Catástrofe anunciada: sucessão de descasos potencializam prejuízos decorrentes das enchentes em Lages


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Jean Carlo Lima

No dia 11/07, a intensidade das chuvas chegou a marcar 35 milímetros em apenas uma hora. Ao longo de todo o dia, o volume superou 75 milímetros. O resultado disso: prejuízo para inúmeros cidadãos, que tiveram suas casas, algumas quase submersas. Por outro lado — em contraste —, os muitos erros de planejamento da prefeita Carmen Zanotto não a impediram de desfilar, impecável, com um colete da Defesa Civil que levava seu nome.

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Descaso 1 – Governo do Estado

Durante todo o tempo que me dediquei à cobertura política, uma frase que costumo repetir faz muito sentido neste momento: “Quanto mais matuto é o governante, mais atravessadas são as coisas.”

O Rio Carahá transbordou mais uma vez, como acontece praticamente todos os anos. A diferença é que, desta vez, Estado e Prefeitura podem ser apontados como corresponsáveis pelos prejuízos causados à população.

No segundo semestre de 2024, o governador Jorginho Mello esteve em Lages para assinar a ordem de serviço da revitalização da Avenida Carahá, uma obra orçada em R$ 28 milhões. O projeto, elaborado ainda durante o governo Carlos Moisés, previa recapeamento asfáltico, padronização das calçadas, implantação de ciclovia e, principalmente, a construção de galerias pluviais nos pontos críticos de transbordamento, onde as águas do Rio Carahá invadem residências e estabelecimentos comerciais.

Na sequência, a gestão do então prefeito Antonio Ceron chegou a realizar o processo licitatório. No entanto, a licitação precisou ser cancelada porque o Governo do Estado, Jorginho Mello, não efetuou o repasse da parcela inicial, no valor de R$ 2,7 milhões. O restante dos recursos seria liberado em nove parcelas.

Descaso 2 – Carmen Zanotto

Tão logo assumiu a Prefeitura, Carmen Zanotto tratou de cumprir promessas de campanha. Algumas beneficiaram partidos políticos, outras atenderam entidades, como ocorreu no caso da ACIL.

Mesmo ciente dos recorrentes problemas provocados pelo transbordamento do Rio Carahá, a prefeita solicitou ao Governo do Estado a realocação dos recursos destinados à revitalização da Avenida Carahá para a execução de outras obras, entre elas a pavimentação de ruas no entorno de empresas.

Com isso, o que a administração municipal apresentou como a primeira etapa da revitalização resumiu-se a um recapeamento asfáltico, ao custo de R$ 4,5 milhões, sem a execução das intervenções estruturais previstas no projeto original, como as galerias para minimizar os pontos de transbordamento.

A obra está paralisada há quase um ano e ainda não há previsão para sua retomada. Quanto aos recursos, as informações disponíveis indicam que o Governo do Estado não chegou a repassar nem metade do valor inicialmente previsto para a execução do projeto.

Descaso 3 – Secretário de Obras

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Na Rua Major Bibiano, um dos pontos mais críticos da cidade, o córrego que passa entre residências e uma indústria voltou a transbordar. A situação chegou a demandar a atenção da Secretaria de Obras. Moradores procuraram a Prefeitura para relatar que a intervenção realizada não seria suficiente para conter os alagamentos.

Segundo relatos da comunidade, o secretário Cleber Arruda e sua equipe técnica não chegaram a ouvir as ponderações dos moradores sobre a necessidade de uma solução mais eficaz. O resultado, na avaliação de quem vive no local, foi a repetição dos alagamentos, com casas invadidas pela água e prejuízos aos moradores.

Descaso 4 – Vereadores do governo

Para completar, os vereadores da base do governo, por ironia do destino, votaram contra o Requerimento nº 023/2026, de autoria do vereador Aldori de Freitas (Freitinhas), do MDB, que convocava o secretário para prestar esclarecimentos sobre o significativo número de obras paralisadas no município.