Entenda o aumento no preço do gás; MPE abre Notícia de Fato para apurar a mudança de domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro; prints de Souza mostram que Topázio foi alertado – e outros destaques


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Marcelo Lula

Moritz destaca que o aumento do preço do petróleo e a alta do dólar, impulsionados pela guerra, pressionaram o reajuste do gás. Imagem: Arquivo/Casan

Passou a valer ontem o reajuste de 10,69% na tarifa do gás natural residencial aqui no Estado. A Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (ARESC) autorizou o aumento, que passa a valer para os consumidores atendidos pela SCGás.

A revisão tarifária é feita semestralmente pela agência reguladora e foi oficializada por meio das Resoluções nº 407 e nº 410, autorizando a atualização do valor do gás, além do repasse da parcela de recuperação das tarifas da distribuidora. Em nota, a ARESC informou que os novos valores valem para os segmentos residencial, comercial, industrial, veicular, matéria-prima, geração distribuída, GNC/GNL e frotista.

Além do reajuste residencial, também ficou definido um aumento de 11,35% para o comércio, 11,36% para o Gás Natural Veicular (GNV) e de 12,45% para o mercado industrial.

Conversei com o presidente da Celesc, Edson Moritz, para entender o que motivou o reajuste. Ele assumirá, nos próximos dias, o comando do Conselho de Administração da SCGás, na condição de presidente das Centrais Elétricas de Santa Catarina.

Moritz explicou que a revisão tarifária chegou a indicar um reajuste próximo de 30%, mas um trabalho conjunto entre a SCGás, a Celesc e os demais acionistas da companhia — Comgás e Mitsui — conseguiu reduzir significativamente esse percentual antes da decisão final da ARESC. Ele destaca que as negociações permitiram minimizar ao máximo o impacto aos consumidores. “Entendemos que era um valor muito alto. A SCGás iniciou conversas com os fornecedores e nós, como acionistas, também participamos desse processo para reduzir ao máximo o impacto ao consumidor. A orientação do governador Jorginho Mello foi trabalhar para reduzir o máximo possível esse impacto. Houve um esforço muito grande da equipe da SCGás e dos acionistas para chegar ao menor reajuste possível”, afirmou.

Petróleo e dólar pressionaram

Edson Moritz lembrou que é preciso entender os custos que são diretamente impactados por fatores externos. No caso, cerca de 80% do custo da chamada “molécula” do gás natural está vinculado ao preço internacional do petróleo e também ao dólar, o que, segundo Moritz, permitiu que, em janeiro passado, houvesse uma redução de 12% na tarifa do gás. “Agora, com a mudança do cenário internacional por causa da guerra, houve necessidade de recomposição dos preços. O preço do gás é definido pela Petrobras para todo o país. Como houve alteração no petróleo e no dólar, surgiu essa necessidade de revisão. Trabalhamos para que o impacto fosse o menor possível”, destacou. Ainda segundo o presidente da Celesc, a tarifa do gás fornecido pela SCGás continua abaixo da praticada há alguns anos. “Hoje, a tarifa da SCGás está cerca de 29% abaixo da registrada em 2022. Em janeiro houve uma redução de aproximadamente 12% e agora houve uma recomposição parcial”, relatou.

Indústrias

Durante a conversa, o presidente da Celesc, Edson Moritz, destacou que as grandes indústrias que compram gás no mercado livre, sem intermediação da SCGás, terão um reajuste muito maior. A explicação é que, nesse caso, os reajustes acompanham diretamente as condições do mercado, com um novo aumento de cerca de 30%. “As grandes indústrias, como as do setor cerâmico, compram gás no mercado livre. Esse mercado não é regulado pela SCGás e teve um impacto bem maior”, afirmou.

Carlos Bolsonaro

A Executiva Estadual do PT se reúne na próxima segunda-feira para discutir a formação das chapas proporcionais a deputado estadual e federal e também se ingressará com uma ação para tentar impugnar a mudança da residência eleitoral do ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado aqui no Estado. No PSOL, advogados do partido ainda não teriam entendido a situação envolvendo Carlos, tanto que chegaram a confundir a questão da residência eleitoral com a impugnação do registro de candidatura. A informação sobre a fragilidade da mudança eleitoral do ex-vereador foi levantada com exclusividade pela coluna.

Notícia de Fato

Mudança de domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro será apurada pelo MPE – Imagem: Divulgação.

O Ministério Público Eleitoral instaurou uma Notícia de Fato para apurar a regularidade da transferência do domicílio eleitoral do ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (PL), para São José. A decisão foi assinada pelo promotor eleitoral Raul de Araujo Santos Neto, da 84ª Promotoria Eleitoral, após o recebimento de uma representação encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público. O procedimento tem como objetivo reunir informações preliminares sobre o caso.

Primeira diligência

No despacho, o promotor Raul de Araujo Santos Neto reconhece que a representação não apresenta prova direta de irregularidade, limitando-se a levantar dúvidas sobre a existência de vínculo efetivo de Carlos Bolsonaro com Santa Catarina. Mesmo assim, considerou que o interesse público na regularidade do cadastro eleitoral justifica a abertura da Notícia de Fato. Como primeira providência, determinou que o Cartório Eleitoral da 84ª Zona informe se houve pedido de transferência de domicílio eleitoral em nome do ex-vereador do Rio de Janeiro, encaminhe cópia integral do procedimento administrativo, da documentação apresentada e esclareça quais elementos fundamentaram o reconhecimento do vínculo eleitoral. O prazo para resposta é de cinco dias.

Eleitor denuncia

Túlio de Amorim é o autor da denúncia sobre o domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro – Imagem: Divulgação

A apuração teve origem em uma representação protocolada pelo eleitor de Indaial Túlio de Amorim Pfuetzenreiter, que questiona a transferência do domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro. No documento, ele pede que o Ministério Público Eleitoral verifique se a mudança observou os requisitos previstos na legislação, analise a documentação apresentada pelo vereador e apure a existência de vínculo efetivo com o Estado. Caso sejam constatadas irregularidades, o autor requer a adoção das medidas cabíveis, incluindo a eventual impugnação da transferência do domicílio eleitoral.

Suposta estratégia

Na representação, Túlio de Amorim Pfuetzenreiter sustenta que Carlos Bolsonaro construiu toda a sua trajetória política no Rio de Janeiro e argumenta que a transferência para Santa Catarina estaria ligada a uma estratégia eleitoral da família Bolsonaro para ampliar sua representação no Senado. O documento cita reportagens publicadas por veículos de imprensa, entre eles o Santa Catarina em Pauta, além de declarações do senador Jorge Seif Júnior (PL). “O próprio senador Jorge Seif já disse que a vinda dele foi um pedido do ex-presidente aos catarinenses. Ou seja, parece mais um ‘arrego’ ou ‘favor’ político do que uma escolha genuína…”, diz um trecho da denúncia. Túlio é filiado ao Novo, mas deu entrada em um mandado de segurança para migrar para o Missão, onde deseja disputar uma vaga à Assembleia Legislativa.

Situação delicada

Ontem divulguei, com exclusividade, os prints de uma conversa do ex-secretário de Assistência Social de Florianópolis, Bruno Souza, com o prefeito Topázio Neto (Podemos). As mensagens praticamente colocam o prefeito em uma situação delicada, pois revelam que ele foi alertado por Souza a respeito dos valores cobrados pela Associação Alberto de Souza, que foi contratada para fazer a gestão da Passarela da Cidadania. Bruno destaca que a proposta das entidades era incompatível com os princípios da boa gestão e chama atenção para os números superestimados, inclusive de salários apresentados à prefeitura. Agora, Topázio não pode negar que foi alertado.

Caiado em Criciúma

João Rodrigues e Ronaldo Caiado estarão em Criciúma – Imagem: Divulgação

O pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), chega hoje, no fim da tarde, a Criciúma. Ele concederá uma entrevista coletiva às 18h30, no Centro de Eventos Germano Rigo, onde ocorrerá um evento com o pré-candidato ao Governo do Estado, João Rodrigues (PSD). Lideranças da futura aliança formada pelos pessedistas com o MDB e a Federação União Progressista também confirmaram presença, a exemplo do pré-candidato a vice, Carlos Chiodini (MDB), e dos pré-candidatos ao Senado, Antídio Lunelli (MDB) e Esperidião Amin (Progressistas). Além de nomes da majoritária, vão participar do encontro o presidente da Assembleia Legislativa, Júlio Garcia (PSD), o prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola, o Vaguinho (PSD), o ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSD), além de deputados e pré-candidatos.

Desastres climáticos

Presidente Júlio Garcia assinou a autorização para o repasse dos recursos ao Governo do Estado. Imagem: Jeferson Baldo/Alesc

A Assembleia Legislativa destinará R$ 10 milhões ao Governo do Estado para reforçar ações de prevenção, mitigação e resposta a possíveis desastres naturais associados à previsão de um El Niño de forte intensidade nos próximos meses. O anúncio foi feito pelo presidente, Júlio Garcia (PSD), durante reunião com a Bancada do Vale do Itajaí. Os recursos serão provenientes de parte da economia gerada pela Assembleia com o duodécimo e, segundo Garcia, deverão fortalecer a capacidade de resposta do Estado, especialmente em áreas vulneráveis a enchentes, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos.

Bancada propôs

A destinação dos R$ 10 milhões partiu de um pedido da Bancada do Vale do Itajaí. Segundo o vice-coordenador do grupo, deputado Marcos da Rosa (PL), a solicitação foi encaminhada ao presidente da Alesc, Júlio Garcia (PSD), para que parte dos recursos devolvidos ao Executivo fosse aplicada em ações de mitigação. O deputado Oscar Gutz (PL), autor da proposta, afirmou que o objetivo é preparar o Estado para enfrentar eventuais impactos climáticos. Embora o pedido tenha sido motivado pelas necessidades do Vale do Itajaí, os parlamentares destacaram que os investimentos beneficiarão todo o Estado, especialmente por envolverem estruturas estratégicas de contenção de cheias, como as barragens de Taió, José Boiteux e Ituporanga.

Ponto Zero

A partir das 8h05, convido você a assistir ao Ponto Zero, o noticiário matinal do Santa Catarina em Pauta. As primeiras informações que serão assunto ao longo do dia em todo o estado. Assista pelo YouTube ou acompanhe pelas redes sociais no Instagram, Facebook e X. O programa tem a apresentação da jornalista Adriane Werlang, com os meus comentários sobre política e economia estadual, além das participações dos colegas Anderson de Jesus, do Sul do estado; Arnaldo Zimermann, do Vale do Itajaí; Jean Carlo Lima, da Serra; e Luiz Veríssimo, do Norte do estado. Em breve, também teremos comentários diretamente do Oeste. Os assuntos da coluna você também vê no Ponto Zero.

Câmara GPT

Há uma preocupação entre especialistas com o uso abusivo do ChatGPT em algumas câmaras de vereadores aqui no Estado. Pareceres jurídicos têm sido formulados sem a mínima revisão, chegando ao ponto de serem incluídos nos projetos para votação com emojis do chat.

Nota oficial

Segue a manifestação do MDB sobre a nota divulgada ontem pela coluna.

O MDB de Santa Catarina recebeu com perplexidade as declarações feitas pelo ex-presidente da Associação Empresarial de Joinville, ACIJ, durante a cerimônia de posse da nova diretoria da entidade, realizada na noite desta segunda-feira, em Joinville.

A perplexidade se dá por dois motivos. Primeiro, pela demonstração de desconhecimento sobre a história e os resultados das administrações do MDB em Santa Catarina. Segundo, por utilizar o palco de uma entidade empresarial, que há 115 anos representa o associativismo e o desenvolvimento de Joinville, para promover um discurso de cunho político-partidário, destoando do espírito de união que sempre caracterizou a ACIJ.

O MDB completa, em 2026, 60 anos de história marcados pela defesa da democracia, pelo desenvolvimento de Santa Catarina e pela realização de grandes obras estruturantes. Foi sob governos emedebistas, em parceria com o setor produtivo, que o Estado consolidou sua infraestrutura logística, expandiu seus portos e aeroportos e fortaleceu sua posição como uma das economias mais competitivas do Brasil.

A história de Joinville não pode ser contada sem o MDB. Ao lado da classe empresarial, lideranças como Pedro Ivo Campos, Luiz Henrique da Silveira e Udo Döhler ajudaram a transformar a cidade em uma referência nacional e internacional de desenvolvimento, inovação, cultura, geração de empregos e qualidade de vida. É esse legado de diálogo, trabalho e parceria com o setor produtivo que projetou o nome de Joinville e de Santa Catarina para o Brasil e para o mundo.

O MDB respeita o direito à livre manifestação de pensamento e à divergência de opiniões. No entanto, entende que críticas dessa natureza devem estar fundamentadas em fatos, especialmente quando proferidas em nome de uma instituição tão respeitada quanto a ACIJ.

Santa Catarina precisa de diálogo, cooperação institucional e respeito à sua história. O MDB continuará trabalhando para que o Estado receba os investimentos que merece, acima de disputas políticas e interesses eleitorais” – MDB de Santa Catarina