastidores da reunião de Topázio com vereadores para evitar a CPI; vereadora se afasta da base em Itajaí; decisão judicial em Bombinhas — e outros destaques


Foto de Marcelo Lula

Marcelo Lula

Topázio tenta transferir ao ex-secretário a responsabilidade pela contratação da gestão da Passarela da Cidadania – Imagem: PMF

A reunião entre o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), e os vereadores da base governista, com a presença da vice-prefeita Maryanne Mattos (PL) e do secretário da Casa Civil, Thiago Oliveira, surpreendeu pelo tom adotado. Ao contrário do clima de tensão esperado diante da crise envolvendo contratos para a gestão da Passarela da Cidadania e o Hotel 2S, o encontro, segundo relatos, foi marcado por uma conversa considerada leve, respeitosa e voltada à manutenção da unidade da base na Câmara.

O principal pedido do prefeito aos vereadores foi por apoio neste momento para evitar a instalação da CPI enquanto as investigações seguem seu curso. A avaliação apresentada durante a reunião é de que o episódio tem sido explorado politicamente e que o governo precisa manter sua sustentação no Legislativo.

A estratégia de Topázio é jogar a responsabilidade no ex-secretário de Assistência Social, Bruno Souza. Segundo relatos feitos aos vereadores, foi ele quem teria indicado as empresas que participaram da chamada pública. No entanto, também foi lembrado que Bruno não assinou o contrato justamente por entender que o processo apresentava falhas e não oferecia segurança jurídica. Os vereadores receberam, inclusive, documentos mostrando sugestões feitas por Souza durante a tramitação do processo, bem como manifestações em que ele teria recusado dar prosseguimento ao contrato por identificar inconsistências.

Vale lembrar que Bruno Souza, ao se recusar a assinar o contrato, foi exonerado, e quem acabou assinando o documento foi o então secretário adjunto, Aníbal Gonzales, apontado como homem de confiança de Leandro Lima e Fábio Botelho. Aníbal foi um dos alvos da segunda fase da Operação Backstage, que investiga as denúncias envolvendo a gestão da Passarela da Cidadania.

Base quer aguardar

Outro ponto destacado durante a reunião no gabinete do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), foi a orientação para aguardar o andamento das investigações antes da adoção de novas medidas. Uma fonte relatou que o vereador Ednon da Rosa, o Dinho (UB), deixou claro ao prefeito que, caso outros vereadores assinem, ele próprio poderá assinar o pedido de abertura da CPI. A percepção dentro da base é de que, havendo fatos novos consistentes, dificilmente haverá resistência à instalação da comissão. O gabinete do vereador não confirmou essa fala. Segundo informaram, há confiança na documentação apresentada por Topázio, mas pedem agilidade ao Executivo para esclarecer a população. Além disso, também pedem mais habilidade da Câmara na discussão do tema para que não se transforme em um tribunal antecipado. “Sem isso, se chegarmos ao número de assinaturas necessário para a referida instalação, defendemos que então todos os vereadores assinem, porque o esclarecimento honesto deve ser a busca da Casa Legislativa”, disse, por meio de nota.

Visão sobre a população

Um relato que chamou a atenção foi feito pelo prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), durante a reunião. Ele afirmou aos vereadores que a população em geral não está ligando para o assunto da Passarela da Cidadania e que não assinar o pedido de CPI não vai gerar prejuízo para ninguém. Em resposta, os vereadores o alertaram de que a pressão pela instalação é grande.

Questionamentos e desconforto

Durante a reunião no gabinete do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), a vereadora Manu Vieira (PL) fez questionamentos ao prefeito e também à vice-prefeita, Maryanne Mattos (PL). Houve um momento de desconforto entre as duas. Manu cobrou mais informações sobre o caso, enquanto Maryanne buscou minimizar o debate, argumentando que Manu integra a base do governo e que seu mandato é vinculado ao PL.

Debate entre vereadores

Outro episódio registrado nos bastidores envolveu um debate entre o presidente da Câmara, João Cobalchini (MDB), e o vereador Ednon da Rosa, o Dinho (UB). A discussão ocorreu porque Cobalchini decidiu manter uma sessão da Câmara após um jogo da Copa. Dinho criticou a decisão, afirmando que o emedebista “jogou para a torcida”, abrindo espaço para que a oposição fortaleça o discurso em defesa da CPI, gerando desgaste para a base governista. Chamou atenção o fato de que dois temas não entraram na pauta da reunião: o nome de Fábio Botelho não foi mencionado em nenhum momento, assim como não houve qualquer discussão sobre a futura eleição da Mesa Diretora da Câmara.

Resposta de Souza

Bruno Souza rebateu as declarações feitas por Topázio durante a reunião com os vereadores – Imagem: Redes Sociais

Procurado, o ex-secretário de Assistência Social, Bruno Souza, rebateu o que foi dito pelo prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), e afirmou que denuncia a atuação de Leandro Lima desde o período em que ele ocupava uma secretaria no governo de Carlos Moisés da Silva. Segundo Souza, há uma contradição no caso. “A tese é de culpar quem justamente está denunciando os contratos e defendendo a CPI e não é investigado, enquanto pessoas do entorno mais próximo da Prefeitura aparecem nas investigações”, afirmou. E completou dizendo: “Eu avisei o Topázio. Quando apresentei a ele um longo relatório mostrando os enormes problemas no contrato da Passarela, sabe qual foi a única resposta? ‘Como foi a live com o Luciano Hang?’. Ele simplesmente ignorou completamente o conteúdo do relatório”, declarou.

Permanência de investigado

O ex-secretário de Assistência Social de Florianópolis, Bruno Souza, também questionou a permanência de Aníbal Gonzales na estrutura da gestão Topázio Neto (Podemos). Segundo ele, Aníbal foi indicado por Leandro Lima e, mesmo tendo sido alvo de duas operações policiais, continua sendo uma pessoa de confiança do prefeito. “Como esse cara continua sendo um homem de confiança do prefeito? Por que ele é indemissível? Ele deve saber de alguma coisa. O prefeito deve ter medo do que ele tem para falar”, afirmou. Por fim, o ex-secretário criticou a postura dos vereadores da base e também de parlamentares que se apresentam como independentes.

Zena na Assistência

Zena assumirá o comando da Assistência Social de Florianópolis – Imagem: Divulgação

Nome de confiança do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (Podemos), Zena Becker assumirá o comando da Secretaria de Assistência Social no lugar de Raphael Martins, que assumirá a Secretaria Executiva de Parcerias Estratégicas, anteriormente ocupada por Zena. Alexandre Waltrick é o novo procurador-geral, enquanto Luiz Felipe Kronbauer será o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Ponto Zero

A partir das 8h05, convido você a assistir ao Ponto Zero, o noticiário matinal do Santa Catarina em Pauta. As primeiras informações que serão assunto ao longo do dia em todo o estado. Assista pelo YouTube ou acompanhe pelas redes sociais no Instagram, Facebook e X. O programa tem a apresentação da jornalista Adriane Werlang, com os meus comentários sobre política e economia estadual, além das participações dos colegas Anderson de Jesus, do Sul do estado; Arnaldo Zimermann, do Vale do Itajaí; Jean Carlo Lima, da Serra; e Luiz Veríssimo, do Norte do estado. Em breve, também teremos comentários diretamente do Oeste. Os assuntos da coluna você também vê no Ponto Zero.

Itajaí

Vereadora se afasta da gestão do prefeito Robson Coelho – Imagem: Rede Social

A vereadora Liliane Fontenele (PL), conhecida como Dra. Pix, anunciou que não fará mais parte da base do governo do prefeito de Itajaí, Robson Coelho (PL), e do vice-prefeito, Rubens Angioletti (PL). Na tribuna, disse que seguirá votando de acordo com as suas convicções e pautas. O motivo da saída não foi informado. Desde o ano passado, Coelho tem tido problemas com a vereadora. Uma das questões envolvendo Liliane foi o caso em que ela foi acusada de ter dirigido palavras de baixo calão à secretária de Saúde do município, Mylene Lavado.

Polêmica

A vereadora de Itajaí, Liliane Fontenele (PL), é conhecida por suas polêmicas. Além de ser acusada de agressões verbais contra a secretária de Saúde, Mylene Lavado, também teve de ficar por um tempo fora das redes sociais após um acordo de não persecução penal com a Procuradoria-Geral da República. Ela foi acusada de atentar contra a democracia após acampar em frente à Marinha, pedindo a intervenção das Forças Armadas e ofendendo instituições, a exemplo do STF. Ela foi apelidada de “Dra. Pix” após ter sido acusada de receber e fazer transferências para, supostamente, financiar a ida de catarinenses para participar dos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Decisão em Bombinhas

A Justiça concedeu liminar em ação movida pelo Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (ONDAS), determinando que a Aegea interrompa imediatamente o lançamento de efluentes fora dos padrões legais nas praias de Bombinhas. Em caso de descumprimento, a empresa estará sujeita à multa de R$ 100 mil. A decisão também estabelece o prazo de 30 dias para que a concessionária apresente um plano de contingência com medidas para solucionar o problema. Além disso, a Justiça ainda irá analisar os pedidos para suspender a distribuição de lucros da Aegea e autorizar a intervenção do município no contrato de concessão.

Constrangimento

O ex-presidente da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), Guilherme Bertani, partiu para cima do MDB na cerimônia em que deu posse ao novo presidente da entidade, André Daher. Bertani acusou o MDB de liderar o Ministério dos Transportes e não fazer nada pela BR-280, em São Francisco do Sul, além de chamar de medíocre um projeto para um trecho norte da BR-101. Também acusou os emedebistas de não terem interesse por Joinville. Os deputados Carlos Chiodini e Antídio Lunelli abandonaram o evento logo após a fala. Já o vice-presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Krelling, mesmo constrangido, permaneceu porque estava na mesa de autoridades representando o Parlamento.

Emprego

O setor industrial foi o principal motor da geração de empregos formais no estado nos cinco primeiros meses do ano. Entre janeiro e maio, a indústria catarinense registrou crescimento de 3,09% no número de trabalhadores com carteira assinada, desempenho que representa mais que o dobro da média nacional, de 1,43%. Os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho, confirmam o ritmo de expansão do mercado de trabalho no estado. No acumulado de janeiro a maio, Santa Catarina registrou saldo positivo de 61.658 novos empregos formais, o terceiro maior do país. O estado ficou atrás apenas de São Paulo, com 215.924 vagas, e de Minas Gerais, com 87.375.

Destaque para a indústria

A indústria teve papel decisivo nesse resultado. O setor respondeu por um saldo de 24.527 novos postos de trabalho no período, enquanto, em todo o Brasil, foram criadas 128.353 vagas industriais. Isso significa que quase 20% de todos os empregos formais gerados pela indústria brasileira nos cinco primeiros meses foram criados em Santa Catarina — o equivalente a um em cada cinco novos postos de trabalho do setor no país.