Faltou transparência: prefeitura divulga balanço inconsistente da Festa Nacional do Pinhão


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Jean Carlo Lima

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Em coletiva de imprensa, no dia 07/07, a prefeita Carmen Zanotto e o presidente da CCO, Samuel Ramos, apresentaram o que classificaram como o balanço da Festa Nacional do Pinhão de 2026. Para alguns jornalistas que acompanharam o evento, a coletiva teve um caráter mais político do que técnico, contábil ou de prestação de contas.

Sobre os dados inconsistentes, Samuel Ramos disse que, pela festa, passaram mais de 380 mil pessoas, sem apresentar a metodologia utilizada para extrair e compilar esses dados. Já o representante da CDL afirmou que a cidade movimentou R$ 90 milhões a mais no período do evento. Porém, não apresentou dados que comprovem esse número, que chama a atenção por ser superior ao da penúltima festa organizada no Parque de Exposições Conta Dinheiro.

Geralmente, a Fecomércio é a instituição responsável por realizar esse tipo de estudo de impacto econômico. Porém, até o momento, não há nada publicado pela instituição sobre a festa de 2026.

Não foi a primeira vez

Na primeira Festa Nacional do Pinhão organizada pela gestão da prefeita Carmen Zanotto, em 2025, no Calçadão da Praça João Costa — a primeira realizada fora do parque após décadas —, a prefeitura divulgou que 270 mil pessoas passaram pelo local. Um número considerado impossível de ser atingido em 17 dias, em um espaço útil relativamente pequeno.

Já a CDL, parceira da prefeitura no evento, na ocasião não apresentou números, mas afirmou, novamente sem dados, que o comércio registrou um crescimento de 15% em relação a 2024, quando a festa foi realizada no Parque de Exposições Conta Dinheiro, com um considerável fluxo de turistas no período — algo muito além do que se viu em 2025.

Patrocínio público

Em uma fala de caráter político, o presidente da CCO disse que o Governo do Estado nunca investiu tanto na Festa Nacional do Pinhão. Ocorre que esses recursos foram aportados na forma de patrocínio, com a contrapartida de divulgação institucional do governo durante o evento.

Em 2025, outro equívoco foi constatado. A prefeitura firmou um contrato de parceria com a UNIPLAC para a realização da Sapecada da Canção Nativa. A instituição de ensino, em caráter de doação, ficou responsável por disponibilizar a estrutura para a realização do festival. Contudo, por se tratar de uma doação, não poderia haver contrapartida de publicidade em favor da doadora. No entanto, o logotipo da UNIPLAC estava exposto em diversos pontos do evento.

Questionamentos

O colega de imprensa Edson Varela fez algumas perguntas pertinentes, que transcrevo na íntegra:

Dados que geram dúvidas

Aliás, não são os dados que geram dúvidas, mas a ausência deles. Quanto a CDL arrecadou com a Festa Nacional do Pinhão? Com esse dinheiro arrecadado no evento público, quais despesas foram pagas? Houve sobra? Em caso positivo, ela ficou com a CDL ou foi destinada aos cofres do município?

As mesmas indagações valem para a Acil. E os demais recursos que ingressaram por meio da AME, Bally e Havan custearam o quê? Quais foram as despesas da festa com cachês no Recanto? Com passagens aéreas? Com a divulgação do evento na mídia? Com a Sapecada? Com segurança? Com banheiros químicos? Com a ornamentação do parque?”